Ménage à Quatre: O tal do ismo e outras coisinhas
10 de agosto de 2010 por Brunella França
Arquivado em Colunas, Destaques, Ménage à Quatre

Na minha coluna de estreia aqui no Ménage à Quatre – que foi, aliás, uma delícia, garotas, ui! – escrevi sobre a minha implicância com quem escreve/fala/usa o termo homossexualismo. Pelos comentários recebidos, especialmente o da Kriz, resolvi ir buscar mais informações.
Tá, tudo bem, a ida à biblioteca foi uma desculpa pra ver a estagiária linda e loira que fica lá sozinha durante horas à tarde. Lá Lá Lá Lá
Voltando à questão séria! Andei pensando que para esclarecer meu ponto de vista, deveria descer mais fundo na questão – é, eu sei que vocês pensaram besteirinha, hah!
A sexualidade humana é um fenômeno complexo. Até aqui alguém discorda? Prossigamos! Entre a atração forte e exclusiva de mulher para mulher, de mulher para homem ou de homem para outro homem, existe uma infinidade de sensações sexuais e emocionais: desejo, excitação ou mesmo a frieza em qualquer relacionamento humano, que depende dos indivíduos inseridos em determinada situação, e não em quaisquer das especificações arbitrárias que poderiam ser impostas através de sociedade, tais como os rótulos que tentam definir se o indivíduo é heterossexual ou homossexual.
Assim, um bebê do sexo feminino não deve ser rotulado como heterossexual apenas porque nasceu com este sexo biológico, mas sim estar livre para que sua sexualidade se desenvolva sem os freios da sociedade.
Algumas mulheres desejam fazer sexo com outras mulheres e este desejo é algo permanente em suas vidas (quem é gold star levanta a mão! \o). Algumas são meramente curiosas a respeito de corpos femininos, e podem experimentar, em algum momento de suas vidas, um contato mais íntimo. Outras se sentem, igualmente, atraídas por homens e mulheres. E há aquelas que são atraídas por homens.
Enfim, o que quero dizer é que essas permutações NA-TU-RAIS nem sempre são absorvidas pela sociedade em que vivemos. E daí vem a mania de “rotular”, etiquetar as coisas. Dessa forma surgem as minorias, @s excluíd@s, que não merecem nada mais do que um olhar de reprovação ou mesmo desprezo.
Mas o que isso tem a ver com o tal do ismo? T-U-D-O, meu béin! Vamos contar uma historinha. Era uma vez um médico húngaro chamado Karoly Maria Kertbeny que, em 1869, criou o termo homossexual. Desta palavra é que surgiu o termo homossexualismo para designar os sujeitos “que sofriam de distúrbios sexuais”.
O tempo passa… Em 1973, os Estados Unidos retiraram “homossexualismo” da lista dos distúrbios mentais da American Psychology Association, passando a ser usar o termo Homossexualidade.
Em nove de fevereiro de 1985, o Conselho Federal de Medicina aprovou a retirada, no Brasil, da homossexualidade do código 302.0, referente aos desvios e transtornos sexuais, da Classificação Internacional de Doenças.
Em 17 de maio de 1990, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou a retirada do código 302.0 da Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde. A nova classificação entrou em vigor entre os países-membros das Nações Unidas a partir de 1º de janeiro de 1993.
Em 1999, o Conselho Federal de Psicologia formulou a Resolução 001/99, considerando que “a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão”, que “há, na sociedade, uma inquietação em torno das práticas sexuais desviantes da norma estabelecida sócio-culturalmente” (qual seja, a heterossexualidade), e, especialmente, que “a Psicologia pode e deve contribuir com seu conhecimento para o esclarecimento sobre as questões da sexualidade, permitindo a superação de preconceitos e discriminações”.
Por isso, o sufixo “ismo” (terminologia referente à “doença”) foi substituído por “dade” (que remete a “modo de ser”).
Maaaaaaaaaaas eu também sei que o sufixo ismo pode significar “crença em”, como cristianismo, hinduísmo, romantismo, entre outros exemplos. Só que há de se considerar o CONTEXTO no qual a palavra surgir e como ela era empregada.
Além disso, homo, bi ou hétero são derivações de sexualidade, não de sexualismo. Por isso, é mais correto usar homossexualidade.
Sobre a história da opção, na acredito mesmo que haja uma OPÇÃO SEXUAL. Mas concordo com a Kriz quando ela diz que cada pessoa tem o livre arbítrio para escolher viver sua sexualidade da maneira como achar que deve, ciente das consequências que essa – aqui sim, escolha – pode acarretar. Cada pessoa sabe a dor e a delícia de ser o que é.



ES. 23 anos. Estudante de Jornalismo. Autora abcLES.
Colunas: 








kkkkkk, Nossa morro de rir das suas colunas…
Bjus.
Brunela,
Adorei o texto, a pesquisa e também concordo sobre sua observação com relação a alguns rótulos, sufixos e/ou terminologias.
Porém, devo reiterar que realmente não podemos aceitar certos termos sem nos pronunciarmos a respeito. Creio que a palavra “orientação” não cabe no contexto Homossexual, devido ao fato de não termos sidos orientados a nada! Pois bem, isso não é correto afirmar. Agora a palavra “opção”, de certa forma ninguém “escolhe” ser o que é, mas optamos seguir em frente ou não nessa escolha.
Tudo bem, eu entendo perfeitamente que é um termo pesado e contraditório, mas não chega a ser tão errado assim. Pois não deixa de ser uma opção, ou seja, tivemos sim a opção de escolha, mesmo que nos tornemos pessoas frustradas para o resto da vida! Essa é a grande diferença, independente de ser certo ou errado. Cada um sabe de si e cabe a nós escolhermos querer ser ou não, ou conseguir ser ou não, não importando a forma ou a razão para tal “opção”. Seria hipocrisia não aceitarmos o fato de termos o poder para tomarmos tal decisão, não seria? Lembrei daquele famoso e célebre ditado: Ser ou não Ser, eis a questão!
Em todo caso, é uma discussão muito complexa e difícil. Mas, não vejo necessidade de sermos sistemáticos ao extremo.
O importante é termos consciência de que rótulos são rótulos e nem sempre expressão a realidade de seu significado. O que não podemos deixar é nos tornarmos parte de um “pré-conceito” infame e insolúvel. Isso NUNCA!
Mais uma vez, parabéns pelo seu texto.
bjs Alê
Ooiii, adorei o texto!
Odeio esse “ismo” tb, assim como o opção.
Não concordo com orietação…
Fica complicado, ne? Então prefiro assim: Sou uma mulher que ama uma outra mulher, mt mais simples….rs
Pode ate ficar meio agressivo, mas….
Bjs, parabens
Karine, vc está certíssima!
obrigada pelo carinho^^
beijos
parabéns… gostei da tua opinião !
Quero comentar! Quero comentar!…rs…
Adoro pesquisas. Acho sempre importante abrir para todas as meninas o debate em cima do assunto pesquisado. É muito legal não nos restringirmos a uma opinião (ou opção) apenas, pois o mundo é mutante assim como o pensamento.
Beijos e parabéns pelo texto!:wink:
Comenta! Comenta! Comenta!

Kriz, honey, aqui você pode tudo!
No Ménage à Quatre é tudo liberado, meu béin. E a gente adooooooooora um movimento, hah!
Obrigada por me instigar a ir buscar mais informações para as colunas
Por favor, dê pitaco, crítica, sugestão, puxão de orelha, beijo no… ops! Melhor não, não éam?!
beijos enormes
Bru,
Fico, a cada coluna sua, cada vez mais fã-nática pelo vigor de seus textos, tão transparentes, tão cheios de talento e também tão carregados desse seu ímpeto de dar visibilidade aos nossos anseios e questões.
Não tenho nenhuma palavrinha a acrescentar ao que li.
Concordo com tudo.
P.S.: Foi bão demais te conhecer pessoalmente. Você é uma pessoa extremamente agradável e simpática.
Beijos!
Ká:
fico, a cada comentário, mais sem saber como agradecer pelo carinho, pela leitura, pelas palavras.
Adoreeeeeeeeeeeeeei nosso encontro de terça! Podíamos fazer a cada 15 dias, né?!
beijos
encontro ??
Parabéns pela belissima coluna, sempre maravilhosa…
Eu continuo a dizer, doente é quem tem o pré-conceito.
Bjs.
Angel, agradeço muito o seu carinho, a sua leitura e a divulgação que você faz dos textos aqui do ABC.
Concordo plenamente: “doente é quem tem o pré-conceito”.
beijos
exatamente, Brunella, e Sara Lecter em seu comentario…, costumo dizer q não optei por ser, num tava um belo dia esperando pra nascer e DEUS veio e me perguntou, o q eu queria ser, hetero, bi, les…. bem, ou tava andando um belo dia e simplismente descrente com homens mudei de ideia quanto ser ou não ser, nasci assim, não optei. Ergui uma enorme bandeira colorida na casa da minha avó esses dias, poxa, em meio a assuntos complexos q familia gosta de comentar quando nao tem nada pra fazer, politica, religião, cor, credo…essas bobagens, foi dito q meu primo com 17 anos tava namorando uma menina q terminou com ele e tava namorando outra menina, ouvi de todos, numa roda de aproximadamente 15 pessoas, homosexualISMO…ISMO, ISMO pra ca, ISMO pra lah, levantei-me, disse q homosexualidade não é doença…aquele roteiro q ja ta na ponta da lingua de todo ser colorido…. todos me olharam, tipo…como suposta hetero q sou perante minha familia…kis sair correndo e mantive-me firme…… bem, isso encomoda-me muito…. e aproveitando pra falar do seu outro texto Bru….. homesexualidade de religião, achei limplismente FODA no bom sentido tudo o q vc escreveu…….
Oi Lizi^^
Obrigada por seu depoimento complementando a coluna!
Eu sou uma pessoa tranquila, da paz, na minha. Mas uma coisa que me tira do sério é gente falando e martelando o tal do homossexualismo.
P****! Eu não sou doente, não tenho nenhum problema mental, não sou uma anomalia da natureza.
Só por que eu não me encaixo no falido padrão de família papai-mamãe-filhinhos que essa sociedade apregoa como único e verdadeiro mereço ser tachada de doente/deficiente/aberração?
Estresso mesmo, corrijo mesmo, doa a quem doer!
Obrigada pelo carinho^^
Que bom que leu e gostou do outro texto também
super hiper mega beijos!
Bru!
Recentemente escrevi sobre opção/orientação e um comentário específico me fez pensar muito além do que eu já tinha problematizado sobre a questão. Vou colar aqui:
“…sempre respondi “não é opção” pra quem conversando diz “a opção sexual…”. Acho que só admito isso se quem diz é espirita convicto que tem a certeza (por fé, crença) que escolhemos antes de nascer (ou reencarnar), caso contrario tenho a tendencia a esclarecer. Me desculpe, mas “orientação sexual” a mim parece algo tão esquisito quanto opção porque não fomos orientados a ser homo, ou hetero, apenas somos o que somos porque nascemos assim…” (Ione – 17/05/2010)
Creio que sua pesquisa é a resposta que não consegui dar, na época. Mas essa coisinha do orientação me deixou pensando pra caramba… Ok, também não é um termo 100% legal, mas vai se usar o quê?
Mais uma vez, parabéns pelo texto! Devo dizer que mesmo quem usa o “ismo” por outros motivos, está fomentando a idéia tão arraigada da doença. Isso precisa ser deixado de lado!
Beijos!
Saritaaaaaaaaaaaaa!
Seus comentários me matam de orgulho, sempre, né?!
Sobre a sua inquietação, também é a minha!
Não sou lá muito a favor de orientação. Pra mim, orientação é aquela coisa: mais pra cima, desce um pouquinho, vira ali… Enfiiiiiim! Não acho que ninguém possa ‘orientar’ seu desejo
Outra que entra no páreo da nomenclatura é condição. Apesar de não ser bonita a palavra, segundo o dicionário Aurélio significa:
1.Modo de ser, estado, situação (de coisa).
2.Modo de viver resultante da situação de alguém.
3.Classe social.
4.Obrigação que se impõe e se aceita.
Eu ainda não estou convencida de que seja a melhor opção.
Solução?
Eu prefiro usar sempre sexualidade. Nem condição, nem orientação e menos ainda opção. Acho q tentar achar uma palavra que designe o q somos também é rotular, etiquetar. Então, fiquemos com o simples! Sexualidade resolve o problema!
Beijos enoooooooooooooooooormes!