Futebol É Coisa De Mulher

5 minutos do primeiro tempo:
No escritório, Rafaela meditava quantas vezes, durante este ano, havia feito um gol ou defendido um pênalti — metaforicamente falando. Curtia a fossa de quem havia sido abandonada há dois meses e errava todas.
“Não te amo mais”, dito isto, Carla arrumou sua mala, pegou o cãozinho de estimação e se mandou com uma garota qualquer.
Do outro lado da cidade, Estela pensava nas vitórias inesquecíveis e derrotas memoráveis que colecionara ao longo de seus 32 anos. Amargava um terrível cano na mesa do Ritz.
“Te encontro às 21:00”, escreveu Bia no corpo do e-mail. Atrasou? Morreu? Sumiu? Não sabia ao certo. Olhou para um lado, depois para o outro. Pediu mais um mojito.
40 minutos do primeiro tempo:
Rafaela guardou suas coisas na gaveta, fechou a porta e apagou a luz. Estela pagou suas bebidas e saiu do bar rumo ao estacionamento.
25 minutos do segundo tempo:
Em campos opostos no gramado, os dois carros colidem: batida simples, mas chata. As duas garotas saem dos veículos para resolverem o impasse. De quem foi a falta? Porém, o impasse virou encanto e daí um convite para um café.
Algumas semanas depois, as pernas enroscavam-se: primeiro tímidas e depois com uma agilidade que superava, e muito, qualquer atacante. Tudo em um impulso de quem joga para ganhar porque com certeza não gostamos de perder. Um combate entre duas atletas, o querer dominar e ser dominada.
Tanto na vida como no jogo, futebol é coisa de mulher. É a arte da conquista e da superação porque nada se compara a um gol de prima, quando a bola repousa serena em nossos pés para depois dar um giro rápido rumo ao gol.
Mas também somos goleiras ameaçadas em uma cobrança de pênalti. E que medo que dá! E seu eu errar? E se não pegar a bola? Pior ainda quando a marcação é injusta. Juiz filho de uma… Que raiva que dá! São instantes solitários e nervosos, quando não sabemos ao certo o que fazer, que decisão tomar. Pode ser aquela conversa séria, um pedido mais ousado ou o perdão por uma grande mancada.
E quando perdemos o mais que podemos fazer é apertar as mãos do adversário e aguardar por dias melhores. Definitivamente, futebol é coisa de mulher.
Evoé, meninas! Sorte no jogo e no amor.



Escritora e roteirista. Autora abcLES.
Coluna: 








Pois é, temos que saber driblar, avançar, e até mesmo se equilibrar! Ótima estreia, querida. Bem-vinda ao nosso staff de colunistas
Bjs!!!
Obrigada pelo convite e apoio. É um prazer estar aqui novamente. Quanto ao texto, creio que todas nós já enfrentamos verdadeiros “clássicos” em nossas vidas. Momentos inesquecíveis que apenas o tempo pode curar ou resolver.
Beijos, moça!
Parabéns pela estreia e pelo texto, Kriz!! Nestes dias de jogos a gente não pode mesmo deixar de comparar o futebol, assim como qualquer esporte, ao jogo da vida e do amor, não é… perde-se alguns, ganha-se outros, e, às vezes, já meio que na metade do segundo tempo, a gente encontra alguém com quem vale a pena chegar aos 45 minutos finais… eu tive essa sorte, e espero que você também!!
Obrigada, linda.
Beijos!