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Clover

4 de junho de 2010 por Nell Felix  
Arquivado em Destaques, Quadro a Quadro

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3 comentários

Para quem vaga pela internet procurando sempre por novos títulos de histórias em quadrinhos, livros, crônicas e contos, devo dizer que me impressionei um bocado nos últimos dois anos com o número de autores RUINS que andam aparecendo no mercado.

Tá bom, coisa ruim sempre existiu, ainda mais para alguém que possui o defeito de analisar absolutamente tudo de uma forma crítica palpável. Chegou num ponto em minha vida em que eu passei a parar de analisar histórias para analisar a técnica com a qual elas são contadas – mais pelo fato de perceber que independente do potencial de um enredo bem construído, se a técnica com a qual ele é contado é medíocre, o trabalho se mostrará medíocre também (o que é o caso de um certo filme de certas criaturas azuis de certos três metros de altura, que não convém agora e nem é o ponto desta coluna).

Ao mesmo tempo, obviamente, se um autor tem uma técnica muito boa de contar uma história, ele pode até mesmo enganar um leitor ou dois e fazê-los pensar de que a história é boa – quando muitas vezes ela não é, e ele provavelmente vai se queimar no meio disto, afinal, firulas não constroem bons enredos.

Felizmente nenhum dos dois casos se aplica à Otsu Hiyori.

E essa mulher é quem, mesmo?

Otsu Hiyori é uma mangá-ka subterrânea o suficiente para não possuir nem página na wikipedia inglesa (que, sinceramente, tem uma entrada até para coisas ridículas como “the quick brown fox jumped over the lazy dog” que é uma frase possuindo todas as letras do alfabeto inglês). De qualquer forma, as histórias dela de vez em quando surgem em uma Yuri Hime (que, como vocês podem notar pelo nome, é uma publicação que lança contos e histórias de conteúdo yuri), e é uma das poucas pessoas que conseguiram me surpreender com sua sutileza.

Conversando com meu amigo e parceiro em algum dos meus projetos, Mr. Krull (que me ajudou com a edição da seleção da semana, por acaso), percebi que não foi só a mim que a forma simples de contar histórias dessa autora surpreendeu.

Ao contrário de Yamaji Ebine, que mostra a que veio de uma forma gentil, mas sem segundas intenções escondidas em entrelinhas, Hiyori-sensei mostra um potencial incrível quando você termina de ler e lê novamente. Não, gente: isso aqui não é Matrix. Não tem coisas super psicodélicas escondidas em lugar algum, é somente a forma de interpretação das personagens que muda se você prestar bastante atenção.

Clover

A dica desta semana está contida no tankoubon denominado Clover (trevo, em português). Ele conta quatro histórias sobre quatro irmãs, cada uma delas tendo seu foco no momento em que elas passam pelo ensino médio (o que gera uma mínima piadinha de Hiyori-sensei nas considerações finais do livro, fazendo uma menção a girls love, ou seja, aquele gênero pastoso e horrível de yuri direcionado a rapazes, onde garotas beijam meninas e se casam com homens depois de se graduarem no colégio).

Agora, uma das grandes mágicas de Clover é o fato que a história é contada de forma cronologicamente inversa.

Explico: enquanto o primeiro capítulo conta a história da mais nova das irmãs Tachibana, fazendo menção a uma personagem de outro capítulo em um quadrinho somente, o segundo capítulo conta a história da próxima irmã em idade, onde sua irmã mais nova aparece como uma criança, e assim sucessivamente. Quanto tempo demorei pra perceber isso? Bastante, a mulher é realmente sutil sem querer.

No entanto…

…como a própria autora relata, a maior parte das histórias acabou se saindo mais como um girls love do que um yuri. Por causa disto, decidi repassar a vocês somente dois capítulos do livro: que seriam o capítulo 2, e o capítulo extra – que continua a história do segundo capítulo, sendo o único com uma continuação.

Peço que mantenham seus olhos atentos para as coisas não-ditas. Voltando ao papo sobre story-telling, uma boa técnica aliada a uma boa história nem sempre se pronuncia, mas sempre se destaca de alguma forma. E, se tratando de técnica e história, Hiyori-sensei possui ambos.

Clover

Nell Felix

Estudante de artes sequenciais e quadrinização no Canadá. Autora abcLES. Coluna: Quadro a Quadro. [Perfil]

 

 

Comentários

3 comentários para “Clover”
  1. Lua de Morais disse:

    Ainda não li. Mas a pretensão existe e, ora pois, já está sendo devidamente baixado.

    :lol:

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