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O amor que ousa dizer o nome: Quando a morte se torna desejo

27 de outubro de 2010 por Brunella França  
Arquivado em Colunas, Destaques, O amor que ousa dizer o nome

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28 comentários

Arte por Verai

Trancad@ no quarto, talvez em frente a um computador, a adolescência lhe pesa. É difícil não se ajustar aos gostos e às conversas de nenhum dos grupinhos da escola, das garotas e garotos da rua, do condomínio, ou de outros espaços frequentados.

Para uma menina, não é muito fácil entender porque ela se sente tão diferente das outras. Não gosta daqueles suspiros pelos garotos da sala ou de séries acima; não se sente atraída pelos ídolos teens do momento. E talvez só suporte aquilo tudo porque quer ficar perto da melhor amiga.

Para um menino, é proibida a sensibilidade, não gostar de futebol, não querer a fama de pegador. E o pior é que muitas dessas cobranças vêm de dentro de casa. Desde pequenas, as meninas são cobradas pelo ‘namoradinho’ da escola. E os meninos pelas ‘namoradinhas’. Sim, porque eles ainda têm que ter mais de uma para orgulho dos machos!

Dia desses, fui assistir a uma peça de teatro, “Incontornáveis”, que falava sobre diversos tipos de violência cotidiana. A classificação era 16 anos, mesmo assim, havia algumas crianças, quase adolescentes, acompanhadas de seus pais. Pois bem, a peça mostrava simulações de estupro, assalto, aborto, morte.

Em minha frente, uma menina dizia que estava com medo, que não queria mais ver. Ao seu lado, a mãe a abraçava e dizia que já estava acabando. Foi então que duas atrizes passaram a simular posições de sexo lésbico. Imediatamente, a mãe se retirou com a filha de onde estavam.

Isso me revoltou um tanto que chorei no teatro escuro até o final da peça! Vejam só: a menina podia ver cenas de tudo quanto é tipo de violência, mas não podia ver a simulação de sexo entre duas mulheres. Isso É homofobia! Isso É ensinar a uma criança que ela não pode respeitar uma coleguinha diferente. Isso É ensinar à criança a cometer BULLYING. Sim, eu estou dizendo que o bullying se aprende em casa!

O sofrimento de meninos gays e meninas lésbicas, na grande maioria dos casos, não encontra nenhuma compaixão nem proteção em casa. Pelo contrário, de vítimas viram culpados. Porque o menino que apanhou dos coleguinhas deveria ter agido como macho e não voltar pra casa chorando. Porque a menina que se sentiu excluída por não querer brincar de casinha deveria ser mais mocinha e se comportar melhor.

Três adolescentes gays se matam por dia no Brasil. Um a cada 8 horas. Seis garotos se matam para cada uma garota. Em um ano, NOVECENTOS E SEIS garotos vão preferir morrer a continuar sofrendo humilhação. CENTO E CINQUENTA garotas vão escolher desaparecer a ter de lutar pelo direito de amar quem elas quiserem. MIL E CINQUENTA E SEIS!

O bullying é autorizado quando pais e mães se calam por medo ou vergonha; quando a escola se omite para não discutir a diversidade sexual; quando o Estado não reconhece o CRIME de homofobia. Essas meninas e meninos estão sozinh@s num mundo que lhes diz que seu sofrimento é auto motivado, que são @s culpad@s e estão errad@s em serem quem são!

“Ora, se quiserem ficar em paz, que mudem!”

Como se nós tivéssemos essa escolha!

Um estudo lançado pelo departamento de Medicina Preventiva e Social da Unicamp atestou que a principal causa de suicídio entre jovens se relaciona com frustrações no âmbito familiar e afetivo. @s adolescentes homossexuais estão morrendo por falta de amor e respeito.

Milhões de pessoas abrem a boca para gritar contra a adoção por casais homossexuais alegando os traumas psicológicos que as crianças adotadas podem sofrer. Então, é preciso que os heterossexuais sejam proibidos de ter filhos, porque as suas crianças, homossexuais ou não, LOTAM as salas de estar e as agendas de psicólogos no mundo inteiro.

Uma criança não pensa em morrer quando ela é querida, amada pelo que ela é, não pelo que seus genitores projetam que ela seja! O sentimento de tristeza, de desespero é construído no dia a dia. Num olhar de incompreensão, numa fala rude, num xingamento.

A gradação do bullying vai da chacota, passa pela difamação, chega à agressão física até a morte por suicídio. E o suicídio chega como solução para o sofrimento de não ser acolhido na família, na turma da escola, na sociedade. Cada vez que um pai ou uma mãe diz que prefere ter filh@ mort@ a homossexual, outros pais e mães perdem suas/seus filh@s por causa desse ódio irracional à diferença.

Dói saber que enquanto escrevo para vocês, uma/um adolescente dá fim à própria vida porque não a suporta mais. Dói saber que alguém se condena a morrer por falta de amor. Essa é a realidade criada pelos pregadores do preconceito. Essa é a realidade criada por aqueles que insistem em fechar os olhos à diversidade humana. Porque não é neles que dói! Porque não é com eles o sofrimento.

É muito fácil ditar regras da boa moral e dos bons costumes sentad@ numa cadeira confortável. É muito fácil se apresentar como alta autoridade disso ou daquilo e falar de valores destituídos do mais tênue senso de realidade. Pois o deserto de valores está na boca daquel@s que mais o apregoam!

Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama gravou um vídeo para a campanha “It gets better” com uma mensagem a adolescentes lésbicas e gays que sofrem bullying por serem homossexuais (e muit@s, podem ter certeza, sequer se reconheceram plenamente como tal).

Obama diz: “Eu não sei como é ser assediado por ser gay, mas sei como é crescer com o sentimento de que você não faz parte. É duro. Muitos jovens sentem que estão sozinhos ou à margem. Mas quero dizer uma coisa: você não está sozinho. Você não fez nada de errado. Você não fez nada para merecer isso, e existe um mundo à sua espera — cheio de possibilidades. Há pessoas lá fora que te amam e que se preocupam com você exatamente do jeito que você é”.

Acontece que depois de empurrad@ para o fundo do quarto escuro, é muito difícil querer sair para o mundo. DÓI MUITO! Onde estão essas pessoas “lá fora”? Onde estão essas pessoas que realmente amam as outras como elas são e não porque querem que elas sejam outras pessoas para amá-las?

E não é nada fácil alcançar essas possibilidades prometidas. Até porque, NÓS sabemos, muitas vezes elas não existem. É preciso que as criemos por nós mesm@s.

Mas isso não muda o fato de que a vida de MIL E CINQUENTA E SEIS adolescentes poderia ser salva por um sorriso, um carinho, um abraço, um “você não está sozinh@!”. A vida de MIL E CINQUENTA E SEIS adolescentes poderia ser salva se em vez de distribuírem rótulos para o amor, as pessoas aprendessem realmente o infinito do verbo amar.

A nós, que resistimos aos sofrimentos da infância e adolescência e desistimos de morrer para lutar, cabe a responsabilidade de educar as pessoas de casa, da escola, do trabalho, da rua para um mundo que seja capaz de acolher a diversidade e amar @s jovens pelo que são, não pelo que queriam que fossem. Aliás, o “queriam que fossem” é que precisa morrer, não @s jovens!

Vestir roxo, a cor da campanha anti-bullying LGBT, é estar de luto por aquel@s que se foram e gritar pela vida d@s que estão pensando em morrer. Você que está lendo este texto e eu sobrevivemos. MIL E CINQUENTA E SEIS adolescentes homossexuais como nós, não.

Pelo DIREITO de SER, diga SIM ao AMOR!

Brunella França

 

Comentários

28 comentários para “O amor que ousa dizer o nome: Quando a morte se torna desejo”
  1. camilassa disse:

    Não tinha registro aqui, apesar de ser uma leitora assídua do site, mas depois desse texto resolvi que precisava de alguma forma me comunicar com você.
    Em primeiro lugar parabéns por tudo que você escreve, a energia, os sentimentos que seus textos carregam são contagiantes e extremamente intensos.
    Também sou de uma família, não tão religiosa, mas bastante tradicional e nunca me assumi perante eles, na verdade só me assumi para os meus amigos mais próximos. Sempre neguei a minha homossexualidade e vivi como alguém que gostava de homens até os meus 18 anos. Exatamente no meu aniversário eu tomei uma decisão, eu precisava pensar, me isolar do mundo e descobrir o que eu realmente sentia. Fiz isso por uns 8 meses, fiquei muito em casa, li, me informei sobre o fato de ser homossexual e apesar de saber que não havia nada de anormal comigo eu ainda me sentia, na expressão mais simples, um peixinho fora d’água. Hoje com 21 anos estou vivendo a experiência mais espetacular da minha vida que é estar morando por 6 meses em Londres. Continuo sem me assumir pra minha família, mas antes de vir para cá eu tomei a decisão de que todas as pessoas que eu conhecesse aqui, todas as pessoas que fizessem parte da minha vida nessa nova experiência, saberiam que eu sou lésbica, e todos eles sabem. Me impressiona viver em um país que na minha opinião só tem um fator que o faz ser melhor que o brasil: a liberdade.
    Sempre brinco com meus amigos dizendo que se você quiser pendurar aquela tradicional melancia no pescoço e sair por aí aqui em Londres, acho que só os brasileiros que moram aqui vão prestar atenção em você. Você pode ser o que você quiser, se vestir da maneira que você quiser, andar de mãos dadas com a sua namorada na rua, beijar, eles simplesmente não ligam. Isso faz dessa cidade e de algumas outras da europa lugares de 1º mundo.
    Estou em pânico porque daqui a mais ou menos um mês estou voltando para aquela rotina em que ninguém, ou quase ninguém, sabe realmente quem eu sou. Mas quando penso nesse medo consigo pensar que existe sim, em algum lugar no mundo, um cantinho em que nós podemos ser livres.
    Então, por mais triste que seja a nossa situação atual, causada apenas pelo preconceito dos outros, tenha esperança…um dia nós chegaremos lá.
    Parabéns por tudo! Bjos

    • Camila, muito obrigada pelo seu comentário.
      Mas imensamente obrigada por sua disposição em partilhar a sua história conosco.
      Eu realmente desejo q vc encontre a aceitação entre seus amigos quando voltar. Mas saiba que vc faz parte daqui, q mesmo por meio da internet, podemos estar juntas, formar mesmo um grupo de amigas.
      Sou eu quem realmente agradeço sua presença aqui!
      Beijos

  2. abelhax abelhax disse:

    É terrivel saber que coisas como preconceito, bullying e violencia contra homossexuais ainda existam nos tempos de hoje. As pessoas parecem tão modernas e abertas.Tão antenadas. Tão interessadas em exporem, umas as outras, seus conhecimentos adquiridos num veiculo em que tudo se torna tão normal, que é a internet. Poém determinados assuntos não conseguem transpor a barreira cultural e eis que voltamos a estaca zero.
    Achei bastante interessante e inteligente seu texto. Particularmente, não tinha conhecimento dessa estatistica de morte entre adolescentes, fiquei realmente apavorada, essas coisa não aparecem na midia, não vemos discutirem esse assunto nestes programas. A homossexualidade é tratada de maneira superficial ou vista pelo lado comico dos gays.
    Sem quere justificar o preconceito, e nem posso, não podemos esquecer que para uma mãe, deve ser bem dificil saber que esta criando um filho que será solto numa selva cheia de leões prontos para atacá-lo. A maioria prefere tentar, como se isso fosse possível, mante-los longe que qualquer influência, assim cria um campo magnetica de preconceito e manifeações, acaba por contagiar a todos ao seu redor, e assim cria se uma reação em cadeia.

    Parabens seu texto, é muito bom!
    kisses

    • Abelhax, obrigada por seu ponto de vista, por ampliar a discussão proposta no texto.
      E de fato há diversas formas de lutar contra a discriminação e pelos nossos direitos. Acho válidas! Mas acho tbm q qdo é hora de falar sério, é preciso ter essa postura.
      Nesse caso, por exemplo, estão em jogo mais de mil vidas. Não dá pra tratar sobre isso de cima de um trio elétrico.

      beijos
      Bru

  3. Marcia Paula Marcia Paula disse:

    Bru, querida:

    O vídeo citado por você “It Gets Better” com a Hilary Clinton e o Obama me emocionou muito. Você exemplificou bem, com dados realmente estarrecedores. Em um outro contexto, segundo o professor Luiz Mott, o Brasil encabeça a lista de morte a homossexuais, depois vem o México e em seguida os EUA. De fato, querida, sobreviver, para nós, tornou-se um atitude política. Fazer frente ao mundo, assumir, pode ajudar efetivamente a mitigar esse processo.Beijo.

  4. Sara Sara Lecter disse:

    Brunella,

    sem dúvida alguma um texto para ser eternizado. Parabéns! Parabéns não só pela escrita, mas por despertar tantas emoções, tantos relatos. Todas temos uma história com preconceito, não adianta negar. Algumas de nós, talvez, em algum momento, foram preconceituosas com a própria natureza. São coisas da vida.

    A lição que fica é a de que temos de fazer alguma coisa. Então… “movimento pra cá, movimento pra lá” (rsrs) e vamos arregaçar as mangas!

  5. Pry John disse:

    Pensei muito antes de postar algum comentário!!!
    Sou de família religiosa (cristá) e minha sexualidade sempre foi um problema, algo a ser escondido (mesmo que eu não fizesse questão disso na minha adolêscencia).
    Num dado momento ouvi a frase: “prefiro ver você morta a ser homossexual”. Não culpo ninguém. Não foi e não é fácil para minha família. Fora o preconceito que sentem, ainda tem que lidar e conviver com o preconceito dos demais (que não afeta somente a mim).
    Durante muito tempo vivemos em pé de guerra por isso. Recentemente (quando decidi pela “publicação” do conto de fadas), a situação se agravou e ouvi (não somente da boca das pessoas da minha família, mas também de amigos), que uma coisa dessas ñão se fazia perante Deus. Um dia eu seria punida. Fui bastante hostilizada por ser lésbicaa. Tive inclusive de ouvir umas frases “espirituosas” sobre uma possível ausência de alma em minha pessoa (meus pais nunca me disseram isso… foram outros).
    O mais interessante, o mundo dá voltas… hoje estou muito doente…
    Pensei que depois do diagnóstico minha família não me apoioria. Porém meus pais tem me dado muito apoio e carinho. Estão inclusive me defendendo de qualquer comentário maldoso que outras pessoas digam.
    Até que minha história teve um final feliz. Depois de descobrir que estou doente, “voltei” a ter alma. Voltaram a me dizer que Deus está comigo e muitos que me perseguiram já me pediram perdão.
    Sinto-me feliz. O preconceito pode ser superado.
    Bjs Brunella. Seu texto está maravilhoso! Tocante…

    • Pry:
      Não sei o q vc tem, mas desejo sua recuperação!
      Eu tbm nasci numa família cristã, metade católica e metade evangélica. E não é fácil lidar com o preconceito de ambas as partes. Mas eu imponho respeito, me dou respeito. E isso faz com que as coisas ganhem um certo equilíbrio – ou seja: não mexem comigo.

      Obrigada por sua presença aqui!

      beijos
      Bru

  6. Anne disse:

    Otimo texto o unico porém é que ele infelizmente é sobre uma realidade triste ;-( . Varias vezes vejo ou sinto na pele o que você descreve no seu texto afinal estou em uma das fases que muitos consideram a mais dificil da vida: A Adolescência.

    Outro dia na minha escola tivemos um teatro e por ironia do destino tivemos uma peça que era justamente sobre o retrato do preconceito. A história tratava em tese de uma menina que gostava de meninas, de se vestir como meninos e de “coisas de menino” e sofria o preconceito da mãe e da diretora. Infelizmente não pude assistir a peça toda e quando eu cheguei ja estava quase no final, mas o curioso da peça é que no final eles perguntavam as pessoas se elas achavam correto o modo que a mãe e a diretora tratavam a menina e davam um espaço para que as pessoas que quisessem pudessem subir ao palco e debater com a mãe e a diretora sobre o modo correto de tratar a menina. De inicio subiu uma garota que tinha até bons argumentos e falava sobre tudo sem perder o controle (não irei dizer tudo o que ela disse porque estava no fundão e a acustica do meu auditório é pessima, logo, não ouvi tudo), e logo depois um amigo meu se animou e também subiu ao palco, ele possui alguns gestos “meio afeminados” e entre amigos é assumidamente bi, por isso logo surgiram as piadinhas. E por ultimo praticamente o auditório inteiro pediu que meu amigo Dimi (assumidamente gay) subisse ao palco para defender a menina e eis que ouço uma celebre frase “O que isso agora? Todos os gays resolveram se assumir no palco?”.
    É em momentos como esse que eu penso: “Quer dizer então que para que uma pessoa não seja homofobica ela precisa automaticamente ser gay? Se alguém defende um gay é porque “joga no time dele?” Não tem sentido nisso, não tem base, não tem lógica e por isso me revolta.
    Já ouvi tantos: Esses pequadores vão para o inferno, eles são umas aberrações, eles são assim porque são intrumentos do diabo, prefiro filho morto a filho gay, isso é falta de um macho na vida dela, etc. Mas se existe uma frase que concerteza me revolta é: “Alguém só se torna gay porque sofreu algum trauma na infância ou foi induzido a isso” WTF? Como assim ele é traumatizado? Como assim SE TORNOU gay? É por isso que há varios momentos em que a vontade que eu tenho é de dizer “Pronto mundo você venceu resolvi ser hetero!” Mas o grande problema é que eu não posso escolher, simplesmente porque eu não resolvi me TORNAR gay, eu SOU gay é diferente e não sofri nenhum trauma não, obrigada.

    Ainda acho que um dos dias mais felizes da minha vida vai ser quando as pessoas passarem a entender que ser gay é normal, que não altera o carater de ninguem, que não somos instrumentos do capeta, que somos seres humanos e que a unica coisa que nos diferencia dos outros é que amamos, em alguns casos muito, alguém que possui o mesmo sexo que nós.
    Pode parecer utopia, mas só por saber que eu consegui mostrar isso para as pessoas que me cercam, eu sei que é possivel é só as pessoas quererem.

    Parabéns pelo texto,
    Bjos :D

  7. c_ponto disse:

    Texto matador dona moça!
    Fiquei muito satisfeita de ver esse tipo de iniciativa conscientizadora acontecendo, tomando corpo, fomentando discussões.

    Particularmente, passei por alguns perrengues. Foram duas tentativas de “desistência” durante meu processo de saída do armário. O pior é que a coisa toda acabou deflagrando uma depressão que, por falta de percepção da minha familia, não foi tratada desde o início e consolidou-se.

    Hoje sou obrigada a conviver com a doença e suas consequencias.
    Quando olho para trás sei que poderia ter sido diferente e me pergunto:

    Será que estamos, nós de afetividade diferenciada da maioria, preparando o mundo para filhos que terão dois pais ou duas mães? Será realmente que estamos conscientizando, lutando e educando o suficiente?

    Beijo grande e parabéns pelo trabalho!

    • Sabe o q é melhor de tudo?
      Essa participação aberta, entregue, que soma ao texto inicial.
      C, esse caminho da depressão tbm é tão conhecido meu…
      De fato, nunca abri a boca pra falar nada, meu grito era mudo, eu pedia socorro com os olhos, mas ninguém viu.
      Sobre os seus questionamentos, sempre depende de nós o fim da homofobia. É nossa responsabilidade de educar a sociedade para o direito à diferença. À medida q saímos do armário, q assumimos afetividades, relacionamentos, formamos famílias e NÃO PERMITIMOS ser desrepeitadas pelo q somos, estamos contribuindo sim.
      Mas é claro q ainda há muito a ser feito! A começar por dentro de casa, da própria família. O caminho ainda é longo. Mas não não estamos sozinhas! Somos muitas e já vencedoras. Porque nós sobrevivemos para contar a nossa história e iniciar uma nova para as que vêm depois de nós.

      beijos
      Bru

  8. NicoleAb NicoleAb disse:

    Mal cheguei na metade comecei a chorar e segui assim até o final. Perdi a pessoa que mais amava para o suicídio em Maio do ano passado. Me senti tão dentro dessas palavras, me lembro da tristeza dela em sofrer tanta rejeição e ter tão pouco do lado de fora. Me senti roubada. Simplesmente roubaram de mim alguém que era tão especial e definitivamente não merecia. Ouvi tanto dizerem que “foi escolha dela e ninguém tem culpa disso”. É como jogar uma pedra em cima e dizer que a culpa foi da pessoa que a recebeu. É fácil acusar quem sofre como único culpado pelo próprio sofrimento. Quem age assim pensa livrar-se da culpa e não se acha responsável por mudar nada. É um massacre. Todos os dias gostaria que ela ainda estivesse aqui, e me pergunto o que eu poderia ter feito que não fiz. A sensação de culpa e fracasso não cessa e penso sempre porque gente sem amor no coração precisava tira-la de mim. Porque simplesmente não se afastam? Porque ficam e atormentam até vencer? Na escola faziam piadas com ela, a tratavam como algo nojento. Faltava apenas 1 semana para os 19 anos e simplesmente não é justo. Homofobia é um ato com vítimas e ainda assim não é considerado crime. É patético como alguns políticos ditam que a lei anti-homofobia se refere a ter que permitir beijos em público. É tão mais que isso. Chamam os suicidas assim de fracos, e o que mais irrita é que é assim dito por gente que nunca passou metade da metade e não sabe como é se sentir realmente sem saída. Às vezes a pessoa já foi até mais longe do que muita gente iria mas não resistiu. Não chamo isso de fraqueza. Não é certo, mas é simplesmente um ato de desespero. É preciso se julgar muito encurralado pra ter a coragem de pôr fim à própria vida. Espero que tudo isso mude, a dor pra quem fica é algo insuportável. Jamais esquecer que como o Obama disse, está cheio de possibilidades lá fora e tem sim gente que talvez você nem conheça ou tenha percebido ainda, que pode te ajudar a sair do buraco. Parece místico dizer isso mas ainda existem pessoas sem preconceitos no mundo e um espaço que é seu. Ninguém esta aqui para ser expulso. Posso garantir isso! Excelente texto, muito bem escrito! Obrigada por escrevê-lo! Vou divulgar. Beijos!

    • ;-(
      Nicole:
      fiquei sem palavras ao ler o seu depoimento. Sei q não se compara ao q vc sente, mas doeu tanto em mim!
      Obrigada por compartilhar aqui o seu relato.
      Somamos dores sim! Mas somamos também forças para lutar contra essa opressão, contra esse ódio irracional à diferença.

      Beijos
      Bru

  9. Ká disse:

    ;-(
    Passei de tantos modos por esse tipo de comportamento homicida dos outros… Sim, dos outros. Acho que eles fazem isso para não ter que efetivamente manchar suas mãos com o nosso sangue. Nos provocam, nos ofendem, nos agridem, nos magoam… para nos ver, por nós mesmos, dar fim às nossas vidas.

    Apesar de comungar com a tristeza de todas nós, pelas pessoas que se vão, sinto-me aliviada por saber que estamos aqui, fazendo valer os nossos desejos e sentimentos e que estamos deixando um legado de luta pelo amor e pelo reconhecimento de nossa existência e nosso direito de SER quem somos.

    Eu sou mais do que suspeita para emitir elogios a você: sou apaixonada por cada uma das palavras com as quais vc faz o mundo ganhar um tom mais colorido.

    Beijo!

  10. Suellen Suh disse:

    ;-(
    Sem comentários para a matéria, maravilhosa, em partes…
    Sim, em partes, por foi muito bem escrita… Mas seria ótimo se fosse tudo mentira, mas não é!
    Cabe a nós ajudarmos essas outras crianças que sofrem com o Bullying, e concientizar as pessoas ao nosso redor…

    É triste ver que um número tão alto de crianças e adolescentes tiram a própria vida, por falta de compreensão, amor, carinho, pelo simples fato de amar o que a sociedade taxa como diferente. Amor é amor, independente do gênero.

    Enfim, ótima matéria Bru!
    Beijos e parabéns!
    :kiss:

    • Corcordo, Suh.
      Eu queria muito que tudo isso fosee mentira e que nós estivéssemos aqui comemorando que cada vez mais, por acesso à informação, por erradicação do preconceito, @s adolescentes se descobrem mais cedo e são aceitos em todos os círculos sociais.
      Mas eu acredito que um dia será assim. Só depende de nós!

      Obrigada pelo carinho.
      beijos
      Bru

  11. Diedra Roiz Diedra Roiz disse:

    Nossa, Bru!!!
    Tô sem palavras aqui.
    Texto emocionante, lindo, magnífico!
    Cada vez sou mais sua fã, viu?
    Me disseram que aqui em Blumenau tem uma lei municipal contra homofobia. Multa mínima de 5 mil reais se chamarem qq um de viado, sapatão, etc… Maravilha, hein? Tinha que ser lei federal, isso sim!
    Estou tentando descobrir o número pra saber direitinho.
    BJ muito mais do que imensamente ultra mega super hiper mega blaster gigantesco!

    • Di, obrigada pelo carinho, por vir aqui ler este texto.
      Acho q essa emoção toda brota da indignação com a situação, sabe? É tão irracional isso tudo… Alguns dizem q evoluímos. Como? Como poderíamos evoluir se condenamos o amor?
      E o carinho é recíproco, vc sabe q eu a admiro demais mesmo!
      Fico feliz por saber dessa lei de Blumenau, deveria mesmo ser exemplo.
      beijo enorme e maior que enorme!
      :love:

  12. Fe_anjos disse:

    Essa fase da vida é a realmente mais cruel. Acho que não há ninguém que passe ileso pela adolescência, porém para alguns é realmente muito pior.
    Na adolescência eu ainda não havia me descoberto, mas sofria bullying por ser negra, usar óculos, ser gordinha e bolsista em colégio particular. Normalmente me sentia deslocada, excluída, ignorada.

    As crianças devem aprender desde muito cedo a lidar com as diferenças, mas pra isso é preciso que se re-eduquem os pais.
    Muitas vezes os pais de adolescentes que sofrem bullying sequer sabem o que se passa com seus filhos e ignoram sua dor.

    Um abraço muda sincero pode reacender a vontade de viver.

    Parabéns pelo texto.

    Grande beijo

  13. Quando recebi o texto, disse a você: fiquei emocionada. Tanto, que fiz questão de imprimir e dar para meus pais e minha avó lerem. Os três, assim como eu, depois, estavam com lágrimas nos olhos. Entre nós, o silêncio. O silêncio da dor, da identificação. Da revolta. Do lamento.

    Quantos corações. Quantas almas serão cicatrizadas. Quantas vidas perdidas, até que as pessoas entendam que a vida é tão preciosa para ser gasta com a negação do amor?

    Mais uma vez, um texto que nos toca em sua beleza e verdade pungente e muito, muito triste. Mas só assim, nos dando conta do quanto ainda precisa ser feito, poderemos vislumbrar um futuro. E sigamos em frente!

    Parabéns, Bru.

    Um beijo!

  14. Mel C disse:

    Amei, Bru! Muita gente deveria ler e refletir sobre tudo que vc escreveu, que na verdade o preconceito nasce sim em casa na omissao ou no incentivo dos pais a que seus filhos rejeitem o coleguinha “diferente”!
    Mto bom seu texto.
    bjo

    • Obrigada pelo carinho, Mel. Sabe, escrever este texto me doeu muito. Foram muitas lágrimas até o ponto final. Eu queria poder encontrar e abraçar tod@s essas/esses adolescentes, poder cuidar delas/deles de algum modo…
      Eu passei por essa fase de depressão profunda, de querer me matar. Sei exatamente como é horrível!

      beijos
      Bru

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