O amor que ousa dizer o nome: Amai-vos uns aos outros, basta de homofobia!
13 de agosto de 2011 por Brunella França
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Orgulho. Segundo o dicionário Michaelis: “conceito muito elevado que alguém faz de si mesmo”. Tenho muito orgulho de SER quem eu sou. E muito orgulho mesmo de ser assumidamente homossexual.
Sou tríbade, sáfica, lésbica, lesbiana. Paraíba masculina, mulher-macho, GAY sim senhor! Dyke, como dizem na língua inglesa (se for sotaque britânico, mais sexy ainda), ou como as mexicanas, tortillera. Do tupinambá, çacoãimbeguira (pra vocês verem que mesmo antes das portuguesas chegarem aqui, as nossas queridas índias já sabiam que “ser duplamente flor encanta, colore e faz bem”). Do latim, virago.
Brasileiramente falando: entendida, invertida, transviada, sapatão, sapa, sapata, sapatona, fancha, bolacha, fanchona, do babado ou, se preferirem algo mais erudito, ginófila, andrógina, homófila, fricatrix e homossexual. Podem me chamar de tudo isso, porque EU SOU. Mas se me chamam de lésbica, sinto ORGULHO e me envaideço. Sinto-me ainda mais discípula de Safo, a poetisa grega da ilha de Lesbos, mãe da lírica amorosa no Ocidente.
Estamos na mídia
Por que estou dizendo tudo isso? Porque quero dividir com vocês algumas observações e reflexões. Primeiro, as discussões sobre a homossexualidade entraram definitivamente na pauta da sociedade brasileira. Nunca antes na história deste País o amor entre pessoas do mesmo sexo foi tão explanado, explicado, debatido e, acima de tudo, combatido (um minuto de silêncio pela ignorância alheia).
Mas a verdade é que não se anda mais um quilômetro sem esbarrar com alguém comentando sobre algo relacionado ao tema. Estamos nas conversas de bares, de corredor, entre os pedreiros da obra da esquina, entre as mulheres no salão, entre os advogados, médicos, secretárias do lar. Em algumas igrejas, este parece ser o único assunto (e já fomos tod@s condenad@s ao inferno). Não se fala mais em batismo, fé, arrependimento, dízimo, vida e morte do Cristo. É com muita tristeza que afirmo: a homofobia está se tornando doutrina religiosa, substituindo o lugar do amor ao próximo.
E além de todo esse discurso baseado na mais pura intolerância e na mais pura IGNORÂNCIA quanto ao real teor dos textos que os cristãos consideram sagrados, ainda temos que ouvir de vereadores, deputados, senadores, governadores, prefeitos que ser gay não é que nem ser negro ou ser índio, que o negro e o índio nasceram dessa forma, mas que ser gay é uma “opção”.
Mesmo depois da aula que o Supremo Tribunal Federal deu sobre afetividade, sobre AMOR, ainda há políticos preocupados em defender “os bons, os guardiões da boa moral, os verdadeiros cidadãos” da “ditadura gay”, dessa escória da humanidade que quer criar uma sociedade de castas ao insistir em lutar por seus 111 direitos NEGADOS pela República Federativa do Brasil.
Orgulho hétero
Depois da tsunami de abobrinhas homofóbicas do nobre deputado Jair Bolsonaro, deparamo-nos com um vereador de São Paulo empenhado em criar o Dia do Orgulho Hétero. E na justificativa de seu projeto, ele diz assim (os erros de português do autor foram devidamente mantidos):
“Um dos direitos mais importantes do ser humano é o livre arbítrio que abrange: escolha da profissão, lugar do domicílio, o estado civil e até mesmo suas preferências sexuais.
Entretanto os homossexuais se dizendo discriminados ou perseguidos estão tentando aprovar leis que na realidade concedem a eles verdadeiros privilégios.
Como cristão aprendi a respeitar a todas as pessoas, até porque não sou juiz do comportamento sexual de ninguém. Cada ser humano pode fazer do seu corpo aquilo que bem entender, neste sentido aprendi a respeitar os homossexuais e as lésbicas, porém não posso concordar com a apologia ao homossexualismo.
Há pessoas que tem preferências sexuais fora dos padrões normais da sociedade, o que indubitavelmente está assegurado na Constituição Brasileira, mas poderiam manter seus relacionamentos dentro da discrição que norteia o convívio social.
Está não é a pratica que vem sendo adotada, pois, preferem fazer estardalhaços em locais públicos, na internet, nos meios de comunicação e até em panfletos com objetivo de divulgar o homossexualismo, como se está opção implicasse em algum privilégio.
Os homossexuais dizem que são discriminados pela sociedade, quando na verdade são eles que discriminam aqueles que não concordam com suas opções sexuais.
Pergunto: É normal duas pessoas do mesmo sexo se beijarem em locais público ou na televisão?
Será que os homossexuais entende como direito à liberdade, dois bigodudos entrarem em um restaurante e ficarem se beijando sem respeitar os demais clientes daquele estabelecimento?
Eles deveriam ter um comportamento adequado a nossa sociedade e deixar os beijos e afetos para os lugares reservados ou suas casas.
Acontece que os homossexuais não se satisfazem com o anonimato e para chamarem atenção começam a exigir direitos que se quer os heteros têm; se comportam de forma inadequada e muitas vezes agridem verbalmente aqueles que não concordam com suas idéias e depois querem que a sociedade aceite este comportamento.
Sou casado há 32 anos, nem por isso me acho no direito de ficar beijando excessivamente minha esposa em público para com isso demonstrar o carinho que tenho por ela.
Quando os homossexuais aprenderem a respeitar a sociedade que é composta pelos seus pais, irmãos, familiares e amigos com certeza a sociedade também irá respeitá-los, pois aqueles que querem respeito devem agir de forma respeitosa”. Vereador Carlos Apolinário.
Cidadania para quem?
Às vezes eu me esqueço de que sou uma pseudocidadã brasileira, com 111 direitos a menos que as pessoas heterossexuais, apesar de ter os mesmos deveres e estar sujeita à mesma carga tributária. Este vereador e todos os nossos outros políticos Bolsonaros (acreditem, ele são muitos!) realmente não fazem ideia do que é sofrer preconceito dentro e fora de casa e ainda sair de cabeça erguida. Pelo discurso vazio, pronto, copiado e carregado de ignorância, sinto que eles acham que ser lésbica, gay, bissexual, travesti, transexual ou transgêneros é um grande capricho e que nós queremos impor a nossa sexualidade aos demais. Não é justamente o contrário?
A propaganda da heterossexualidade está em todos os lugares e nós somos @s marginalizad@s, somos do gueto, somos @s que devem ficar escondid@s para não escandalizar a sociedade perfeita, cristã e composta de papai, mamãe e filhinhos. Essa mesma sociedade que produziu o racismo, o nazismo e cometeu as maiores atrocidades da história humana, muitas vezes em nome de um deus.
E uma pessoa que se enquadra nos padrões ditos normais por esta sociedade, não corre o risco de perder o emprego por conta de sua sexualidade; não tem que esconder desejos, sentimentos e relacionamentos. Não existe um ambiente hostil para a heterossexualidade (por que haveria?). Não existe a zombaria e os olhares; as piadas e as insinuações.
Para uma pessoa LGBT, ser assumida não termina quando ela diz que é lésbica, gay, bissexual, travesti, transexual ou transgênero em voz alta: é um ato constante. Os índices de suicídio são mais altos entre adolescentes LGBTs. Temos uma morte a cada 8 horas de uma garota ou um garoto que não suportou conviver com o mundo contra, com um discurso de ódio, tendo muito mais chance de ser agredid@ na rua ao andar de mãos dadas com quem ama.
Homofobia NÃO!
Nesse contexto, a celebração do orgulho hétero desmerece a luta pelo enfrentamento da discriminação, agressão e violência COMPROVADA contra pessoas LGBT. Heterossexuais não são discriminados pelo simples fato de serem heterossexuais. Heterossexuais NÃO são vítimas de agressões verbais, físicas, de violência, NÃO são assassinados por serem héteros. LGBTs SÃO!
Políticos, religiosos e doutrinadores em geral, amparados em superstições e, muitas vezes, por má-fé mesmo, continuam a difundir a homossexualidade sob a perspectiva de “uma safadeza”, que deve ou não ser reconhecida pelo Estado. Outros partem para o discurso de que a homossexualidade, já que não pode ser combatida, pelo menos não deve ser incentivada. Esse pensamento esconde um fundamento no mínimo equivocado (para não dizer cruel e desumano): o de que a homossexualidade é motivo de vergonha, algo sujo, algo anormal, algo depravado, algo menor.
Será que é tão complicado entender que a população LGBT não traz nenhum prejuízo à sociedade e ao Estado brasileiro e que é tão merecedora de cidadania quanto a população não-LGBT? Senhores políticos Bolsonaros, intolerantes religiosos e reprodutores do discurso homofóbico: ser lésbica, gay, bissexual, travesti, transexual ou transgênero não agride, não tira direitos e não prejudica ninguém.
O que traz prejuízo é a violência, a discriminação, a subtração de direitos e a perseguição pública contra vidas, isso sim claramente só traz prejuízos de ordem psicológica, social e econômica a toda a sociedade, que vê a diversidade ameaçada por ignorantes.
Homo e heterossexualidade são IGUAIS, são manifestações de AMOR!



ES. Jornalista. Autora ABCLes.
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Gosto muito dos seus textos, vc escreve muito bem. Parabéns.
Joci, obrigada pelo carinho de sua leitura.
Bjos!