Chore por nós, Argentina
29 de julho de 2010 por Brunella França
Arquivado em Destaques, Movimento

Reprodução do artigo publicado no Jornal Folha de S. Paulo por Alexandre Vidal Porto, mestre em direito por Harvard, autor de “Matias na Cidade” (Record) e Diplomata de Carreira.
Na semana passada, o Senado da Argentina aprovou lei pela qual, casamentos de pessoas do mesmo sexo tornaram-se legais no paÃs.
Na América Latina, Uruguai, Equador, Colômbia e México já haviam adotado lei semelhante. Recentemente, Portugal tornou-se o 7º paÃs europeu a regulamentar casamentos homossexuais e, no mês passado, a premiê da Islândia contraiu matrimônio civil com a parceira.
Parece claro que essa é uma tendência irreversÃvel.
Mas as autoridades brasileiras insistem em continuar de olhos fechados para essa questão. O Congresso se recusa a discutir qualquer direito homossexual. É como se os legisladores decretassem a inexistência dos homossexuais no Brasil.
Acontece que eles existem e estão em toda parte. São homens e mulheres, filhos e irmãos. Têm amigos. Dedicam-se a todas as profissões. Pertencem a todas as classes sociais e grupos étnicos. Pagam impostos, votam e contribuem para o progresso.
Contudo, esses brasileiros vivem à mÃngua. No que diz respeito à proteção legal, dependem da caridade de algumas instituições. A regulamentação existente é pÃfia, e os homossexuais só contam com escassa jurisprudência.
Não há proteção contra a violência e a discriminação.
Casais do mesmo sexo têm de recorrer a uma brecha no Código Civil para formalizar as uniões nos termos de sociedade comercial, como se fossem coisas, e não pessoas.
O ódio contra os homossexuais no Brasil é um fato real.
A TV os humilha cotidianamente. Transforma pessoas em piadas e agridem milhões de cidadãos comuns, que sofrem calados ao ver sua natureza exposta como risÃvel.
Segundo o Grupo Gay da Bahia, o Brasil é campeão em assassinatos de homossexuais. Ainda assim, as autoridades negam-se a caracterizar a violência homofóbica como crime. É mais fácil fingir que o Brasil é uma democracia sexual, onde há respeito e proteção.
Exatamente como fizeram gerações passadas em relação aos negros.
O Judiciário faz pouco, o Executivo faz muito pouco e o Legislativo faz nada. Nesse mecanismo de auto engano, transfere-se para o Executivo a responsabilidade sobre os direitos das minorias. O Executivo, por sua vez, prefere não mobilizar a bancada porque o tema não é prioritário.
Por que desperdiçar capital polÃtico com um bando de gays, lésbicas e transexuais?
No entanto, o avanço desses direitos no Brasil é uma questão de justiça e tem de ser confrontada. Os homossexuais não são piores que ninguém. Não é justo que sejam tratados como inferiores.
O tratamento dado aos homossexuais no Brasil é covarde. Diante da inação do Congresso, o governo tem a responsabilidade. O presidente Lula deveria ter a mesma coragem que teve a presidente da Argentina e combater os promotores do atraso e da intolerância, estejam estes de farda, de terno ou de batina.
Pode-se afirmar que o Brasil está à s portas de se tornar desenvolvido, que seremos a quinta economia do mundo e que nunca na história o paÃs esteve tão bem em desenvolvimento social.
Essas afirmações, contudo, são falaciosas. O progresso não se conta apenas pelo tamanho e pujança da economia. Conta-se também pelo nÃvel das liberdades individuais e pelo respeito à dignidade de seus cidadãos.
Para um homossexual, tanto faz viver no Brasil ou no paÃs mais subdesenvolvido do mundo. O paÃs continuará a envergonhar seus cidadãos enquanto as minorias continuarem no abandono.



ES. 23 anos. Estudante de Jornalismo. Autora abcLES.
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Bru:
O problema também é que o projeto de lei sobre o assunto está ultrapassado. Isso também precisa mudar. Um abraço.
Adorei o artigo…
Realmente, o Brasil se diz em evolução, mas podemos ver que em alguns (muitos) pontos isso é uma mentira deslavada.
Há uma semana atrás, fui á uma discusão polÃtica, um debate, no meio me vem a pergunta sobre a situação dos LGBTs no brasil, visto que na Argentina e alguns outros paÃses as coisas já andavam bem desenvolvidas… Foi um reboliço só, opiniões daqui, opiniões dali e tudo o que os representantes dos partidos fizeram foi enrolar e nada dizer de fato.
Uma poca vergonha um paÃs que se liberal privar cidadões que tem os mesmos deveres dos demais de conseguirem coisas que deveriam ser tão simples e jamais negadas a nenhum ser.
Beijoooos!!
Orgulho hermano!
Esse artigo resumiu muita coisa que eu gostaria de dizer sobre o Brasil e a situação dos LGBTs neste paÃs que se diz liberal, mas é um dos mais conservadores do globo.
EU QUERO ME CASAR NA ARGENTINA!