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	<title>ABCLes - Literatura Lésbica: Sonhar, amar sem medo, viver do nosso jeito &#187; Nell Felix</title>
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		<title>CanaDando: Sobre inveja, orgulho, medo e decepções</title>
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		<pubDate>Sat, 14 May 2011 01:08:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nell Felix</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2011/05/chamada_inveja.jpg" alt="" width="470" height="200" /></p>
<p>Porque hoje eu acordei cedo, ainda meio grogue, após meu pai bater na porta dizendo para que eu me levantasse e tomasse café com ele antes dele ir viajar. Sendo hoje 23 anos após minha pessoa surgir no mundo (e 20 anos após minha primeira lembrança), eu recebi dele uma pequena cartinha sobre como ele se orgulha de mim, etc., etc. Como ele é feliz em ser meu pai e várias outras coisas, e me bateu obviamente um sentimento estranho no peito, uma genuína saudade provavelmente causada pela minha tensão pré-menstrual (que faz com que eu sinta todos os sentimentos que eu não possuo durante o resto do mês duma vez só e piora o meu estômago) e caramba, às vezes eu me pergunto se ele não fala esse tipo de coisa porque ele descobriu por sí próprio da minha homossexualidade inata (porque eu nunca contei a ele, really), ou se ele simplesmente está sendo o pai que eu sempre tive — e que eu demorei a entender como funcionava, já que eu não me dou muito bem com sentimentos sendo o golem de pedra que eu sou &#8211; o que me leva a outras questões dentro de minha cabecinha tê-pê-êmística do momento.</p>
<p>Eu nunca vou saber como é ter uma filha que nem eu, também pelo fato de eu não querer ter filhos, mas porque, mesmo se eu tiver, não vai ser a mesma coisa. “Claro”, você vai dizer, “tu ainda vais morder tua língua com tal pensamento”. Mas eu acredito que, seja lá a resposta para essa pergunta, eu nunca vou ser hétero, e ter uma filha gay. No máximo eu vou ser gay e ter uma filha hétero, ou ser gay e ter uma filha gay, ou um filho, ou um jabuti. Mas a verdade é que eu nunca vou passar pelo sabe-se-lá-o-que que a minha mãe passou, e eu nunca vou saber o que meus irmãos pensaram quando descobriram de mim, ou o que meu pai deve pensar de mim após nós vivermos alguns dias sob o mesmo teto de novo (porque embora eu nunca tenha contado, eu também nunca escondi, e o fato de minha mãe praticamente balançar a bandeira arco-íris literalmente por aí, e pelo facebook, obviamente não ajuda na publicidade).</p>
<p>(E sabendo que minha mãe vai ler isso mais cedo ou mais tarde, eu já digo, manda ver mamãe, pode continuar)</p>
<p>Seja lá como for, já que eu só sei o meu lado da história, o jeito é batalhar por ele, e não me importar muito com isso (o que eu faço bem pra caramba, porque pra mim ser gay é a mesma coisa que preferir bolo de cenoura a bolo de laranja, só mais uma coisinha a mais sobre meu respeito). O que me leva ao meu próximo tópico.</p>
<p>Eu tenho um casal de amigas que, logo, fará um ano de namoro. A última vez que eu completei um ano de namoro com alguém foi&#8230; Há muitos anos atrás, e eu tenho certeza que a minha proximidade a aquela ex-namorada (que agora está com alguém mil bilhões de vezes mais compatível com ela do que eu era) nunca foi tão grande quanto a proximidade que esse casal de amigas que eu tenho, tem.</p>
<p>Elas não têm medo de dar selinhos em públicos, e elas andam de mãos dadas. E elas batalham pelo amor entre elas com familiares como muitos de nós por aí afora (menos eu, aparentemente, porque eu nasci com a bunda virada pra lua), e elas são felizes juntas. Já ouviram falar de inveja? Porque eu tenho uma certa invejinha: numa das únicas vezes em que eu ousei beijar uma namorada em lugar público, eu fui praticamente expulsa do shopping, com direito ao dono da loja esbravejando e erguendo o punho, dando de dedo na minha cara. Porque, como muitos outros, eu sei de gente que apanhou na rua por menos ainda. Porque eu tento ser sábia e não dar caô, porque eu não quero parar num hospital, ou pior, numa valeta. Porque Curitiba em si já é um lugar perigoso (embora os curitibanos ainda não pareçam admitir, pobres tolinhos), mas ela também é o segundo maior palco de violência contra nós. Violência, essa, que não sai em jornais. Violência essa que é tratada com descaso pela polícia.</p>
<p>E aí, eu acordo no dia do meu aniversário e eu vejo no facebook que um amigo que eu considero pra caramba assinou uma petição contra a PL122. Contra a lei que criminaliza a homofobia. Porque, de acordo com ele, “violência já é crime”. E, por mais que eu tenha razões para sorrir, e por mais que eu me sinta bem na minha pele, e por mais que eu esteja tão segura quanto qualquer brasileiro nesse país (o que não signifique muito), eu tenho a desvantagem de ter um corpo pequeno, ruim para defesa pessoal por mais que eu tenha praticado vários tipos de lutas e saiba me virar um bocado numa briga. E eu tenho a desvantagem de, por mais que o mundo tenha andado, sempre vai haver gente por aí que não vai compreender que eu não tenho uma saída a não ser a de ser quem eu sou, e vai se ofender com isso por motivo algum, e talvez vá querer dar o troco e ninguém vai fazer nada. Porque é violência, mas não é tratado como violência e não possui visibilidade o suficiente.</p>
<p>E eu nem vou entrar no assunto de igrejas e Bolsonaro e o caralho a quatro, não hoje, porque não é preciso. Vocês todos que estão lendo isso estão carecas de saber e ver tudo isso. E provavelmente estão tão exaustos quanto eu de ler notícias como a de Uganda, onde queriam tornar homossexualidade um crime punível de morte e por pouco não o fizeram &#8211; embora ainda haja um medo em volta de como esse projeto de lei vai ser reescrito.</p>
<p>Porque, mesmo que eu não more nesse país pela maior parte do tempo agora, e onde eu more eu esteja segura nesse sentido, pessoas, assim como meu casal de amigas, não estão seguras e são punidas por terceiros meramente por cometerem o doce pecado que é amar alguém.</p>
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		<title>CanaDando: Sobre o excesso de escuridão e a (falta de) neve e chá-mate</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Dec 2010 23:15:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nell Felix</dc:creator>
				<category><![CDATA[CanaDando]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2010/12/cha_chamada.jpg" alt="" width="470" height="200" /></p>
<p>Porque aí de repente você dá uma saidinha de casa pra comprar&#8230; Sei lá, Pepsi ou coisa do tipo, lá pelas três e meia da tarde, e aí quando você sai do supermercado com mais coisas do que achou que ia precisar (como pasta de dente, biscoitos e algumas frutas pro seu cereal matinal ficar menos chato), de repente não é mais “de dia”.</p>
<p>Não, não, amorinhas, o negócio aqui em cima é caótico.</p>
<p>Pois bem, agora são quatro e meia da tarde e está virtualmente de noite – tive que acender luzes dentro de casa pra poder ver o que diabos estou digitando (e eu juro que no momento em que abri o Word pra escrever essa coluna, ainda estava de dia). Mas essa nem é a parte interessante da história, a parte interessante mesmo é a neve.</p>
<p>Enquanto lá em Minneapolis rolou a destruição de um telhado de um estádio de futebol americano por conta da dita cuja, e enquanto em Chicago um amigo meu teve que tirar blocos de gelo do lado de dentro da janela do carro dele com uma espátula, e como em Atlanta nevou brutalmente a ponto de ruas serem fechadas, aqui em Toronto o negócio chega a dar pena. Pô, sem brincadeiras: aqui não tem porcaria NENHUMA de neve. Quer dizer, até tem, assim, de levinho mas&#8230; Mas o lance é que o negócio tá tão fino lá fora que não dá nem pra fazer uma bolinha de neve pra tacar nos outros. Poxa, mas eu não escorreguei nem um pouquinho com o gelo na calçada! Aliás, nem tem gelo o suficiente pra você derrapar de leve. E se isso não bastasse, não dá nem pra dizer que não está frio, porque está.</p>
<p>O fato de estar frio nem é tão incômodo. Na real, até nem reclamo do frio aqui, já que eu sinto muito, mas MUITO mais frio no inverno em Curitiba do que aqui em cima. A única coisa que de fato me incomoda pra valer sobre o inverno em geral em qualquer parte do planeta é a chuva e o vento. E ambos são simples de se lidar, já que a chuva aqui em cima é supostamente substituída pela neve. Na real, o frio é até um tanto reconfortante – não se enganem, odeio passar frio – justamente pelo fato de que, no momento em que eu piso em casa, sei que em 20 minutinhos vou estar de banho tomado, super quentinha dentro de um suéter seco e com uma caneca de café/chá/café/chocolate quente/café na minha mão. O que me leva ao ponto mais importante dos últimos 4 meses: aqui não tem chá-mate.</p>
<p>Pra você aí em casa, no verãozão, que pode simplesmente sair na rua a qualquer hora e se deliciar ao visitar o bom e velho Rei do Mate pra tomar aquele chá gelaaado e gostoso. Pra você aí, quietinha doente com alguma gripe fora da estação, que está recebendo tratos da namorada/mãe/tia/sobrinha/cachorro com uma xícara de chá-mate com um pouquinho de limão e mel em vez daquele chá Vick nojento. Pra você lá no Sul, curtindo seu chimarrãozinho, ou até mesmo seu tereré, se você gosta das coisas mais docinhas. Todas vocês, fiquem sabendo: eu estou MORRENDO de inveja.</p>
<p>Vamos falar sério: o Canadá é um lugar legal, tem tipo, neve, e casas com aquecimento interno que não é uma droga durante o inverno, e tem até que um bom número de garotas bonitas perambulando por aí (e eu não digo isso de uma forma leviana, tem muuuita mulher bonita aqui em cima, pra todos os gostos), mas os caras não entendem porra nenhuma de chá.</p>
<p>Tá, vai, talvez eles até entendam. Tá bom, eles têm 50 mil tipos de chás diferentes – tirando pelo único, mais maravilhoso de todos, que aparentemente só o povo na América do Sul bebe. Para vocês terem uma ideia, chegou a um ponto em que eu pedi gentilmente a minha família mandar caixas de chá por correio de alguma forma mágica e perfeita – porque caramba o negócio faz uma falta&#8230;</p>
<p>Só falta eles mandarem pela UPS. Aí eu desisto de tudo.</p>
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		<title>CanaDando: Sobre o Natal, Vladish, Eggnog e Emily Carrol</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Dec 2010 13:18:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nell Felix</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Porque eu tenho um amigo desde 2008, quando vim para cá pela primeira vez (antes de voltar pra casa e estragar minha vida mais um pouco) chamado Pawel. O cidadão, na época em que o conheci, era uma figura: cabelãããão enrolado (a la metaleiro), camisa do filme O Corvo (e quarto com pôsteres e bonequinhos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Porque eu tenho um amigo desde 2008, quando vim para cá pela primeira vez (antes de voltar pra casa e estragar minha vida mais um pouco) chamado Pawel. O cidadão, na época em que o conheci, era uma figura: cabelãããão enrolado (a la metaleiro), camisa do filme O Corvo (e quarto com pôsteres e bonequinhos e até busto do filme O Corvo, tipo metaleiro), calças cheias de bolso e correntes (tipo metaleiro) e uma barba a la Van Dyke (tipo&#8230; tipo o Van Dyke, mesmo).</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://en.academic.ru/pictures/enwiki/65/Anthonyvandyckselfportrait.jpeg" alt="" width="456" height="323" /><em>(Van Dyke)</em></p>
<p>O cara é o tipo comum de macho-homem: acha que é legal ser um tremendo “filhos das puta”, que nego vai achar ele mais legal se ele for fodão e&#8230; Na real, ele é um banana com um coração de ouro, mas ele não quer que ninguém saiba. Homenzinho.</p>
<p>De qualquer forma, dá pra perceber o tipo do cara só pelo apelido do infeliz: Vlad. Tipo o Vlad Teppes, O Impalador, ou seja, em quem basearam o Drácula e coisa e tal (a expressão do cidadão quando qualquer pessoa comenta sobre Crepúsculo num raio de 100m de distância dele é muitíssimo hilária). Na real, quem pôs apelido nele, foi ele mesmo, já que o cara estava cansado de ser chamado de <em>Little Summer</em> (verãozinho) pelos amigos que descobriram que é basicamente isso que o nome dele de verdade significa em polonês.</p>
<p>Porque que eu to contando essa história: vejam bem, alguns dias atrás (não lembro bem quando), estava eu sentada em alguma mesa do <em>lounge </em>estudantil desenhando quietinha, quando meu amigo Vlad me interrompe dizendo (em um tom vitorioso) “viu só? Eles não acham que eu sou uma cara legal e gentil”. Eles, no caso, as pessoas que estudam com o infeliz. Haha.</p>
<p>Minha reação? Foi contar essa historieta:</p>
<p>Era uma vez, numa terra nada distante, uma Nellzinha que não conseguiu voltar para casa para passar o Natal com a família. Eis que seu bom amigo que se acha o rei das maleficências naturais, convida a Nellzinha aqui pra passar o Natal com a família dele. E ela ainda ganha presente <strong>e</strong> comida feita pela mãe dele (já que na época, a Nellzinha aqui morava num quarto que só tinha um microondas e era forçada a dividir o lugar com uma peruana MUITO, mas MUITO burra – mas essa história fica para mais tarde). Dá pra acreditar que o cara é malvadinho depois dessa? Por deuses, esse ano até passei o dia de ação de graças com aquela família de polacos, mesmo com eles sabendo que a gente nem comemora essa porra no Brasil!</p>
<p>Claro, no momento em que eu terminei de contar essa história, o povo da sala dele riu até chorar.</p>
<p>Mas embora eu tenha visto um bocado desse lado festivo norte-americano, tem uma coisa que eu não fiz ainda: beber eggnog.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" src="../wp-content/uploads/2010/12/nog_chamada.jpg" alt="" width="470" height="200" /></p>
<p>Eggnog é uma bebida meio bizarra, composta de ovos e leite e, dependendo da pessoa preparando, ela pode levar rum ou conhaque. Eu não tenho a mínima idéia de qual é o gosto dessa parada, mas confesso que a ideia de passar uma noite fria, bebendo eggnog e estudando as ilustrações da Emily Carroll (http://emcarroll.blogspot.com/) me parece é muito boa. Só a imagem que aparece na minha cabeça já é pra lá de gracinha.</p>
<p>E aí hoje decidi procurar a receita pra um eggnog quentinho. Pra quê.</p>
<p>É óbvio que, sendo comigo, nada pode dar certo de primeira. Cara, para você ter uma ideia, achei receita pra TORTA de eggnog, e não a porcaria do drink. Quer dizer, eu até achei, mas pra 5 mil pessoas, levando (sem brincadeira) uns 12 ovos. DOZE. Cara, acho que nem o Rocky engole essa porra, imagina euzinha com meus zero metro e meio quilo.</p>
<p>Enfim, eis que de repente achei uma perfeita: 1 ovo, pouco açúcar, menor chance de morrer de ataque cardíaco depois de beber essa porra&#8230; Só tinha um detalhe.</p>
<p>A receita envolvia o uso de um microondas. Que eu não tenho.</p>
<p>AAAARRRRHHHHH!</p>
<p><strong>PS:</strong> Ó aí, pra cambada que não teve um ataque de ânsia de vômito ao ficar sabendo do que vai num eggnog, a receita microondística que eu achei vem logo abaixo:</p>
<ul>
<li>1 ovo grande</li>
<li>1 colher de sopa de açúcar      (apesar de, nos comentários, nego dizer que com mais açúcar ficaria mais      gostoso)</li>
<li>1 colher de chá de extrato      de baunilha (adoro essa porcaria)</li>
<li>240 ml de leite      (aproximadamente, tive que fazer uma conversão retardada aqui)</li>
<li>Nós moscada a gusto      (eeew &gt;&lt;)</li>
</ul>
<p><strong>Tempo de preparo: 5 minutinhos.</strong></p>
<p><em>Como fazer esta porra: taque tudo em uma caneca grande, misture bem pra caramba e jogue no microondas por 2 minutos e meio (parando pra mexer a cada 30 segundos [oi?] e pelamordedeus não ferve o bixo &lt;o&gt;. Jogue nós moscada quando estiver pronto. TA-DAAAAA.</em><em> </em></p>
<p><strong>PPS *-*:</strong></p>
<ul>
<li><a href="http://emcarroll.com/art/hlhorse.jpg" target="_blank">Emily Carrol 1</a></li>
<li><a href="http://emcarroll.com/art/handmaiden.jpg" target="_blank">Emily Carrol 2</a></li>
<li><a href="http://farm5.static.flickr.com/4141/4751630614_9fe80a12eb.jpg" target="_blank">Emily Carrol 3</a></li>
</ul>
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		<title>CanaDando: Sobre livros, Kindle e desventuras com o Correio</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Nov 2010 02:18:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nell Felix</dc:creator>
				<category><![CDATA[CanaDando]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Kindle_chamada.jpg" alt="" width="588" height="250" /></p>
<p>Para as poucas pessoas que irão ler isso aqui e me conhecem, não é lá um grande segredo o tamanho do meu amor a leitura. Sério mesmo, o negócio chegaria a ser feio se não fosse bonito. E não é só leitura por quadrinhos (como os que eu costumava traduzir aqui para o ABCLés na minha outra coluna Quadro a Quadro), já que essa – ironicamente – veio mais tarde, mas o amor pelas palavras postas juntas, construindo frases, construindo mundos, contando histórias.</p>
<p>Muitos dos mais incríveis eventos na minha vida ocorreram graças à leitura – graças a minha curiosidade em relação a ela, graças ao meu desejo em ler mais e mais. Por mais que naquele momento tenha passado batido, foi através da leitura que eu conheci um certo fórum liderado e moderado por nada mais nada menos que nossa querida chefa Hautequest em pessoa, e foi lá que eu criei minhas perninhas e deixei de ser girino pra virar sapinha. E, não contente com a qualidade de muitas das coisas que lia em português (na época), comecei a procurar a ler em inglês – ainda que com a minha base ridícula de inglês de colégio – compreendam, isso tudo ocorreu na época em que eu mal alcançara meus 15, 16 anos. Por causa do meu amor à leitura, aprendi outra língua. Por causa do meu amor à leitura, estou em outro país seguindo meus sonhos.</p>
<p>Devo tanto a essa paixão quase que obscena, que, obviamente, ao chegar aqui em cima, a primeira coisa que eu fiz foi me aproveitar do website da Amazon.ca e encomendar alguns livros. Sabe como é, só pra manter a chama acesa, coisa e tal.</p>
<p>E a filha de uma puta da Amazon mandou meus livros pela UPS. Puta merda.</p>
<p>A UPS, que graças ao bom karma não existe aí embaixo, é uma agência de entregas particular a lá SEDEX, só que muito mais retardada. Pensem aqui comigo: quem diabos te manda um pacote no meio da semana, durante o dia, não entrega em fins de semana, não diz quando vai aparecer de novo (ou até diz, mas é tão vago e ainda em horários esdrúxulos), e que ainda ameaça de mandar teu embrulho embora pro remetente se eles não conseguissem te pegar em casa na terceira tentativa de entrega, apesar de você ter pago tudo? Pois bem.</p>
<p>Já havia se passado duas tentativas de entrega – ambas durante minha ÚNICA aula do dia (que obviamente calhou de ser no mesmo momento em que o cara da UPS decidiu baixar aqui em casa). A terceira e última, seria numa segunda-feira – dia em que eu possuo três aulas de 3 horas, e me alimento de sanduiches e cafeína injetável. Ou seja, não estaria em casa mas nem querendo durante o dia. Ligar para o telefone escrito na notinha que eles deixaram na minha caixa de correio de nada adiantou, já que eu fui atendida por não-humanos, como é de praxe aqui em cima. Aí eu tive que esperar chegar em casa.</p>
<p>Eu só fui conseguir o telefone do verdadeiro suporte ao consumidor da empresa num sábado de manhã &#8211; e é claro e óbvio como água que o lugar estava fechado. A minha única chance seria de ligar para os cidadãos na segunda-feira – de manhãzinha, às 7:30, quando os caras estão abrindo as portas e tirando a poeira de cima do teclado do computador da empresa.</p>
<p>Isso tudo, minha gente, só para deixar explícito a minha falta de amor pelo transporte público de Toronto. A minha ligação resultou no fato de eu ter de atravessar Toronto de cabo a rabo até uma cidade satélite universitária localizada no extremo norte. Aquele era minha única tarde de folga na semana inteira (já que o meu horário não faz o menor sentido, e eu tenho aula 6 dias por semana com somente uma tarde livre), quando eu posso desfrutar de tirar um ligeiro cochilo antes de me dedicar a vários projetos ao mesmo tempo – e é claro que eu gastei tal momento sagrado atravessando a cidade durante malditas 5 horas, só para conseguir dois singelos livros.</p>
<p>Sinceramente, às vezes acho que essa minha paixão por leitura tá mais pra uma maldição filhadeumaput&#8230;</p>
<p>PS: valeu super a pena, ambos os livros eram maravilhosos, e eu recomendo para todo mundo que não se importe em importar.</p>
<p>PPS: pra me livrar de tais artifícios de Murphy contra a minha pessoa, decidi adquirir um Kindle, produto também da Amazon, que serve para ler livros em formato de e-book. Assim posso comprar livros e não ter que ir até a puta que pariu para busca-los, já que eles irão diretamente para a biblioteca do meu Kindle. Para isso, porém, eu terei um novo embate com a UPS. Vamosvernoquequedá.</p>
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		<title>Quadro a Quadro: Happy go Lucky</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Sep 2010 16:49:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nell Felix</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Quadro a Quadro]]></category>

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		<description><![CDATA[Capítulos 5 e 9 – e um pouco sobre Aoi Hana Num mês cheio de correria para cá, compra móveis para lá, arranja apartamento, fecha contrato, pedala, pedala, pedala, reaprende a cozinhar, e outras técnicas de sobrevivência do dia a dia em um novo país, que eu consegui finalmente me decidir em um projeto bacana [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2010/09/happy_chamada.jpg" alt="" width="470" height="200" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Capítulos 5 e 9 – e um pouco sobre Aoi Hana</strong></p>
<p>Num mês cheio de correria para cá, compra móveis para lá, arranja apartamento, fecha contrato, pedala, pedala, pedala, reaprende a cozinhar, e outras técnicas de sobrevivência do dia a dia em um novo país, que eu consegui finalmente me decidir em um projeto bacana para trazer para vocês neste mês que, espero, tenha sido tão supimpa para vocês quanto foi para mim.</p>
<p>É. Supimpa. Vocês leram corretamente.</p>
<p><img class="alignleft" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2010/09/happy_2.jpg" alt="" width="340" height="337" />A bola da vez é <strong>Happy Go Lucky</strong>: uma coletânea de histórias curtas sobre jovens na casa dos 20-e-alguma-coisa e suas vidas sexuais. Cada história mostra um casal novo, se descobrindo, se conhecendo, alguns de seus medos, parte de suas angústias &#8212; e algumas das histórias são até mesmo conectadas entre si, mas de uma forma mais passiva, normalmente por algum lugar ou uma pessoa que nem mesmo aparece.</p>
<p>As histórias que trouxe para vocês são obviamente as únicas que contém casais homoafetivos femininos (lá na terrinha eles chamam isso de “lésbicas”, já ouviram falar?), e são super simples. Aliás, tão simples que não vou nem me dar ao trabalho de apresentá-los. Não que a simplicidade atrapalhe, de forma alguma.</p>
<p><strong>Ué, não vai falar da autora hoje?</strong></p>
<p>Hah. A autora, <strong><em>Takako Shimura</em></strong>, é um dos motivos mor para eu apresentar essas historietas a vocês. Claro, achei as histórias super bacanas, e adoro a forma com que ela conta as mesmas, mas a frase chave neste caso é a seguinte: <em>essa é a mesma autora que criou </em><strong>Aoi Hana<em>.</em></strong></p>
<p><strong>Aoi Hana</strong><em> </em>não é um simples mangá yuri. É um dos <strong>melhores</strong> mangás yuri de todos os tempos, e ele ainda está sendo escrito, desenhado e lançado enquanto você está lendo esta coluna aqui.</p>
<p>O que faz com que ele seja tão bom, não é somente o fato de que retrata bem a vida de uma colegial lésbica tentando se afirmar no mundo, mas a doçura com que isso acontece. O desenvolvimento das personagens é maravilhoso: enquanto <em>Fumi</em> (uma das personagens principais) começa como uma garota tímida, chorona e um tanto sem voz no mundo, ela cresce e toma controle das próprias emoções, numa cena em que faz algo que deveria ter sido feito há um bom tempo e a melhor parte: ela não regride. Não somente isso, a forma com que sua amiga de infância (a outra personagem principal, uma garota chamada <em>Akira</em>) continua a tratá-la, como se nada houvesse mudado nos anos em que estiveram separadas, como se não importasse o fato de <em>Fumi</em> ser lésbica, também é muito gentil.</p>
<p>Essa delicadeza toda como história, e as personagens, em momento algum, falham, porque apesar da vida sexual de <em>Fumi</em> e seus anseios sejam os pontos climáticos na saga, a sexualidade dela não é exatamente o tema central. Isso ocorre de uma forma em que a vida normal delas como estudantes é tão importante quanto, e é disso que a ficção precisa mais, do que este mundo precisa mais: que nós sejamos retratados e tratados com essa naturalidade imensa que <strong>Aoi Hana</strong> propõe.</p>
<p>Uma pequena nota antes de fechar a coluna da semana: <strong>Aoi Hana</strong> foi transformado em anime há uns dois ou três anos, e é tão fiel ao mangá e tão incrivelmente belo, que me deixou imensamente triste por não ir mais além na história – embora o desenvolvimento das personagens continue formidável. Merece um sonoro “vale a pena assistir”.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="../wp-content/uploads/2010/09/AoiHana.png" alt="" width="384" height="258" /></p>
<p>Ps: Me recuso a traduzir <strong>Aoi Hana</strong>, até que esteja completo. Porém, se você se interessou e não se importa em ler em inglês, pode encontrar seu download no website da <a href="http://www.lililicious.net/projectDet.php?id=51" target="_blank"><strong>Lililicious</strong></a>.</p>
<p><a href="http://download203.mediafire.com/3yjohkm63ipg/0zlrk17djj17o4s/Happy+Go+Lucky-pt.rar" target="_blank"><strong><img class="alignnone" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2010/04/download.gif" alt="" width="16" height="16" /> Happy go Lucky – Capítulos 5 e 9</strong></a></p>
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		<title>Your Love</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Jul 2010 23:29:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nell Felix</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ah, o primeiro amor. Com ele vem a vermelhidão de nossos rostos quando nos aproximamos de quem faz nosso coração bater mais forte. Há aqueles que quando abrem a boca, mal emitem um som por estar frente à pessoa adorada. Alguns tornam seus rostos para o lado contrário, fingem-se bravos, fazem tudo ao contrário do [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2010/07/yourlove_chamada.jpg" alt="" width="588" height="250" /></p>
<p>Ah, o primeiro amor. Com ele vem a vermelhidão de nossos rostos quando nos aproximamos de quem faz nosso coração bater mais forte. Há aqueles que quando abrem a boca, mal emitem um som por estar frente à pessoa adorada. Alguns tornam seus rostos para o lado contrário, fingem-se bravos, fazem tudo ao contrário do que deveriam. Outros agem com a maior confiança do mundo, batem no peito exalando um ar importante, quando na verdade tremem por dentro e morrem de insegurança como todos os outros.</p>
<p>É sobre um casal numa situação similar a essa que a curtíssima história <strong>Your Love</strong> retrata. Com apenas 8 páginas muito bem definidas e com uma arte excelente, mostra toda a insegurança de uma estudante sem nome em relação à sua namorada que, por algum motivo, não consegue nem olhar no rosto dela&#8230;</p>
<p>Confesso que, antes de ler esta história, eu não imaginava o quão interessante ela acabaria sendo, nem com quanta sinceridade descreveria a situação que mais nos pega desprevenidas, independente da idade, raça, cor ou credo: o amor por alguém, e o medo de uma rejeição – ou de uma falsa aceitação, seja ela por medo, carência ou o que for.</p>
<p>O conteúdo é ligeiramente impróprio para menores de 18 anos dependendo do país (rola uns seios por aí), mas eu não saberia dizer se eu realmente deveria deixar isso estampado já que as personagens com certeza não passaram dos 17 – e sinceramente, a puberdade e os hormônios naturalmente ficam ativos beeem antes dos 18&#8230;</p>
<p>Enfim, espero que gostem da (mínima) indicação da semana.</p>
<p>Uma pequena nota: a partir de agora, a coluna <strong><em>Quadro a Quadro</em></strong> será mensal. Isso se deve ao fato de eu ter me mudado de volta para o Canadá, e provavelmente estar procurando um lugar decente pra morar sem depender dos outros, e me preparando para o começo do meu ano letivo maluco enquanto vocês leem este artigo. Assim que a vida aqui na geladeiralândia se ajeitar, verei a possibilidade de voltar a escrever duas vezes ao mês. Mas até lá, força!</p>
<p><a href="http://www.mediafire.com/?mmzq2cg0dwmijym" target="_blank"><strong><img class="alignnone" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2010/04/download.gif" alt="" width="16" height="16" /> Your Love</strong></a></p>
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		<title>Love My Life – Parte 2</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jul 2010 23:10:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nell Felix</dc:creator>
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		<description><![CDATA[E foi numa correria entre encontrar amigos pela última vez em muito tempo, ajeitar coisas no banco, fazer muitas ligações, cortar o cabelo, terminar jogos que eu havia ficado de terminar a mais de um ano, levar pessoas a lugares, e um ou outro draminha familiar básico, que eu terminei de traduzir, editar e corrigir [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2010/07/LML_chamada.jpg" alt="" width="470" height="200" /></p>
<p>E foi numa correria entre encontrar amigos pela última vez em muito tempo, ajeitar coisas no banco, fazer muitas ligações, cortar o cabelo, terminar jogos que eu havia ficado de terminar a mais de um ano, levar pessoas a lugares, e um ou outro draminha familiar básico, que eu terminei de traduzir, editar e corrigir essa última parte de <strong>Love My Life</strong>. Não que isso interesse a qualquer uma de vocês.</p>
<p>Se na primeira parte de <strong>Love My Life</strong> tivemos uma absurda coleção de descobertas sobre o passado de <strong><em>Ichiko</em></strong> e sua família, agora nesta segunda parte as coisas mudam ligeiramente de foco. A relação entre <strong><em>Ichiko</em></strong> e <strong><em>Eri</em></strong> se aprofunda mais, e assuntos delicados como a distância num relacionamento, traição e vingança são refletidos enquanto as personagens amadurecem mais e mais, cada uma seguindo seu próprio caminho.</p>
<p>A parte mais interessante de <strong>Love My Life</strong>, se me permitem dizer inclusive, é a forma com a qual esse amadurecimento se propõe, sem se forçar na personalidade de cada personagem, de cada situação. Outra coisa interessante é o quanto essa história é sobre orgulho – não tão somente o orgulho gay, mas o orgulho de ser quem você é a qualquer custo. Porque, como menciona <strong><em>Eri</em></strong> em dada parte, “se eu sou quem eu sou, não é por causa de quem meu pai é (…) eu sou meramente o produto de meus sentimentos.” E, sinceramente, não somos nós todos exatamente isso?</p>
<p>Boa leitura.</p>
<p><a href="http://www.mediafire.com/?yy5zyhhgamw1tjt" target="_blank"><strong><img class="alignnone" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2010/04/download.gif" alt="" width="16" height="16" />Love My Life – Parte 2</strong></a></p>
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		<title>Love My Life</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Jul 2010 22:04:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nell Felix</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Olá você, sentada aí em sua devida cadeira/banquinho/colo de namorada/cama/sofá/elefante, que não tinha nada para fazer, ou estava perambulando pela internet, ou que simplesmente por algum acaso do destino talvez realmente tenha esperado pela minha coluninha desta semana de uma forma radiante e feliz (ahamtábomsentaláNell). Como você pode perceber, aqui estou eu mais uma vez [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2010/07/LML_chamada.jpg" alt="" width="470" height="200" /></p>
<p>Olá você, sentada aí em sua devida cadeira/banquinho/colo de namorada/cama/sofá/elefante, que não tinha nada para fazer, ou estava perambulando pela internet, ou que simplesmente por algum acaso do destino talvez realmente tenha esperado pela minha coluninha desta semana de uma forma radiante e feliz (ahamtábomsentaláNell).</p>
<p>Como você pode perceber, aqui estou eu mais uma vez com um mangá supimpa para ler. E não qualquer mangá, mas sim um dos mangás maravilhosos da sempre interessantíssima Yamaji Ebine.</p>
<p>“O QUÊ? OUTRO DELA? JÁ? VAI TE @#$%#@, NELL!”</p>
<p>É, vai. Reclama. Pode reclamar. Reclama aí, eu deixo. Terminou? Ótimo.</p>
<p>Enfim, Love My Life, para quem não sabe, foi o primeiro tankoubon completo e yuri feito pela Yamaji-sensei. A história é mais ou menos assim: @ editor/a da sensei certo dia perguntou a ela: “você não está a fim de escrever uma história mais longa, completa, complexa, etc., e yuri?”. Yamaji-sensei pensou um pouco e acabou escrevendo o bichinho.</p>
<p><img class="alignleft" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2010/07/LML_01.jpg" alt="" width="361" height="400" />O resultado não poderia ser melhor para a moçoila: não só vendeu quem nem picolé em praia cheia no meio do verão, mas foi feito um filme em live action (ou seja, com atores e atrizes de carne e osso) baseado no mangá lá por volta de 2007. O mangá foi traduzido para o mandarin e diz a lenda que o filme vai pintar nos EUA, lançado por certa empresa chamada Wolfe Video.</p>
<p>Hmm, parece bom&#8230;</p>
<p>Não só parece, como é. Apesar de tudo, a história é simples: a personagem principal da vez, Ichiko, é filha de um tradutor um tanto renomado no meio. A mãe dela faleceu quando ela era uma criancinha, então Ichiko foi criada pelo pai, sozinho, por certa parte de sua vida fazendo com que ambos sejam mais próximos do que o normal, sendo grandes amigos um do outro. Com tanta proximidade, ela tem uma grande vontade de apresentar a pessoa por quem está apaixonada para seu pai &#8212; que ele, obviamente, não sabe que é outra garota&#8230;</p>
<p>Embora esse começo pareça um tanto quanto cliché, o que se segue são coisas não tão esperadas que acabam unindo a geração do pai da Ichiko com a dela própria nos pensamentos da garota, fazendo-a questionar vários impulsos e acontecimentos sobre os quais nunca teve muito controle, mas que acabaram impactando sua vida e de quem está a sua volta, para sempre.</p>
<p>É interessante levar em consideração a forma com a qual Yamaji-sensei descreve a vida das personagens e como elas tentam alcançar algo delas, um “lugar” confortável para elas, onde se sintam queridas, mesmo que isso faça com que sofram de formas mais variadas por conta de suas escolhas ou não. Ichiko como personagem e narradora, assiste a isso tudo e pensa com os próprios botões sobre as coisas simplesmente complicadas da vida.</p>
<p><strong>Semelhanças com outros trabalhos</strong></p>
<p>Assim como em Sweet Lovin&#8217; Baby (conteúdo de minha segunda coluna), existe um cuidado maravilhoso com o clima musical desta história: totalmente baseado em R&amp;B, funk, jazz e soul, Love My Life “possui” uma trilha sonora envolvendo nomes como Ephraim Lewis, The Isley Brothers entre outros artistas citados em referência (o que é de certa forma uma pena, já que nada disso é utilizado no filme, totalmente pop e sem metade da graça).</p>
<p>Outra coisa interessante que cheguei a mencionar previamente é o fato de LML voltar em assuntos tocados pela compilação Sweet Lovin&#8217; Baby, mais especificamente nas histórias Rain was Falling e Doomed Love, no que se dizem respeito à rejeição amorosa, conceitos de sexualidade e por aí vai.</p>
<p>Puxa, que legal, mas&#8230; Por que diz ali “1~6”?</p>
<p>Bom, considerando que sou apenas humana, decidi dividir o tankoubon (formado por 12 capítulos) em dois: 6 capítulos para essa seção, e os restantes 6 numa data futura. Então, não se preocupem, vou terminar de traduzir e postar aqui em breve &#8212; mas não agora.</p>
<p>Outra coisa que gostaria de adicionar: na minha coluna passada, quem baixou o Tropical Girls no dia que foi lançado e no dia seguinte, deve ter notado muitos erros de edição nas páginas. Pelo mesmo eu peço desculpas, e, se você ainda tiver paciência, por favor, refaça o download, já que voltei atrás e revisei o bicho inteiro. Espero que isso não volte a acontecer, mas de qualquer forma, deixo aqui minha retratação.</p>
<p>Por hoje é só, espero que vocês curtam a seleção da semana, vibrando e torcendo ao lado de Ichiko e todas as suas questões intimistas.</p>
<p><a href="http://www.mediafire.com/?5uho1mtnzzt" target="_blank"><strong> </strong></a><strong><a href="http://www.mediafire.com/?5uho1mtnzzt" target="_blank"><img class="alignnone" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2010/04/download.gif" alt="" width="16" height="16" />Love My Life – Parte I</a> </strong></p>
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		<title>Tropical Girls</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 22:47:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nell Felix</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Quadro a Quadro]]></category>

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		<description><![CDATA[Na última vez que apareci por aqui, não me peguei com dúvidas de qual projeto fazer. Iria, naquele momento e estava levemente decidida, a me dar ao desfrute de traduzir e trazer a vocês um tankoubon entitulado “Honey &#38; Honey”. Porém, como minha falta de sorte é um tanto lendária, a este ponto, ambos meus [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2010/06/topical_chamada.jpg" alt="" width="470" height="200" /></p>
<p>Na última vez que apareci por aqui, não me peguei com dúvidas de qual projeto fazer. Iria, naquele momento e estava levemente decidida, a me dar ao desfrute de traduzir e trazer a vocês um tankoubon entitulado “Honey &amp; Honey”.</p>
<p>Porém, como minha falta de sorte é um tanto lendária, a este ponto, ambos meus assistentes maravilhosos acabaram se enrolando com suas vidas. Explico: um deles de repente se viu em meio a apresentações de 3 de suas 5 bandas (não me pergunte como ele conseguiu o feito de estar em 5 bandas <em>ao mesmo tempo</em>), e o outro, bem &#8212; o outro é estudante de direito em final de semestre, não é necessária uma maior explicação para a falta de tempo livre do cidadão.</p>
<p>Com um tradutor e um editor a menos, o projeto foi abandonado (para esta semana, já deixo de antemão) para dar vez a um projeto “menor” (não exatamente&#8230;), com menor probabilidade de complicações e com um menor número de páginas. Foi neste momento que decidi trazer a vocês o um tanto esquisito mundo de <em>Akihito Yoshitomi</em>, em <strong>Tropical Girls</strong>.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Yoshitomi-sensei e Blue Drop</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><img class="alignleft" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Natsu_no_ari_01-pt.jpg" alt="" width="299" height="265" />Quem andou nerdeando e assistindo animes lá por volta de 2007/2008 talvez tenha ouvido falar sobre a série <strong>Blue Drop: Tenshitachi no Gikyouku</strong>, sobre certa menina que sem querer descobre que a colega de quarto dela é uma alien estudando a raça humana, e mais um monte de coisas. Longe de ser uma história chata pra caramba de <em>sci-fi </em>ou uma história fofinha e bobinha (como em muitas animações japonesas que causam uma severa ânsia no meu estômago), o quase que dramático palco de <strong>Blue Drop</strong> começou em 2005, nas mãos de <strong><em>Akihito Yoshitomi</em></strong>, certo <em>manga-ka</em> mais conhecido por uma série chamada <strong>Eat-man</strong>, que não tem nada a ver com o nosso assunto de hoje.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Mas, mas, mas ele é um cara! Eles não costumam escrever S-genre?</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Sim, é fato de que o S-genre normalmente limita-se a péssimos mangás nos quais garotinhas jovens se casam com homens quando crescem, apesar de passar o tempo inteiro de escola se atracando com outras menininhas. Porém, para a nossa sorte, Yoshitomi-sensei meio que segue adverso a essa história. A prova disso inclusive não está só em <strong>Blue Drop</strong>, mas nos outros curtas que o autor lança para a <strong>Yuri Hime S</strong><em> </em>(sim, o S está lá, mas isso só significa que são histórias escritas para rapazes mais do que para moças &#8212; o que no final das contas não quer dizer nada). E são esses curtas em específico, que foram lançados sob o nome de <strong>Tropical Girls</strong>, que é o assunto da semana.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Tropical Girls</strong><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><img class="alignleft" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2010/06/himitsu_no_seseragi_02-pt.jpg" alt="" width="416" height="268" />Tropical Girls</strong>, como o nome sugere, são historietas ocorridas durante o verão. Embora todas sejam sobre garotas nos seus prováveis 16 anos e tenham ideias pra lá de esquisitas (como nos contos <em>Natsu no Ari &#8211;</em> que traduz para algo como “formiga de verão”, e <em>Suika </em>que meramente significa “melancia”), elas acabam se tornando interessantes ao mostrarem certos temas comuns na vida de um casal: aceitação, como lidar com atração, certas questões de <em>timing</em>, entre outros.</p>
<p>Antes, porém, de entregá-las à leitura, já aviso que duas das 8 histórias não foram traduzidas por mera falta de tempo e outros problemas que a vida jogou à minha frente. Peço desculpas pela ligeira falta de profissionalismo ao deixar que merdas pessoais se enfiem no caminho do meu trabalho, e espero que isso não mais ocorra. E só.</p>
<p>Divirtam-se.</p>
<p><a href="http://www.mediafire.com/?vgymwztlqad" target="_blank"><strong><img class="alignnone" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2010/04/download.gif" alt="" width="16" height="16" /> Tropical Girls</strong></a></p>
<p style="text-align: right;"><em>* O link foi atualizado.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Clover</title>
		<link>http://abcles.com.br/destaques/clover</link>
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		<pubDate>Sat, 05 Jun 2010 00:13:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nell Felix</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Quadro a Quadro]]></category>

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		<description><![CDATA[Para quem vaga pela internet procurando sempre por novos títulos de histórias em quadrinhos, livros, crônicas e contos, devo dizer que me impressionei um bocado nos últimos dois anos com o número de autores RUINS que andam aparecendo no mercado. Tá bom, coisa ruim sempre existiu, ainda mais para alguém que possui o defeito de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para quem vaga pela internet procurando sempre por novos títulos de histórias em quadrinhos, livros, crônicas e contos, devo dizer que me impressionei um bocado nos últimos dois anos com o número de autores RUINS que andam aparecendo no mercado.</p>
<p>Tá bom, coisa ruim sempre existiu, ainda mais para alguém que possui o defeito de analisar absolutamente tudo de uma forma crítica palpável. Chegou num ponto em minha vida em que eu passei a parar de analisar histórias para analisar a técnica com a qual elas são contadas – mais pelo fato de perceber que independente do potencial de um enredo bem construído, se a técnica com a qual ele é contado é medíocre, o trabalho se mostrará medíocre também (o que é o caso de um <em>certo</em> filme de <em>certas</em> criaturas azuis de <em>certos</em> três metros de altura, que não convém agora e nem é o ponto desta coluna).</p>
<p>Ao mesmo tempo, obviamente, se um autor tem uma técnica muito boa de contar uma história, ele pode até mesmo enganar um leitor ou dois e fazê-los pensar de que a história é boa – quando muitas vezes ela não é, e ele provavelmente vai se queimar no meio disto, afinal, firulas não constroem bons enredos.</p>
<p>Felizmente nenhum dos dois casos se aplica à <strong><em>Otsu Hiyori</em></strong>.</p>
<p><strong>E essa mulher é quem, mesmo?</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><em><strong>Otsu Hiyori</strong></em> é uma <em>mangá-ka</em> subterrânea o suficiente para não possuir nem página na wikipedia inglesa (que, sinceramente, tem uma entrada até para coisas ridículas como “the quick brown fox jumped over the lazy dog” que é uma frase possuindo todas as letras do alfabeto inglês). De qualquer forma, as histórias dela de vez em quando surgem em uma <em>Yuri Hime </em>(que, como vocês podem notar pelo nome, é uma publicação que lança contos e histórias de conteúdo <em>yuri</em>), e é uma das poucas pessoas que conseguiram me surpreender com sua sutileza.</p>
<p>Conversando com meu amigo e parceiro em algum dos meus projetos, <em><strong>Mr. Krull</strong></em> (que me ajudou com a edição da seleção da semana, por acaso), percebi que não foi só a mim que a forma simples de contar histórias dessa autora surpreendeu.</p>
<p>Ao contrário de <em><strong>Yamaji Ebine</strong></em>, que mostra a que veio de uma forma gentil, mas sem segundas intenções escondidas em entrelinhas, <em><strong>Hiyori-sensei</strong></em> mostra um potencial incrível quando você termina de ler e lê novamente. Não, gente: isso aqui não é Matrix. Não tem coisas super psicodélicas escondidas em lugar algum, é somente a forma de interpretação das personagens que muda se você prestar bastante atenção.</p>
<p><strong>Clover</strong><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong><img class="alignleft" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Clover01.jpg" alt="" width="354" height="419" />A dica desta semana está contida no tankoubon denominado <strong>Clover</strong> (trevo, em português). Ele conta quatro histórias sobre quatro irmãs, cada uma delas tendo seu foco no momento em que elas passam pelo ensino médio (o que gera uma mínima piadinha de<em><strong> Hiyori-sensei</strong></em> nas considerações finais do livro, fazendo uma menção a <em>girls love</em>, ou seja, aquele gênero pastoso e horrível de yuri direcionado a rapazes, onde garotas beijam meninas e se casam com homens depois de se graduarem no colégio).</p>
<p>Agora, uma das grandes mágicas de <strong>Clover</strong> é o fato que a história é contada de forma <em>cronologicamente inversa.</em></p>
<p><em> </em>Explico: enquanto o primeiro capítulo conta a história da mais nova das irmãs Tachibana, fazendo menção a uma personagem de outro capítulo em um quadrinho somente, o segundo capítulo conta a história da próxima irmã em idade, onde sua irmã mais nova aparece como uma criança, e assim sucessivamente. Quanto tempo demorei pra perceber isso? Bastante, a mulher é realmente sutil sem querer.</p>
<p><strong>No entanto&#8230;</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>&#8230;como a própria autora relata, a maior parte das histórias acabou se saindo mais como um <em>girls love</em> do que um yuri. Por causa disto, decidi repassar a vocês somente dois capítulos do livro: que seriam o capítulo 2, e o capítulo extra – que continua a história do segundo capítulo, sendo o único com uma continuação.</p>
<p>Peço que mantenham seus olhos atentos para as coisas não-ditas. Voltando ao papo sobre <em>story-telling</em>, uma boa técnica aliada a uma boa história nem sempre se pronuncia, mas sempre se destaca de alguma forma. E, se tratando de técnica e história, <em><strong>Hiyori-sensei</strong></em> possui ambos.</p>
<p><a href="http://www.mediafire.com/file/2vqjwt3dimm/Clover.rar" target="_blank"><img class="alignnone" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2010/04/download.gif" alt="" width="16" height="16" /><strong>Clover</strong></a></p>
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