Sweet Lovin’ Baby
21 de maio de 2010 por Nell Felix
Arquivado em Destaques, Quadro a Quadro
Lá estava eu: sentada em minha cadeira de escritório giratória marrom, terminando de ler minha coluna da semana retrasada logo após ser publicada. O sentimento de euforia era um tanto quanto interessante — já que nunca fui grande fã de escrever — e imaginava como começar as minhas indicações, como introduzir minhas leitoras ao mundo do yuri.
Naturalmente, minha primeira ideia foi apresentar-lhes algo da minha autora favorita, e foi exatamente o que decidi fazer. O problema em questão, no entanto, era qual mangá traduziria primeiro.
Peraê, Nell, que história é essa de traduzir?
É. Enfim. Todo o conteúdo yuri em meu computador, quanto o que procuro encontrar na internet, está em inglês. Sendo fluente no idioma, para mim não é trabalho algum, já que leio textos inteiros in english desde meus tenros 14 aninhos como um treinamento forçado para aprender a bendita língua. Sabendo que nem todo mundo nesse Brasilzão (ou fora dele, sabe Deus quantas brasileirinhas estão lendo essa coluna em outras partes do mundo, né?) tiveram ou têm a mesma facilidade com aquela dita língua, decidi ser super supimpa e traduzir e editar todas as minhas indicações no muque.
É isso aí! Nasceu na semana passada o fansub de uma mulher só (com algumas ajudas de meu irmão gêmeo que não é de sangue coisa nenhuma) para a alegria da garotada.
Os específicos são super simples: para quem nunca leu mangá na vida, tudo o que você tem que fazer é ler os balões de fala da direita para a esquerda. Poderia ter modificado isso? Sim, mas achei melhor dar a sensação correta da leitura padrão. No entanto, como a tradução foi em sua maior parte feita por mim, esperem termos esdrúxulos e super casuais em conversas. Esse lance de Daniel-san pra lá e pra cá foi abolido, e também o português mais que perfeitamente polido como se todos os personagens fossem feitos de louça chinesa da era Zhou, a menos que declarado o contrário.
Provavelmente haverá inconsistências, já que a minha adaptação foi gerada de outra adaptação. Não entendo japonês, nem um pouco, então se você entende e leu a coisa de verdade, favor não me assassine. Me mande um e-mail, discuta o ponto de vista verdadeiro da situação, e serei gentil em aceitar sua crítica/sugestão.
Mas chega disso. Hoje é dia de falar da minha quase-musa: Yamaji Ebine.
Nell, quem é essa tia?
Primeiro de tudo: “tia” é o escambau. Ela é uma das (muitas) razões pela qual sou absolutamente apaixonada por quadrinhos, principalmente da área josei (para mulheres maiores de idade), e é uma das poucas autoras que me deram fé de que existem títulos yuri bons sim.
Diz a lenda que os trabalhos dela foram lançados na França e fazem um bocado de sucesso por lá. Também reza a prece que de todos os trabalhos dela, os únicos que realmente deram certo foram as histórias de conteúdo lésbico — o que é muito bom para nós, vamos concordar, né.
Sendo uma fã do trabalho da moça, porém, foi muito difícil pensar em qual apresentaria a vocês primeiro. Possuindo em meu HD 3 tankoubons (um livro completo, sem fazer parte de uma série) completos e uma compilação de histórias curtas que ela lançou em momentos distintos, foi uma decisão que, de fato, mereceu atenção e cuidado.
Depois de reler tudo, tin-tin por tin-tin, decidi apresentar-lhes a compilação, que, não só é uma forma mais palatável de se começar a ler por terem contos super curtos e que se fecham em sí mesmos, mas também porquê possuem temas que voltam a ser discutidos nos outros trabalhos da autora sob uma luz diferente.
Sweet Lovin’ Baby e outras histórias
Para quem é fã de Jazz, R&B, Funk e Black Music de todos os tipos, os mangás de Yamaji-sensei são um prato cheio de gostosuras. Isso se mostra óbvio principalmente pelo conto que começa esta coleção.
Sweet Lovin’ Baby não só é uma música deliciosa da Laura Nyro, como é uma história agridoce sobre uma menina e seu casal de amigas lésbicas. Os temas focados nesta história em particular voltam em Indigo Blue (que, se for para ser sincera, é meu mangá yuri favorito), mas de uma forma contrária à mostrada aqui.
Após isso, temos o prazer de ler uma história mais gentil chamada Rain is Falling, onde a personagem principal se encontra discutindo com uma completa e total estranha pequenos detalhes sobre si mesma, que ela nunca compreendeu. Prosseguindo, há o maior pesadelo de toda lésbica contemporânea no conto Doomed Love, cuja temática é revista em Free Soul (Em Nuances), e cujo final é tão verdadeiro quanto sincero.
A compilação termina com a muitíssimo ligeiramente safada Miyuki que, embora não seja a minha favorita nem de longe, é se não me engano, a primeira história lésbica escrita por Yamaji Ebine, e meio que a razão pela qual a sensei acabou escrevendo todas as outras.
Uma pequena consideração final: Espero mesmo que vocês gostem da indicação da semana. Para as que quiserem discutir as histórias mais a fundo, sintam-se livres para fazê-lo nos comentários ou, se preferirem, me mandem e-mails. Terei prazer em respondê-las o mais rápido possível.



Estudante de artes sequenciais e quadrinização no Canadá. Autora abcLES.
Coluna:









Então, baixei, li e adorei… Na verdade já havia visto outras histórias dessa autora. Por sinal achei “Free Soul” um dos mangás mais maduros que já li, sem aquele clichê de “oneesama”, etc e etc, que deixam a sensação de ausência de tempero na comida. Quem sabe não descubro outros por aqui?
Fico feliz que tenha gostado da seleção da semana. Dá próxima vez, só pra dar uma animada depois do draminha que rolou nessa edição, eu vou incidar algo mais alegre :3
E Free Soul é realmente maravilhoso, inclusive foi o primeiro mangá da Yamaji Ebine que eu li. Mais tarde ele aparece por aqui também entre outros, assim como Love My Life(que, por acaso, virou filme).
Quanto a esse não li o Mangá, mas vi o filme – e digamos que o achei fofinho.
Esperarei então.