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Diálogo De Um Casal Apaixonado: A Sogra

5 de abril de 2011 por Leticia Ferrari  
Arquivado em Colunas, Destaques, Diálogo De Um Casal Apaixonado

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6 comentários

Ao ouvir o despertador…

– Mas que diabos! Quem colocou essa droga pra despertar em pleno domingão?

– Fui eu, oras. Esqueceu que preciso buscar minha mãe?

– Ah, tinha esquecido.

– Já que alguém não quis ir no meu lugar…

– Ela é sua mãe!

– E sua sogra.

– E por isso devia ir buscá-la? Amor, ela nem gosta de mim.

– Ela gosta sim, só desconfia que temos um caso.

– Nossa! E por quê?

– Não seja irônica!

– Por que está levantando? Que eu saiba ela só chega as dez.

– O trânsito vai estar um caos, ainda mais com essa chuva.

– Está chovendo?

– Você não ouviu?

– Não!

– Impossível! Trovejou um tempão, aí o Michael veio chorar na nossa janela e…

– O que essa aberração canina tá fazendo aqui no quarto?

– Para de xingar ele de aberração!

– Você não me respondeu!

– Ele tava chorando. Você sabe que ele tem medo de trovão!

– Engraçado, ele não tem medo de mim.

– Pois é.

– Agora vai ser assim? Demorou um tempão pra ele acostumar a dormir lá fora e agora qualquer choro, você abre a porta.

– Eu não faço isso!

– Não? E o dia que ele ficou latindo de madrugada sem motivo e você colocou-o pra dentro?

– Podia ser algum ladrão, tá?

– Exato! Cachorros servem pra espantar ladrões e o que você fez?

– Estava protegendo ele!

– E quanto a nós?

– Tá bom, mas só fiz isso uma vez.

– E a vez que ele ficou na sala vendo aquele filme de tubarão e você cismou que ele não conseguiria dormir sozinho?

– Ele ficou com medo sim! E pegou trauma de água por isso!

– Trauma de água?

– Ele nunca mais fugiu para pular na piscina do vizinho.

– Amor, estou começando a me convencer que tem algo muito errado com você.

– Bobagem! Você que nunca me entende.

– Estávamos falando de sua mãe e acabamos falando do Michael!

– Então voltaremos a falar da minha mãe. Vou me trocar enquanto isso.

– Não! Fica aqui comigo mais um pouquinho?

– Não posso me atrasar, amor. Sabe como mamãe se estressa por pouca coisa.

– Ah, é? Poxa vida, agora eu sei de onde vem toda a sua neura.

– O que disse?

– Que sua mãe não devia ser assim.

– Essa nem é a pior parte. Odeio mesmo quando ela critica nos outros tudo que ela mesmo faz.

– Como ser ciumenta e não aceitar que a outra pessoa seja ciumenta?

– Isso! Não sabia que conhecia minha mãe tão bem assim.

– É…

– E quando ela briga com meu pai porque esquece do mundo vendo futebol, sendo que ela é viciada em novela?

– Não brinca!

– Sério! Ela até proibiu ele de comprar revistas esportivas numa época, mas ela mesmo comprava várias revistas de fofoca e moda.

– Que pena do seu pai!

– Sabe que às vezes me pergunto como ele aguenta?

– Que isso, amor!

– Estou falando sério! Como alguém pode se submeter a inúteis caprichos e implicâncias por tantos anos?

– Quantos anos eles têm de casamento?

– Quase trinta.

– É, acho que consigo sobreviver…

– Como?

– Que bom que o casamento sobreviveu!

– Sorte que meu pai é um cara sossegado, né?

– Por que diz isso?

– Minha mãe não é uma pessoa fácil. Eu amo ela, mas admito que não é fácil conviver com aquela mulher.

– Não diga isso, amor. Sua mãe é um doce!

– Ha-ha! Bom, agora preciso mesmo levantar. Se eu me atrasar, ela dará a luz!

– Que exagero!

– O que foi? Eu disse que ela se estressa por qualquer coisa.

– Se você diz… Vou voltar a dormir.

Segundos depois…

– Amor, você esqueceu a chave do carro aqui na mesa do quarto de novo!

– Esqueci?

– JÁ DISSE QUE EXISTE UM CHAVEIRO NA COZINHA PARA ISSO!

– Calma! Desculpe!

– Isso não aconteceria se eu ainda tivesse meu carro.

– Você não teria que vendê-lo para ajudar a comprar a casa se não tivesse comprado o Michael.

– Michael, Michael… Sempre descontando no coitado!

– Tudo isso porque deixei a chave ali?

– Ah, como você me estressa! E ainda fica rindo!

– Porque é engraçado, oras.

– O quê é engraçado?

– Você não vê? Somos iguais ao seus pais!

– Eu não acho.

– Ah, somos sim. Admite!

– Tá bom, tá bom. Somos bem parecidas mesmo, mas que fique claro que você é muito mais fácil de lidar do que minha mãe.

Leticia Ferrari

Estudande de educação física e escritora amadora. Coluna: Diálogo De Um Casal Apaixonado.

 

 

Comentários

6 comentários para “Diálogo De Um Casal Apaixonado: A Sogra”
  1. Luany Moreira disse:

    porque será né? que ela é mais facil de li dar? uaeheuheuhuehaueh

    Olha, Leticia, muito bom esses diálogos.. conheci sua coluna hoje e já virei sua fã.. aguardarei ansiosa pela próxima sessão de risadas!
    acho que já falei isso, mas, de novo, parabéns pela criatividade ein =D
    beijoos

  2. Patty Patty disse:

    Um dia essas duas me matam, de tanto rir… kkkkkkk :lol:
    aberraçao canina foi mara XP … putz ela deve ter um sono pesadissimo, pra nao ouvir os trovoes e soh ver q Michael tava la qndo acordou… agora eh aguenta a sogra um pouco neh, e pelo visto ela nao sabe da relaçao delas…
    ADOREEEIIII *-*
    **bjos**

  3. Suellen Suh disse:

    RI ALTO LITROS!!

    Quando eu vi o título lá na página inicial no abcles já imaginei que viria bomba…ahaha…
    Adoooorooooo!!

    Beijos!

    • Leticia Ferrari Leticia Ferrari disse:

      Sinto que você não gosta da sua sogra uhahuahuauha
      Acho que a única parte boa de sermos lésbicas é que não precisamos aguentar a sogra na maioria das vezes, né? Se bem que nem conheço a minha huauhauha mas enfim.. que bom que gostou!

      =]
      Bjo!

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