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Diálogo De Um Casal Apaixonado: A Carona

28 de junho de 2011 por Leticia Ferrari  
Arquivado em Colunas, Destaques, Diálogo De Um Casal Apaixonado

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4 comentários

No celular…

— Amor, você vai para o encontro das meninas?

— Sim, já estou de saída inclusive.

— Tem como vir me buscar?

— Agora? Achei que já estivesse lá!

— Eu sei, mas tive um imprevisto. Tem como vir me buscar?

— Poxa amor, estou tão perto do restaurante…

— E como vou chegar aí?

— Ah amor…

— Por favor! Quero muito rever nossas amigas da faculdade!

— Tá bom! Só esteja pronta, ok? Assim não atrasamos mais.

— Pode deixar!

15 minutos depois, dentro do carro…

— Não esqueceu nada?

— Não! Fica tranquila!

— Que bom!

— Só preciso passar no banco antes.

— Banco? Por quê?

— Preciso sacar dinheiro.

— Por que não fez isso antes?

— Porque eu não sabia que precisaria de dinheiro agora.

— Não pode simplesmente usar o cartão?

— É que preciso pagar algumas coisas depois, então já queria aproveitar.

— Mas amor, já estamos atrasadas.

— Você acha que elas não estão também? Parece até que não conhece nossas amigas!

— Vai ser rápido?

— Sim! Vou utilizar o caixa eletrônico.

— Mas e se tiver fila?

— Aí eu finjo que sou gestante.

— Igual fez no mercado aquela vez?

— Lembra como foi rápido?

— A fila sim. O que demorou foi você contando a história do seu futuro casamento para as idosas que também estavam na fila.

— Foi divertido.

— Como se uma mulher não pudesse ser mãe solteira…

— Elas perguntaram, amor. Eu só quis deixá-las felizes.

— Podia ter dito que nós duas seríamos as mães.

— Ah, claro! Tudo que eu queria era causar um infarto nas velhinhas!

— Isso sim seria divertido!

— Que horror!

— Saiba que a minha avó aceita super bem o meu relacionamento homossexual.

— Sua avó é exceção, oras.

— Por que diz isso?

— Ela foi mãe solteira, trabalhava para manter a família, sem contar as histórias dela com bebida e festas.

— É, a vovó é engraçada.

— Por isso seus pais são tranquilos também. Se fossem conservadores como a minha família…

— Sua família nem é tão conservadora assim.

— Todos os meus tios têm nome de santo!

— Acha?

— Maria Antônia, Maria Teresa, Ana Maria, Pedro, Benedito… Só meu tio Jorge teve sorte.

— Mas Jorge é nome de santo também.

— É mesmo. Então esquece meu comentário.

— Seus avós também têm nome de santo?

— Meu avô chama Paulo e minha avó, Luzia.

— Jesus!

— Eu tenho um primo que se chamaria Jesus. Sorte que o pai dele quis dar o próprio nome.

— Sorte mesmo! E qual é nome dele?

— Mateus Júnior.

— Que bizarro!

— Pare de rir da minha família!

— Desculpe.

— Chegamos! Volto já!

— Rápido por favor!

Meia hora depois…

— Você disse que seria rápido!

— A culpa não é minha se havia fila e duas máquinas estavam fora do sistema.

— E a fila preferencial?

— Eu tentei fingir que estava grávida, mas…

— O quê?

— Um velho se ofereceu para ser o pai.

— Que nojo!

— Eu não entendo esses homens! Você não pode ser um pouco simpática que eles acham que queremos alguma coisa com eles.

— Por isso que só fico com mulheres!

— Enfim, achei melhor ir para a fila normal.

— Deixou de usar a fila rápida por causa de um velho tarado?

— Eu aguentei os primeiros minutos, mas depois ele começou a me contar tudo que poderia me dar, como seria nosso casamento…

— Coitado!

— Coitado uma ova! Só diz isso porque não ouviu os planos para a noite de nupcia!

— De novo, que nojo!

— É, que mega nojo!

— Imagina se soubesse que você é lésbica.

— Nossa! Ele me sequestraria!

— Não sei por que os homens tem tanta tara por lésbicas.

— É tudo culpa desses filmes pornôs! Eles estão fritando a cabeça dos homens!

— É verdade! Mas veja o lado positivo: quanto mais idiotas eles ficam, mais lésbicas existirão no mundo!

— Nossa, que comentário feliz para uma moça que namora!

— Qual é, amor? Foi uma brincadeira.

— Acho que finalmente podemos ir, né?

— Acho que sim.

— As meninas já devem estar lá.

— Então vamos.

20 minutos depois…

— Já sabe o que vai pedir?

— Vou pedir algo bem rápido.

— Por quê?

— Porque preciso voltar ao escritório para terminar um relatório.

— Achei que tinha tirado o resto da tarde de folga.

— Não, eu só atrasei meu horário de almoço. Estamos com um caso grande e meu chefe não quer que nada atrase.

— Que horas precisa voltar?

— Daqui meia hora.

— Mas já?

— Por isso queria vir rápido.

— E agora como eu vou embora?

— Ah, amor… Não posso deixar de ir.

— Por que não disse antes?

— Porque não imaginei que você precisaria de carona.

— Não acredito nisso!

— Foi você quem quis passar no banco! Estaríamos aqui bem mais cedo e poderia te levar pra casa sem problemas!

— Então a culpa é minha?

— Sim!

— Claro que não!

— Por quê não seria?

— Porque se você tivesse dito antes, teria dado um jeito de vir sozinha.

OBS: homenagem a minha amiga Rafaela, que passou por algo “parecido” com a ex-namorada uma hora antes de viajar.

OBS2: eu realmente tenho tios com nomes de santo, mas felizmente meus pais tiveram piedade de mim.

Leticia Ferrari

Estudande de educação física e escritora amadora. Coluna: Diálogo De Um Casal Apaixonado.

 

 

Comentários

4 comentários para “Diálogo De Um Casal Apaixonado: A Carona”
  1. Paty. Paty. disse:

    Eu adoooro estas duas, é uma “inspiração” para um dia , quando estiver casada com minha esposa. :) :D ^_^

  2. Patty Patty disse:

    Gentyy que doido isso ainda bem que você se salvou, Letícia… o.O’
    Aff!! outra coisa que não dá pra entender, essa tara dos homens u.u’ também tenho nojo de velho tarado… :sick:
    Como sempre, muito boa, adoro essas duas ^_^
    **bjos**

  3. Angel Queiroz Angel Queiroz disse:

    putz concordo com a Felyz12…
    aja paciência… sou paciente mas se começar a dizer q estou errada :evil: eu fervo!!!

    Como sempre mara seu texto Leh… bom fds.

    bjs

  4. felyz12 felyz12 disse:

    Fala sério, boiada da sua amiga então, aja paciência, como sempre amei, bjos Lê!!!

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