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Talento para quê…

2 de agosto de 2010 por Danieli Hautequest  
Arquivado em Colunas, Destaques, Ménage à Quatre

2.016 leituras
10 comentários

Se posso copiar?

Lá está ela, em sua solidão criminosa, procurando na internet sua próxima vítima. Tantas, a escolha, às vezes, difícil. No entanto, em seu rosto, aquele sorrisinho ante o frisson do perigo, do errado, do tecnicamente encoberto.

Até que…

“Essa!”

O sorriso se abre totalmente.

Ah, realização!

É o sorriso da vitória. O sorriso de quem já imagina os elogios que irá receber e até mesmo as “fãs” que poderá vir cortejar usando seu status de “grande autora”.

É divertido?

A plagiadora acha, com certeza.

E a verdadeira autora? E as leitoras, que são capítulo por capítulo enganadas ao lerem algo de outra pessoa, elogiarem a “grande autora” errada?

Vocês acham graça de serem passadas para trás?

Creio que não.

Nem eu.

Imagino o que leva alguém a ter que suprir sua carência e falta de competência com o trabalho de outrem. Não tem dom para escrever? Seja uma boa leitora. Mas aí não se trata mais de literatura, já é questão de ego.

Pena?

Não tenho. Nenhuma.

Meu sentimento é a revolta.

Revolta quando penso na autora, a VERDADEIRA CRIADORA da obra, que passou horas, por vezes, meses, se dedicando à construção de personagens, detalhes, criando toda uma ambientação para seu roteiro. Que o escreveu com imenso apreço e carinho, para no final, virar objeto de plágio descarado.

Porque tem plagiadora, que além de ladra, é cara-de-pau, ou burra, ou ambos, vai entender. Não obstante surrupiar o texto alheio, nem se dá ao trabalho de mudar o título ou nome das personagens. Usa igualzinho. Fora a falta de caráter e talento, ainda é preguiçosa.

Foi o que aconteceu no episódio de plágio para com a Wind Rose, relatado aqui recentemente (http://bit.ly/drHepu). Tivemos dois acontecimentos ridículos no Dia dos Namorados, um usando um texto da Marta Medeiros (fala sério!), e outro, de um blog.

Semana passada, outro caso. Recebi uma suposta nova história. Ao ver o título, já fiquei em alerta. Bastou ler um parágrafo para se confirmar: plágio.

No Ritmo do Amor, da autora Karina Dias. Trabalho revisto, licenciado e publicado em livro pela Editora Malagueta, sob o título Aquele dia junto ao mar.

A plagiadora usou o mesmo título (No Ritmo do Amor). Contudo, disse a história se tratar de uma fanfiction de Rebeldes. Apenas trocou os nomes das personagens pelos dessa novela, o resto, igualzinho.

Gente, não bastasse toda a porcaria que é um plágio, a infeliz ainda me pega uma história licenciada. Vocês têm noção o rolo que isso dá? Aí a besta acha que está protegida pelo anonimato da internet. Sinto dizer que, para casos assim, judicialmente é permitida a quebra de sigilo com o provedor de internet. Resumindo, se a autora quiser, a polícia vai achá-la direitinho.

Excepcionalmente, temos os casos das plagiadoras “mais espertas”. Que não pegam uma história completa, mas sim, partes de diversas e vão montando a “sua”. Tivemos um tempo atrás um caso destes. Uma “suposta autora conhecida”, chupando, descaradamente, trechos de uma autora hiper famosa.

Na época, infelizmente, não estava à frente da seção de histórias e a coisa foi abafada. Sim, me arrependo de não ter resolvido isto. Só não me sinto pior com a situação, porque conversei com a REAL autora da obra que teve o trecho copiado, e fiz uma promessa de ficar de olho.

Então, “dona suposta autora”, fique esperta. Você pode ter mil fakes, tantos seus, quanto de suas supostas namoradas, agregadas e afins, mas se me der motivos para te caçar, acho “você”. Não venha mais de gracinhas como fez no Dia dos Namorados, porque não serei tão política. Suas histórias ainda estão no site, porque, além da autora que foi reconhecida, quais as partes usadas, você depois “arrumou”, não tive como verificar o resto.

No caso da Karina, ela foi avisada do ocorrido e tomou suas providências, assim como eu, que mandei uma resposta à “autora”.

O ABCLes incentiva e respeita a literatura. Sabe o quanto é trabalhoso a criação de um texto, o quanto a pessoa se doa. O quanto a autora, e somente ela, merece receber atenção pelo seu talento e esforço.

Fica aqui o recado. Não vou admitir plágio. Caso algum seja identificado, vou sim, tomar providências, e sendo necessário, vir a público.

Peço a colaboração de todas, autoras, leitoras. Na dúvida da autoria de algum texto, entrem em contato conosco, para que possamos verificar.

Gostaria de me desculpar pelo tom de desabafo na coluna. Mas sinceramente, estou cheia disto. Está virando moda? Aqui não!

Danieli Hautequest

MG. 33 anos. Diretora e Editora do Novo Prisma Editorial, Escritora, Colunista e Administradora do abcLES. Colunas: Editorial, Ménage à Quatre. [Perfil]

 

 

Comentários

10 comentários para “Talento para quê…”
  1. Chunli disse:

    Tsc, tsc, tsc… Plágio é feeeeeeio, suas meninas feias… Uma hora vocês serão descobertas, espertinhas.
    Típico de brasileiro: querer levar vantagem em tudo.

    Como disse a Kris é sempre bom fazer um registro na Biblioteca Nacional… Mas te roubar um dinheirinho, com certeza, mas vai garantir a sua autoria indiscutivelmente.

  2. Joice Rocha Joice Rocha disse:

    Haha :) Nossa…nunca tinha te visto tão nervosinha…*medo* :straight: Mas concordo com vc, tá tendo muita sacanagem alheia ultimamente por aí xD Ainda bem q existe a DH :love: pra dar uma cutucada geral né? u.u

    BJOS :kiss:

  3. Kriz Kriz disse:

    :sick: Pronto! Esse tipo de atitude me deixa sick, sick, sick. Quando tinha o blog, em diversas ocasiões, encontrava textos de minha autoria flanando pela net. Nunca proibi a publicação dos meus posts, mas sempre exigi – sim, exigi porque é meu direito – a citação do meu nome como autora.
    Para mim essa história de que obra que cai na net é obra de ninguém e de todos ao mesmo tempo é bullshit!
    É péssimo ser copiada na cara dura. Meus textos demoram – entre criação, revisão e finalização – uma semana para serem concluídos. O conto “A Feia” demorou três semanas. Fora toda as pesquisas, todo o empenho, toda a leitura, todo o investimento em livros, dicionários e cursos. Escrever não é um milagre. Não sei quanto às outras autoras, mas não acende uma lâmpada em cima da minha cabeça e baixa uma parcela de inspiração. É muita, mas muita transpiração mesmo. Por isso não admito cópias.
    Entretanto, todos os meus textos estão registrados na Biblioteca Nacional.
    Ai, fico fora de mim com esse papo! xD Sorry!
    Mas quem é autor de verdade fica puto mesmo. Dou por encerrado o meu discurso. Desculpe a alteração Dani & meninas.
    Bye! 8)

  4. lu_as lu_as disse:

    Não me imagino vivendo sem a “world wide web” e todas as possibilidades, recursos e facilidades que ela trouxe. Infelizmente, como tudo na vida, se por um lado abriu portas para uma infinidade de coisas super bacanas, também pode/é usada para o mal.

    A Danieli esta muito certa, não pensem que o anonimato é assim tão anônimo ou seguro. Ao mesmo tempo que a suposta “esperteza” de tentar passar os outros para trás evoluiu, também evoluiu a “esperteza” de controlar, rastrear, identificar e chegar aos criminosos que por aqui atuam (BTW, plágio é crime, se isso ainda não ficou claro…).
    Felizmente assim como evouiu a jurisprudência. Lembro de uma disciplina da faculdade “Informática e Direito” e como era incipiente o uso de provas da internet, há 10 anos atrás um email/web page não seria considerado prova válida, bem diferente de agora!

    Olho vivo, e sempre alerta! Apesar de tudo, encobrir um crime ainda é a “solução” mais INeficiente…
    Parabéns DH, por mais um excelente texto/desabafo e por seu inquieto espírito de justiça! :wink:

  5. Angel Angel disse:

    Olha, Danieli… o que você chama de desabafo eu vejo como revolta. E com total razão, viu…
    Acompanhei o caso da Wind, fiquei revoltadissima… agora saber da Karina, a revolta aumenta mais ainda.
    Pra quem não sabe, “no ritmo do amor” ou “aquele dia junto ao mar” é uma das mais belas historias já publicadas, independente de ser em net ou em publicação tradicional, não é só uma historia de amor, mas sim uma historia de dedicação da autora que gerou e colocou no mundo “seu filho”, assim como tantas outras autoras que dedicam seu tempo para nos presentear com historias brilhantes.
    É revoltante saber que tem “autoras” surrupiando trechos de contos e tentando postar aqui.
    Danieli, acho que em próximos acontecimentos, deve-se, SIM, dar nome aos bois, para que possamos saber quem anda agindo de má fé com as autoras e quem está tentando nos enganar.
    Não se desculpe pelo tom Danieli, nós que estamos do lado de cá, muitas vezes, não temos a mínima idéia do que está acontecendo.
    Em respeito a tod@s que passam por aqui, nao vou dividir meus palavrões…
    Maravilhosa coluna, você está de parabéns em seu desabafo ou revolta.

  6. Post bafônicooooooooooooooooooooo!
    Que descaramento! Que feio! Que coisa baixa! :evil:
    Muito sem noção copiar o que outra pessoa escreve e não identificar a autoria. Muita falta de caráter isso! :bandit:
    Fazer citação, paráfrase, intertextualidade é uma coisa, mas copiar, ipsis litteris, o q outra pessoa escreveu é golpe baixo, é muita sujeira.
    Absolutamente ninguém nasceu sabendo escrever, e o caminho é árduo. É preciso muita leitura primeiro, bagagem pra poder escrever. E construir personagens, consciências – como diria Bahktin-, enredo, cenários… É preciso criar outro mundo e outro universo por meio de palavras. E isso dá sim muito trabalho.
    Aí vem uma “bunita”, ctrl c + ctrl v, e ainda quer assinar o nome dela?! Fail total.
    Ficarei de olho tbm, super chefa!
    Hum :ninja:

  7. Como escritora (pseudo-escritora na verdade) sou total apoio a vir a público sempre que um caso desses ocorrer!!

    Se não tem dom, nem talento, leia! Ainda existe a técnica e a prática pra voce tentar! Agora usar do talento dos outros? Além de ser crime é falta de respeito com quem le!

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