Dia do Orgulho LGBT
28 de junho de 2012 por Brunella França
Arquivado em Colunas, Destaques, Movimento, O amor que ousa dizer o nome

Amor não tem gênero, não tem sexualidade. Eu sou lésbica e me orgulho!
Amar, verbo intransitivo, como disse o escritor modernista Mário de Andrade. Com sentimentos, angústias, medos, receios, mas também com coragem, alegria, força, positividade, assim como todo mundo.
Eu tenho dificuldade para entender quem inflige sofrimento psicológico ou físico a outra pessoa, única e exclusivamente com base na forma como essa pessoa se relaciona afetiva e sexualmente com outras. Tenho dificuldade para entender os julgamentos, as piadas de péssimo gosto, o preconceito, que muitas vezes está dentro de casa.
No meu mundo, nesse universo pequenininho no qual me locomovo, não faz sentido o menor que pessoas se matem ou que sejam mortas porque não são “aceitas”. E para mim, “aceitar” não tem o menor sentido, porque tem a ver com necessidade de aprovação. Ninguém precisa de para amar, se apaixonar e desejar.
Quem considera a homossexualidade estranha, anormal, uma doença, quem associa homossexualidade à promiscuidade, à pedofilia, à prostituição e às drogas, precisa urgentemente de um analista.
Mas vivemos num país em que é legítimo ofender, ferir, xingar e até mesmo gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros ou pessoas que PAREÇAM ser homossexuais. Todos os dias muitas pessoas são vítimas de homofobia. Muitas pessoas morrem simplesmente porque sua vida afetiva não condiz com o modelo aceito como padrão.
E é cada dia mais evidente a necessidade de uma lei que puna a homofobia e a discriminação contra nós, LGBTs. Certamente uma lei não vai conseguir acabar com o preconceito, mas as manifestações homofóbicas, os xingamentos, os crimes e todos os tipos de violência serão coibidos.
A Constituição Federal diz que o Estado brasileiro é laico, mas o principal impedimento para aprovação do PLC 122 é exatamente a bancada fundamentalista, especialmente a evangélica, que se treme só de pensar que não poderá mais manifestar reações homofóbicas em suas pregações.
E para os que se valem do “direito de se expressar livremente”, esquecem-se mais uma vez de que o direito à livre expressão do pensamento não se reveste de caráter absoluto, pois sofre limitações de natureza ética e de caráter jurídico. É por tal razão que a incitação ao ódio público contra qualquer pessoa, povo ou grupo social não está protegida pela cláusula constitucional que assegura a liberdade de expressão.

Reflexão
Hoje, nesse 28 de junho, que é o dia do Orgulho LGBT, queria que as pessoas começassem a se colocar no lugar d@ outr@. E se fosse eu? Como eu me sentiria? Como deve ser horrível ser julgado pela minha sexualidade sem ao menos me conhecerem. E se fosse ao contrário? E se as pessoas falassem que a minha sexualidade fosse uma doença que pode ser passada para crianças na escola, isso não faz de mim um monstro?
Imagine ouvir todos os dias que o amor que você sente por outra pessoa é errado e ainda é motivo de piada para todos os programas humorísticos do mundo. Afinal, a única forma de ser “aceit@” em sociedade é ser muito bem humorad@, como palhaç@ ou bob@ da corte.
É de fundamental importância que todas as pessoas percebam que “@ outr@” LGBT não reside em outro mundo, num universo paralelo, cuja existência deva ser “tolerada”. O ser humano é fluido, complexo, cheio de possibilidades. E o mais bonito de sermos humanos é que não precisamos nos encerrar em nenhum desses possíveis.
Ser humano é ser possível. E assumir-se enquanto possibilidade demanda, acima de tudo, coragem. E por isso mesmo gera orgulho. Muito orgulho.



ES. Jornalista. Autora ABCLes.
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