Love My Life
2 de julho de 2010 por Nell Felix
Arquivado em Colunas, Destaques, Quadro a Quadro

Olá você, sentada aí em sua devida cadeira/banquinho/colo de namorada/cama/sofá/elefante, que não tinha nada para fazer, ou estava perambulando pela internet, ou que simplesmente por algum acaso do destino talvez realmente tenha esperado pela minha coluninha desta semana de uma forma radiante e feliz (ahamtábomsentaláNell).
Como você pode perceber, aqui estou eu mais uma vez com um mangá supimpa para ler. E não qualquer mangá, mas sim um dos mangás maravilhosos da sempre interessantíssima Yamaji Ebine.
“O QUÊ? OUTRO DELA? JÁ? VAI TE @#$%#@, NELL!”
É, vai. Reclama. Pode reclamar. Reclama aí, eu deixo. Terminou? Ótimo.
Enfim, Love My Life, para quem não sabe, foi o primeiro tankoubon completo e yuri feito pela Yamaji-sensei. A história é mais ou menos assim: @ editor/a da sensei certo dia perguntou a ela: “você não está a fim de escrever uma história mais longa, completa, complexa, etc., e yuri?”. Yamaji-sensei pensou um pouco e acabou escrevendo o bichinho.
O resultado não poderia ser melhor para a moçoila: não só vendeu quem nem picolé em praia cheia no meio do verão, mas foi feito um filme em live action (ou seja, com atores e atrizes de carne e osso) baseado no mangá lá por volta de 2007. O mangá foi traduzido para o mandarin e diz a lenda que o filme vai pintar nos EUA, lançado por certa empresa chamada Wolfe Video.
Hmm, parece bom…
Não só parece, como é. Apesar de tudo, a história é simples: a personagem principal da vez, Ichiko, é filha de um tradutor um tanto renomado no meio. A mãe dela faleceu quando ela era uma criancinha, então Ichiko foi criada pelo pai, sozinho, por certa parte de sua vida fazendo com que ambos sejam mais próximos do que o normal, sendo grandes amigos um do outro. Com tanta proximidade, ela tem uma grande vontade de apresentar a pessoa por quem está apaixonada para seu pai — que ele, obviamente, não sabe que é outra garota…
Embora esse começo pareça um tanto quanto cliché, o que se segue são coisas não tão esperadas que acabam unindo a geração do pai da Ichiko com a dela própria nos pensamentos da garota, fazendo-a questionar vários impulsos e acontecimentos sobre os quais nunca teve muito controle, mas que acabaram impactando sua vida e de quem está a sua volta, para sempre.
É interessante levar em consideração a forma com a qual Yamaji-sensei descreve a vida das personagens e como elas tentam alcançar algo delas, um “lugar” confortável para elas, onde se sintam queridas, mesmo que isso faça com que sofram de formas mais variadas por conta de suas escolhas ou não. Ichiko como personagem e narradora, assiste a isso tudo e pensa com os próprios botões sobre as coisas simplesmente complicadas da vida.
Semelhanças com outros trabalhos
Assim como em Sweet Lovin’ Baby (conteúdo de minha segunda coluna), existe um cuidado maravilhoso com o clima musical desta história: totalmente baseado em R&B, funk, jazz e soul, Love My Life “possui” uma trilha sonora envolvendo nomes como Ephraim Lewis, The Isley Brothers entre outros artistas citados em referência (o que é de certa forma uma pena, já que nada disso é utilizado no filme, totalmente pop e sem metade da graça).
Outra coisa interessante que cheguei a mencionar previamente é o fato de LML voltar em assuntos tocados pela compilação Sweet Lovin’ Baby, mais especificamente nas histórias Rain was Falling e Doomed Love, no que se dizem respeito à rejeição amorosa, conceitos de sexualidade e por aí vai.
Puxa, que legal, mas… Por que diz ali “1~6”?
Bom, considerando que sou apenas humana, decidi dividir o tankoubon (formado por 12 capítulos) em dois: 6 capítulos para essa seção, e os restantes 6 numa data futura. Então, não se preocupem, vou terminar de traduzir e postar aqui em breve — mas não agora.
Outra coisa que gostaria de adicionar: na minha coluna passada, quem baixou o Tropical Girls no dia que foi lançado e no dia seguinte, deve ter notado muitos erros de edição nas páginas. Pelo mesmo eu peço desculpas, e, se você ainda tiver paciência, por favor, refaça o download, já que voltei atrás e revisei o bicho inteiro. Espero que isso não volte a acontecer, mas de qualquer forma, deixo aqui minha retratação.
Por hoje é só, espero que vocês curtam a seleção da semana, vibrando e torcendo ao lado de Ichiko e todas as suas questões intimistas.



Estudante de artes sequenciais e quadrinização no Canadá. Autora abcLES.
Coluna:









Nell, para mim foi uma grata surpresa dar de cara com a belíssima arte sequencial japonesa. Sou fã incondicional de quadrinhos, seja do ocidente ou do oriente.
“Love My Life” já está no meu notebook pronto para ser lido.
Abraços e sucesso.
A arte sequencial japonesa, se tratando das histórias mais maduras, direcionadas ao público dos 20 anos para cima, tem uma retratação inteiramente especial, e muito diferente do esperado por quem desconhece ou apenas ouviu falar na séries de TV. É realmente apaixonante, e eu fico feliz que existam mais pessoas que pensem assim além de mim.
Você não vai se arrepender: Love My Life é muito maior do que eu jamais conseguiria explicar na minha coluna – e eu bem que tentei, embora eu não quisesse dar nenhum spoiler sobre a história.
Espero que goste.
Nossa, estou curiosa para ler! Já vou baixar! E parabéns pela ótima e interessante coluna!
Opa, obrigada pelo elogio.
Espero que tenha gostado quando leu.
Confesso que quando a Nell mandou o link, parei tudo para ler… Rs. E não me arrependi, foi numa tacada só
Essa história é muito boa! Dentro de um modo, aparentemente simplista, a autora consegue abordar, com sutileza e delicadeza, perguntas e conflitos existenciais e sentimentais. Não são poucas as vezes que nos colocamos nos lugar de Ichiko.
Espera chegar na segunda parte. Aí o bixo pega.