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Diálogo De Um Casal Apaixonado: O Celular

21 de junho de 2011 por Leticia Ferrari  
Arquivado em Destaques, Diálogo De Um Casal Apaixonado

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5 comentários

Numa tarde comum…

— Amor, cadê meu celular?

— O quê?

— Perdi meu celular.

— De novo?

— Como assim de novo?

— Você sempre perde ele.

— Eu só esqueço onde deixo às vezes.

— Às vezes?

— Pelo menos esse mês ainda não tinha acontecido.

— Tá bom, tá bom.

— Usei ele pra ligar pra minha mãe e depois não o vi mais.

— Logo você encontra.

— Dá pra você sair da frente da TV e me ajudar?

— Já olhou na casinha do Michael?

— Você acha mesmo que ele faria isso?

— Tudo que ele acha que é de comer ou de morder ou de destruir está na casinha ou ele traz pro sofá.

— Ele cresceu e não faz mais isso.

— Tem certeza?

— Claro.

— Pois saiba que eu sempre busco o controle da TV lá na casinha dele.

— É, eu não sei o que ele pensa sobre controles de televisão.

— E chinelos. Não esqueça dos chinelos.

— Lembrei que preciso comprar outro par para mim.

— Você é muito esquecida, amor.

— Não sou não.

— Ainda acho que está lá na casinha dele.

— Aposto que não.

— Já tentou ligar no número para encontrá-lo pelo barulho?

— Não adianta, porque provavelmente está no silencioso ou programado para vibrar.

— Por quê?

— Porque não queria te incomodar.

— De novo, por quê?

— Porque uma aluna minha me manda mensagem às vezes e…

— Aquela aluna sapata de novo?

— Não, essa é do segundo ano.

— Então tem outra aluna descobrindo a sexualidade e se apaixonando pela professora?

— Não, ela não é lésbica.

— Que bom!

— Ela é bissexual.

— Ah, que maravilha!

— Você sabe que elas precisam de ajuda para se aceitarem e enfrentarem os pais!

— E sempre procuram você, né?

— O que posso fazer se sou uma professora carismática?

— O que pode fazer é parar de trocar mensagens com essa garota! Você pode ser demitida!

— Que absurdo! Em primeiro lugar, meu interesse é apenas ajudar essas pobres garotas, e em segundo, já estou casada.

— Fiquei em segundo lugar?

— Não começa, amor. Por favor!

— Eu que começo, né? Não sou eu quem fica de papo com elas!

— Você fica de papo com lésbicas assumidas!

— Como você é rancorosa!

— Quer mesmo começar uma briga?

— Eu estava quieta no sofá vendo a minha televisão até você começar.

— Então fique aí vendo sua televisão enquanto eu procuro meu celular. Sozinha!

— Ótimo!

— Perfeito!

— …

— Ainda bem que egoísmo não é contagioso…

— Ah, tá bom! Eu ajudo!

— Se vai fazer de mau gosto, eu não quero.

— POR QUE VOCÊ É ASSIM?

— POR QUE ESTÁ GRITANDO COMIGO?

— Não estou gritando!

— Olha só! O Michael está com a expressão triste por ver as mães dele brigando!

— Expressão triste?

— Se você pensasse no sentimento alheio, pararia agora com essa discussão.

— E os meus sentimentos?

— Egoísta…

— O que disse?

— Que não quero brigar!

— Por causa do cachorro?

— Também!

— Respira fundo! Respira fundo…

— Digo o mesmo.

— Vou dar uma olhada na casinha dele. Assim, poderei voltar ao meu sofá e relaxar.

— E vai fazer o que quando ver que meu celular não está lá?

— Prometo que se não estiver lá, pedirei desculpas aos dois.

— Ótimo! Vamos aguardar!

— Já volto!

— Viu só, Michael?! Nós te amamos!

— E ela continua falando com o cachorro…

— O que foi?

— Nada! Volto já!

Segundos depois…

— Então?

— É, não estava lá.

— Acho que precisa dizer algumas coisinhas, não?

— Tudo bem! Peço desculpas aos dois.

— A expressão dele mudou para alegria!

— Ele está mastigando o osso.

— Mas está feliz!

— Se você diz…

— Ah, eu quero meu celular!

— Já pensou em amarrar ele na calça?

— Eu faço isso com a chave da casa.

— Como você perdeu ela aquele dia que fomos jantar fora?

— Eis o mistério!

— Bom, você já procurou pela casa toda?

— Sim.

— No carro?

— Sim.

— Será que não ficou na escola ou na academia?

— Já disse que usei ele há pouco para ligar para minha mãe.

— E tem certeza que o Michael não pegou?

— Sim!

— Então não faço ideia!

— Vai desistir de me ajudar?

— Amor, não temos bola de cristal.

— Vou ficar sem celular?

— Pelo jeito…

— Que droga!

— Veja o lado positivo. Agora você pode jogar na minha cara o resto do dia que o Michael é inocente.

— Devia ter apostado um jantar que você estava errada.

— Parte de mim ainda acha que foi ele.

— Então quer apostar?

— Posso escolher o lugar?

— Eu sei que você vai escolher aquela churrascaria no centro.

— Então podemos apostar?

— Sim, mas se eu ganhar comeremos comida japonesa.

— Fechado! Agora, se me der licença voltarei ao sofá.

— Vou fazer uma última tentativa e ligar no celular. Quem sabe não caiu na rua e alguém achou?

— Quem sabe.

Segundos depois…

— Amor, que horas que ir à churrascaria?

— Você achou meu celular?

— Sim e só para constar, eu estava certa sobre o Michael!

— Mas não tinha nada na casinha dele!

— Então diga por que o sofá está vibrando?

OBS: homenagem a minha amiga Carol que encontrou o celular dentro do sofá.

Leticia Ferrari

Estudande de educação física e escritora amadora. Coluna: Diálogo De Um Casal Apaixonado.

 

 

Comentários

5 comentários para “Diálogo De Um Casal Apaixonado: O Celular”
  1. Angel Queiroz Angel Queiroz disse:

    ah essas duas são d+++++
    e q situação hein… sofá vibrando :whistle:

    adoloooo elas..

  2. felyz12 felyz12 disse:

    Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, sem comentários pras duas!!!! Sempre ótimas…

  3. luany luany disse:

    essas 2 sao um caso serio

  4. Miiahh Miiahh disse:

    AUSHUIhasuhAUISHIUahs parece eu perdendo o celular!
    nunca sei onde ele ta e sempre ta no silencioso. essa merda!

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