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	<title>ABCLes - Literatura Lésbica: Sonhar, amar sem medo, viver do nosso jeito</title>
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		<title>O amor que ousa dizer o nome: O poder de um discurso</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 01:54:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Brunella França</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Barack Obama, presidente da nação considerada a mais democrática do mundo (e a mais poderosa também), declarou na última quarta-feira (9 de maio), que é a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. De imediato, o assunto se tornou um dos mais comentados em todo o mundo. Minha reação foi de surpresa e alegria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/05/chamada_discurso.jpg" alt="" width="470" height="200" /></p>
<p>Barack Obama, presidente da nação considerada a mais democrática do mundo (e a mais poderosa também), declarou na última quarta-feira (9 de maio), que é a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. De imediato, o assunto se tornou um dos mais comentados em todo o mundo. Minha reação foi de surpresa e alegria – imensas!</p>
<p><img class="alignleft" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/05/discurso2.jpg" alt="" width="307" height="204" />Mesmo para o país que se vangloria de exportar a liberdade como <em>commodity</em>, não era possível imaginar uma declaração desse porte da boca de seu presidente. A declaração ganha ainda mais peso quando contextualizamos o cenário político nos Estados Unidos: corrida presidencial. Obama tentará a reeleição em novembro.</p>
<p>O partido republicano está finalizando a escolha de seu candidato para enfrentar o primeiro presidente negro daquela nação. Mitt Romney, o mais cotado, recusa sumariamente o apoio ao casamento entre iguais. Com um discurso bem semelhante ao do Partido Socialista Cristão no Brasil, o pré-candidato afirma, numa visão muito próxima a dos religiosos, que casamento é entre um homem e uma mulher.</p>
<p>Em uma entrevista à emissora norte-americana ABC, Barack Obama descreveu sua posição como uma &#8220;evolução&#8221;, baseada em conversas com membros de sua equipe, funcionários abertamente LGBTs e até mesmo com sua mulher e filhas.</p>
<p>&#8220;Devo dizer que ao longo de anos eu venho falando com amigos, família e vizinhos e, quando eu penso em membros da minha própria equipe que estão em relações monogâmicas homossexuais, que estão criando crianças juntos, quando eu penso em soldados, pilotos, fuzileiros ou marinheiros que estão lutando em nosso nome e ainda se sentem constrangidos, mesmo agora quando a <em>Don&#8217;t Ask Don&#8217;t Tell</em> (política que proibia pessoas abertamente gays nas Forças Armadas) já não existe, porque não podem assumir suas relações, eu chego à conclusão que para mim pessoalmente é importante seguir e afirmar que casais do mesmo sexo devem poder se casar&#8221;, disse o presidente em entrevista ao programa <em>Good Morning America</em>.</p>
<p>A declaração de Obama, como não poderia deixar de ser para um político que é candidato à reeleição para o mais alto cargo do poder executivo de um país, foi planejada. A divulgação de uma foto de um cartaz no <em>Instagram</em> oficial da campanha de Obama mostra que o casamento gay era uma bandeira prevista pelos Democratas. Em tradução livre, o cartaz anuncia: &#8220;todo e qualquer americano (gay, hétero, lésbica, bissexual e transgênero), todo e qualquer americano merece ser tratado de forma igual, pelos olhos da lei e da sociedade. Essa é uma proposta muito simples. Barack Obama&#8221;.</p>
<p><img class="alignleft" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/05/discurso3.jpg" alt="" width="358" height="235" />É claro que o apoio de Obama ao casamento igualitário tem caráter de interesse eleitoral. Segundo analistas da sociedade estadunidense, a percepção pública do casamento entre gays está evoluindo mais rapidamente que qualquer outro tema político nos Estados Unidos. Uma pesquisa do jornal The Washington Post mostra que em 2008, apenas 36% dos americanos apoiavam a legalização do casamento entre gays, contra 55% no último estudo.</p>
<p>Além disso, 15% do eleitorado de Obama – e doadores de sua campanha – são lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgênros. Menos de 90 minutos após a declaração, a campanha ganhou mais de um milhão de dólares de doações e o apoio de vários artistas de Hollywood, como o ator George Clooney que parabenizou o presidente pela declaração e promoveu um jantar que arrecadou mais 15 milhões para a campanha de Obama.</p>
<p>Apesar de todo esse cenário, Obama diz ter agido com base em princípios e não visando à eleição. E suas ações em prol dos direitos LGBTs nos EUA podem sustentar o que o presidente diz. Sob seu governo, os EUA têm avançado nas políticas em benefício dos homossexuais. O presidente acabou com o <em>Don&#8217;t ask, don&#8217;t tell</em>; assinou a lei criminalizando a homofobia no país; concedeu direitos de visita a casais LGBTs em hospitais; aboliu a proibição de portadores de HIV de viajar ao exterior; passou a reconhecer LGBTs e casais homossexuais nos dados do censo e expandiu a ajuda humanitária a LGBTs nas ações internacionais.</p>
<p>Seu discurso, portanto, mostra a coragem na defesa de bandeiras sociais, além de coerência política de um presidente que se elegeu sob o slogan “<em>Yes, we can</em>!”, proclamando a igualdade e prometendo mudanças para os estadunidenses.</p>
<p><strong>Enquanto isso, no Brasil&#8230;</strong></p>
<p>Naquele que é a maior economia da América do Sul e já a oitava economia no mundo, o cenário é de conservadorismo reacionário, quando o discurso homofóbico encabeçado por entidades religiosas e reverberado em pleno Congresso Nacional de um Estado Laico por parlamentares da bancada cristã ganha as ruas reproduzidos por “fiéis” orgulhosos de seguirem “a verdade”.</p>
<p><img class="alignleft" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/05/discuro4.jpg" alt="" width="358" height="267" />Não são poucos os parlamentares tanto na Câmara quanto no Senado a transformarem aquele que deveria ser um espaço dedicado ao estudo e aprimoramento das leis de nosso país e à fiscalização do Executivo em púlpito fundamentalista. Esses políticos propõem leis cristãs antidemocráticas (andam difundindo o slogan “Constituição Não, Bíblia Sim”), querem criar um órgão que seja capaz de anular decisões do Supremo Tribunal Federal, perseguem minorias sexuais e religiosas e até mesmo cantam hinos de louvor na Câmara.</p>
<p>Tudo isso contribui para que o Brasil seja um dos países mais homofóbicos do mundo, segundo estudo da ONU. E é o país onde mais se mata por ódio à diferença e onde a taxa de suicídio entre adolescentes LGBTs é uma das mais altas. Os números crescem a cada ano. E o que ouvimos da presidenta Dilma Rousseff? Silêncio.</p>
<p>Um silêncio constrangedor quando temos a Argentina, logo aqui do lado, considerado um dos países mais católicos do mundo, caminhando a passos largos em direção à cidadania plena a tod@s. O casamento civil entre iguais já foi aprovado por lá desde 2009 e este ano o Congresso argentino aprovou a lei de identidade de gênero.</p>
<p>Além disso, o Ministério da Educação e o Instituto Nacional contra a Discriminação, a Xenofobia e o Racismo (INADI) mostraram ação exemplar com material sobre LGBTs para instituições de ensino. O guia explica aos alunos que existem famílias com formações diferentes – com dois pais, duas mães, ou apenas um pai e uma mãe. A intenção do governo argentino é reduzir os casos de bullying nas escolas.</p>
<p>Há pouco tempo, o Chile aprovou sua lei anti-homofobia após a ampla divulgação de um assassinato brutal de um jovem gay naquele país.</p>
<p><strong>Ousar é preciso</strong></p>
<p>Pois bem, em pesquisa realizada em meados de 2011, depois de toda a fúria teocrata das eleições de 2010, antes de qualquer campanha educativa, sem nenhuma discussão do assunto nos meios de comunicação de massa, em plena neura acerca do misterioso “poder” de uma bancada religiosa que reúne pouco mais de 10% da Câmara (e menos de 10% do Senado), quase a metade da população brasileira (45%) apoiava a união estável para homossexuais aprovada pelo STF.</p>
<p><img class="alignleft" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/05/discurso.jpg" alt="" width="396" height="256" />Pergunto-me então se nossa presidenta sai do armário e faz uma declaração semelhante à de Obama ou se posiciona de acordo com seu cargo, como faz sua colega Cristina Kirchner na Argentina, qual seria esse percentual de aprovação? E se as lideranças da chamada esquerda resolvessem realmente liderar uma campanha de esclarecimento sobre o assunto? Já pensaram no que aconteceria se o governo de fato tomasse iniciativas que garantam direitos iguais para LGBTs fundamentando-as com remissão sistemática ao texto da Constituição Federal, que estabelece a igualdade de todos perante a lei?</p>
<p>O prestígio atual e a história da presidenta Dilma conferem a ela a obrigação de iniciar a conversa sobre o tema. Não dá para voltar atrás ou se manter calada, omissa, por não querer melindrar uma bancada à qual nem mesmo pertence. Parece que no Brasil só existem dois assuntos: corrupção e economia. Economia e corrupção. E dane-se o resto.</p>
<p>Nos EUA, o primeiro presidente negro e idealista está fazendo @s jovens LGBTs andarem de cabeça erguida e as mães e os pais LGBTs saírem à luz do dia com um sorriso no rosto. E a primeira presidenta do Brasil e ex-prisioneira política, começará a combater o preconceito quando?</p>
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		<title>A homofobia e a negação ao mais fundamental dos direitos: à vida</title>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2012 01:34:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Brunella França</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O diagnóstico é triste: ainda vivemos num país em que é preciso lutar para ter direito aos direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal. Sim, precisamos ainda lutar para sermos lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais num país que assiste, impassível, ao assassinato de 272 pessoas LGBTs só em 2011. Uma a cada 36 horas, de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/05/chamada_direito.jpg" alt="" width="470" height="200" /></p>
<p>O diagnóstico é triste: ainda vivemos num país em que é preciso lutar para ter direito aos direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal. Sim, precisamos ainda lutar para sermos lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais num país que assiste, impassível, ao assassinato de 272 pessoas LGBTs só em 2011. Uma a cada 36 horas, de acordo com o Grupo Gay da Bahia, e o Brasil ainda considera que homofobia não é crime.</p>
<p>Os prognósticos para 2012 são ainda piores. Nas primeiras 10 semanas deste ano, o GGB contabiliza 75 assassinatos motivados pela (homo)sexualidade da vítima. Isto é, uma pessoa morta a cada 24 horas.</p>
<p>As atitudes do Congresso Nacional e o silêncio da Presidenta Dilma Roussef em relação aos direitos a pessoas LGBTs emitem uma mensagem muito clara para nós: no Brasil, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais não têm direito. Nascer “LGBT” é nascer mort@, porque a cidadania não nos acolhe. Nascer “LGBT” é nascer insegur@, pois a cada instante podemos nos deparar com algozes prontos a usar de violência contra nós e até mesmo nos matar.</p>
<p>Entre adolescentes e jovens LGBTs, a taxa de suicídio é a mais alta do Brasil. São 1.056 adolescentes e jovens entre 12 e 25 anos que se matam por ano, vítimas de falta de amor e respeito, rejeitad@s por uma sociedade que lhes diz que elas e eles são anormais, pecadores e tantas outras barbaridades. O suicídio chega como solução para o sofrimento de não ser acolhido na família, na turma da escola, na sociedade.</p>
<p>Há séculos, enterramos noss@s amig@s, noss@s parceir@s, noss@s filh@s e familiares inocentes, vítimas da ignorância e da impunidade perpetrada pelos parlamentares deste país. Não temos assegurado sequer o direito fundamental à VIDA, já que é legítimo que sejamos assassinad@s por sermos LGBTs.</p>
<p>É triste, muito triste, e chega a doer saber que pela coragem de sairmos do armário, pela audácia de viver em sociedade, pela ousadia de conquistar um lugar ao sol para nós, também nos tornamos alvos visíveis de uma violência que vai da chacota, passa pela agressão física e causa morte.</p>
<p>Ainda assim, nossas manifestações são pacíficas e, no próximo dia 16, marcharemos em Brasília reivindicando nossos Direitos. Nada que seja de merecimento como se fosse honra ao mérito, ou algo que estamos suplicando ou querendo alcançar, mas DIREITOS a que TEMOS direito desde que nascemos.</p>
<p>Não vale a pena ter uma vida em que o mais importante de nós precise respirar nas sombras. Não vale a pena viver escondendo as verdades que mais nos importam sob uma máscara que nos torne pessoas planas e palatáveis para que sejamos “inserid@s” e “aceit@s” numa sociedade altamente heterossexista. Do contrário, viveremos uma mentira.</p>
<p>Não precisamos de aceitação alheia e tolerância. Aceitar é concordar com algo, é consentir. E não precisamos consentimento. Não precisamos porque SOMOS LGBTs. E ninguém precisa concordar que sejamos porque isso faz parte da nossa essência, não depende de nenhum fator externo. E tolerar é ter paciência com algo, é ser indulgente. E não queremos indulgência. Não precisamos de indulgência.</p>
<p>Exigimos nosso DIREITO À VIDA, nosso DIREITO A AMAR, nosso DIREITO A CASAR com quem quisermos. Nada mais do que já é assegurado às pessoas heterossexuais neste país. Não existem “direitos gays”, mas direitos humanos. Não há um desejo de sermos considerad@s uma classe privilegiada, mas de sermos tratados com igualdade de direitos e deveres.</p>
<p>A III Marcha Nacional contra a Homofobia tem como tema “Homofobia tem cura: Educação e criminalização”. E no dia 16 de maio, tod@s estão também convidados a participar de outra forma: usar no twitter a tag #OCUPAPLANALTO. Nossas vozes são muitas. E se o mundo quiser nos mastigar, que mastigue. Mas mastigará carne, não um cupcake!</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Cartaz.jpg" alt="" width="480" height="264" /></p>
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		<title>O amor que ousa dizer o nome: Sou um ser humano, não uma condição!</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Apr 2012 23:49:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Brunella França</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Qual a diferença d@s outr@s que não a diferença que vem de nós? A cada qual a distinção, mas a tod@s a mesma referência. Há um brilho límpido e humano na ânsia de tantas vidas, entre ensaios da natureza e o aroma das flores. Há a força que vem do íntimo e uma sensibilidade suprema [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left"><img class="aligncenter" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/04/chamada_condicao.jpg" alt="" width="470" height="200" /></p>
<p>Qual a diferença d@s outr@s que não a diferença que vem de nós? A cada qual a distinção, mas a tod@s a mesma referência. Há um brilho límpido e humano na ânsia de tantas vidas, entre ensaios da natureza e o aroma das flores. Há a força que vem do íntimo e uma sensibilidade suprema entre a razão e a sensatez. Há o caminho da vida, e o que nele se representa como símbolo de Humanidade.</p>
<p>Ninguém disse (ou deve dizer) que viver seria fácil. Mas não consigo entender o prazer sádico que parece haver em certas pessoas de desqualificar a vida de outras pessoas. É absolutamente comum no meio social uma pessoa ser percebida por suas qualidades e defeitos. A partir do momento, porém, que essa pessoa se assume lésbica, gay, bissexual, travesti ou transexual, ela passa a ser apenas isso.</p>
<p>Situação hipotética (mas que eu já presenciei algo bastante semelhante): <em>happy hour</em> num barzinho, bebida gelada, papo animado entre colegas de trabalho. De repente, alguém diz: “Sabe @ fulan@? É gay!” Depois do silêncio, a mesa se divide entre @s completamente surpres@s e @s que “sempre tiveram certeza, estava na cara que era”.</p>
<p>Então alguém pergunta: “Mas por quê? O que levou fulan@ a isso?” E começa a rodada de especulações: “A culpa é da mãe repressora” ou “Ele foi violentado pelo pai”. “Nunca brincou de boneca quando era criança” (se for mulher) ou “Não gostava de futebol” (se for homem). “É genético, desde pequena tinha trejeitos masculinizados” (se for mulher) ou “É genético, desde pequeno tinha trejeitos afeminados” (se for homem). “Só é gay porque está na moda”.</p>
<p>O discurso posto, e que encontra ressonância em vários estratos da sociedade, diz que a homossexualidade é um comportamento, algo que pode ser ensinado, moldado ou culturalmente fabricado. E esse vem sendo um dos principais argumentos utilizados por aqueles que defendem a não criminalização da homofobia.</p>
<p>“Sem dúvida, avançamos muito na luta contra o racismo, mas não o extirpamos totalmente. Hoje, pelo menos, sabemos que não se deve discriminar ninguém e é de mau gosto alguém se proclamar racista. Mas nada disso existe no que se refere a gays, lésbicas e transexuais. Quanto a eles, podemos desprezar e maltratar impunemente. Eles são a demonstração mais reveladora de quão distante boa parte do mundo ainda está da verdadeira civilização”, Mario Vargas Llosa, escritor, jornalista e prêmio Nobel de Literatura.</p>
<p><img class="alignleft" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/04/condicao1.jpg" alt="" width="320" height="224" />O entendimento d@s homofóbic@s (religios@s ou não) diz que a sexualidade é uma decisão tomada pela pessoa durante a puberdade e que pode ser mudada a qualquer tempo através de oração e aconselhamento. Segundo essas pessoas, o &#8220;comportamento&#8221; homossexual é passível de se tornar um vício e abandoná-lo, muitas vezes, é muito difícil.</p>
<p>Esta noção totalmente é falha. Se existem homossexuais que não se aceitam por terem incutido dentro de si o medo de um castigo divino ou sei lá o que, e sofrem por isso, seria um absurdo dizer que permanecem neste estado de sofrimento por mera opção. A partir do momento em que o indivíduo se aceita e percebe que a homossexualidade faz parte de si, este sofrimento íntimo acaba. O que não acaba é a dor da rejeição que ocorre muitas vezes, mas então é um problema externo, com as pessoas à sua volta.</p>
<p>Muitos que acreditam ser a sexualidade definida por mera escolha pessoal afirmam que a homossexualidade é uma doença, igual ao alcoolismo (por isso mesmo insistem em usar o termo homossexualismo). Mas isto parece muito improvável, pois a homossexualidade existe sem uma causa externa e sem motivação dada por outras pessoas (a ciência NUNCA conseguiu determinar nada nesse sentido).</p>
<p>Também alegam que se trata de um comportamento negativo considerado como “pecado”, de acordo com a doutrina cristã. Mas a explicação que recebi sobre o que é “pecado” diz que este se configura sempre que se comete um ato que ofende @ próxim@ e, por conseguinte, ao deus cristão.</p>
<p>Se é assim, como pode uma pessoa que se assume homossexual estar prejudicando @ próxim@? O fato de alguém ser lésbica, gay, bissexual, travesti ou transexual não pode prejudicar outro ser a menos que essa pessoa tenha um tipo de neurose mal resolvida e veja pecado em todas as direções que volte seu olhar. Ser homossexual é uma questão que diz respeito ao próprio indivíduo e não a outr@s!</p>
<p>Se a homossexualidade fosse uma questão de escolha pessoal, eu não escolheria um modo de vida que me expõe diante de tanta hostilidade, discriminação, perda e sofrimento. Ninguém “opta” ou “escolhe” ser rejeitad@, discriminad@ e tratad@ com desprezo.</p>
<p>Assim como @s heterossexuais, @s homossexuais PERCEBEM sua sexualidade no decorrer do processo de amadurecimento pessoal, não sendo &#8220;levad@s&#8221; a isso ou sequer &#8220;optando&#8221; pela sexualidade que aflora de seu íntimo. A única escolha presente na vida de pessoas LGBTs está em viver ou não suas vidas de forma transparente ou aceitar os padrões rígidos exigidos pela sociedade que quer nos obrigar a uma vida oculta.</p>
<p><img class="alignleft" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/04/condicao2.jpg" alt="" width="261" height="261" />Modificar a sexualidade de alguém, portanto, não quer dizer apenas modificar seu comportamento sexual. Para isso, seria necessário alterar os sentimentos e emoções da pessoa, sejam românticos ou sexuais, e reestruturar o seu conceito próprio como pessoa e sua identidade social.</p>
<p>E não existe “cura gay” simplesmente porque homossexualidade não é uma doença, mas uma expressão de humanidade.</p>
<p>O que vivemos hoje é uma situação de pseudo-aceitação da sociedade patriarcal, cristã e heterossexista. É claro que podemos ser LGBTs, mas desde que nos limitemos ao lugar de cidadãs e cidadãos de segunda categoria, que temos os mesmos deveres d@s heterossexuais, mas menos direitos e as vozes caladas. Ah, e que não manifestemos o nosso afeto em público porque “as pessoas não estão preparadas”. Agora, se for sexo explícito entre uma mulher e um homem, tudo bem.</p>
<p>O pano de fundo dessa questão é o desrespeito aos direitos humanos, fruto de uma sociedade que insiste em instituir categorias de sujeit@s legitimad@s como dign@s de respeito e prestígio, enquanto outr@s podem ficar à mercê de todo tipo de preconceito, discriminação e até violência que pode culminar com a morte.</p>
<p>E para aquelas pessoas que insistem em alertar sobre a instauração de uma “Ditadura Gay” no Brasil, questiono: alguém já ouviu falar em “Bancada LGBT”? Televisão LGBT? Rádio LGBT? Ministro LGBT? Então, como pode ser gay a ditadura que, perigosamente, vem sendo instaurada neste país?</p>
<p>Eu sei quem EU SOU. Tudo o mais são suposições sobre as quais nunca me questionaram. O meu passo é firme e há de ser livre. E a minha vida tem a cor e a consistência da Humanidade.</p>
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		<title>O amor que ousa dizer o nome: Sou homossexual, alguém me ajude!</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Mar 2012 01:55:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Brunella França</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sou homossexual, sofro agressão, sinto que ninguém gosta de mim e a única solução é morrer‏ Peço a vocês que leiam atentamente a carta que reproduzo abaixo e que eu gostaria imensamente que fosse fictícia, mas não é. “Oi, meu nome é Cristhiano Teixeira, tenho 15 anos e estudo na escola estadual Onofre Pires em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/03/chamada_socorro.jpg" alt="" width="470" height="200" /></p>
<h3><strong>Sou homossexual, sofro agressão, sinto que ninguém gosta de mim e a única solução é morrer‏</strong></h3>
<p>Peço a vocês que leiam atentamente a carta que reproduzo abaixo e que eu gostaria imensamente que fosse fictícia, mas não é.</p>
<p><em>“Oi, meu nome é Cristhiano Teixeira, tenho 15 anos e estudo na escola estadual Onofre Pires em Santo Angelo – RS. Comecei a estudar lá esse ano no primeiro ano do ensino médio, desde que comecei a estudar lá venho sofrendo bullying por quase toda a turma e inclusive por parte de alguns professores. Quando perguntei a minha professora de geografia por que ela não fazia nada enquanto eu sofria agressões verbais, ela disse ‘a aula é uma democracia’. Eu venho sendo agredido desde que me assumi gay, alguns alunos estavam simulando sexo oral e anal em um ursinho de pelúcia e me chamando de viado, viadinho, gayzinho, chupa rola, pau no cú entre todas as ofensas possíveis. E hoje durante a aula de física um colega de classe veio me xingando e perguntando se eu queria apanhar porque era viado, e eu respondi: eu não tenho medo de você, e na saída ele disse ‘se você não tem medo de mim, vai levar facada pra aprender’. No final da aula eu falei pra minha professora pra ficar um tempo a mais durante a aula, ela nem fez conta, eu não levei a sério, e saí da escola normalmente. Fiz uma menção a ficar mais tempo pra ajudar a professora (mas ela me ignorou e fez que não ouviu). Eu sofri bullying na outra escola que eu estudei pelo mesmo motivo: CORAGEM DE DIZER QUEM SOU. Na saída, meu colega de turma veio em minha direção e gritou ‘VOCÊ NÃO TEM MEDO DE MIM?’ e fez que ia tirar uma faca do bolso e eu peguei uma lápis da minha mochila pra me defender (agora eu percebi que foi uma ideia idiota), e ele deu uma rasteira e me derrubou no chão (era no asfalto) e quebrou meu lápis, depois ele me segurou e começou a me chutar e a me dar socos. Metade da turma viu e ninguém fez nada. Isso foi de dia, à tarde e no centro, muita gente viu e saiu do comércio pra me ajudar e para separar a briga (não sei se fariam o mesmo se soubessem o que eu sou). A diretora estava chegando e ela viu eu apanhando e ela me ajudou (tem professoras que são legais, mas tem algumas que são maldosas). Ela me acudiu e também outras professoras do turno da tarde (que não sabiam que eu era gay) viram e me ajudaram, e me levaram para delegacia para eu fazer B.O. Eu cheguei muito assustado e nem disse que eu sou gay (SEI QUE TALVEZ SE EU TIVESSE DITO NINGUÉM TERIA DADO ATENÇÃO), cheguei lá chorando e humilhado. Eu tenho medo que aconteça alguma coisa comigo, eu queria que alguém me ajudasse! Antes que eu virasse mais um nas estatísticas de LGBT mortos. Às vezes eu sinto que ninguém gosta de mim e que a única solução pra mim é me matar. POR FAVOR, ALGUÉM ME AJUDA!”</em></p>
<p><img class="alignleft" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/03/Homofobia3.jpg" alt="" width="312" height="315" />É competência do Estado garantir os Direitos Humanos a tod@s, independente de crença, baseados na liberdade individual e no que há de mais moderno no mundo em relação a estes direitos. Como esperar que a discriminação contra LGBTs cesse, se não ensinamos às gerações que aí estão e que virão a beleza da diversidade entre as pessoas?</p>
<p>Como esperar a discriminação contra LGBTs cesse num país em que a presidenta da República se diz contra o kit homofobia nas escolas porque não se pode “fazer propaganda de opção sexual” (sic) e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirma que não acredita na educação contra a homofobia?</p>
<p>Como exemplifica a carta acima, a homofobia é real. Tão real quanto o preconceito aos afrodescendentes (para utilizar o termo politicamente correto) e o preconceito contra as mulheres. A homofobia basicamente diz que os homossexuais são diferentes dos heterossexuais e, por isso, são inferiores aos heterossexuais e devem se manter distantes pois, devido a essa inferioridade ou diferença, trazem problemas aos heterossexuais, como por exemplo, promiscuidade, doenças venéreas, perversidade e outros argumentos pseudocientíficos. Essa é a ideia por trás da homofobia.</p>
<p>E muitas pessoas levam isso ao extremo, ao ponto de querer fazer, em pleno século XXI, as mesmas coisas que os nazistas faziam com LGBTs, judeus e ciganos e com praticamente qualquer pessoa que não fosse ariana: uma “limpeza étnica”, que resultou no holocausto. Temos “pessoas” (me recuso a acreditar que quem faça algo assim seja uma pessoa, mas tudo bem) que realmente preferem ver homossexuais mortos a ver-nos pelas ruas ou convivendo com seus filh@s. E justificam essa raiva com discursos como: “é antinatural”, “é contra a lei de Deus”, e outras baboseiras preconceituosas.</p>
<p><strong>Homofobia estatizada</strong></p>
<p>Mais uma temporada cheia de novas agressões a nós, lésbicas gays, transexuais, travestis e transgêneros. O fato mais triste é que a maioria deles veio do Governo Federal. Nas últimas semanas, assistimos ao veto ao vídeo de campanha de prevenção à AIDS voltado a LGBTs e, a cereja do bolo, deparamo-nos com um texto homofóbico, conservador e cheio de equívocos contra o PLC 122 postado num portal oficial do Partido dos Trabalhadores (leia aqui: <a href="http://bit.ly/zjpfU5">http://bit.ly/zjpfU5</a>).</p>
<p><img class="alignleft" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/03/Homofobia6.jpg" alt="" width="298" height="274" />O artigo, publicado pelo jornal Folha de São Paulo, é bem escrito e quase convincente. Aliás, é quaaase sustentável a vinculação de Oscar Wilde, que a essa altura deve estar se debatendo no túmulo pela apropriação infeliz do artigo para a construção de um raciocínio que escorrega, feio, ao negar, sobretudo, a realidade da experiência da homossexualidade.</p>
<p>João Pereira Coutinho, o autor do texto em questão, afirma que “é perfeitamente legítimo que um heterossexual não goste de homossexuais. Como é perfeitamente legítimo o seu inverso&#8221;. Não posso deixar de pensar que racistas pensem de forma semelhante. Oras, por que não posso odiar negros? Por que não posso odiar mulheres? Por que não posso odiar índios?</p>
<p>Há algo de inquestionável nisso tudo: o debate sobre a discriminação em razão da sexualidade vai muito além da defesa do respeito à honra e à dignidade do ser humano. Estamos falando de uma cláusula pétrea da Constituição Federal e dos Direitos Humanos: o direito à VIDA.</p>
<p>É também um debate sobre o direito à liberdade de nós, LGBTs, expressarmos nosso afeto em locais públicos sem sermos importunad@s, ameaçad@s, agredid@s ou mesmo mort@s. A lei como mecanismo para acionar a intervenção do Estado neste tipo de intolerância é a única forma que uma sociedade não evoluída possui como recurso para assegurar a proteção de seus indivíduos, sobretudo a física.</p>
<p>Se fosse diferente, não precisaríamos de leis como a número 11.340, decretada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Conhecida como Lei Maria da Penha, entrou em vigor no dia 22 de setembro de 2006 e, um dia depois, levou o primeiro agressor para a cadeia, depois de uma tentativa de estrangular a ex-esposa.</p>
<p><strong>O que faltou dizer</strong></p>
<p>Resumidamente, homofobia é um receio irracional ou aversão às pessoas LGBTs, sendo um preconceito análogo ao racismo, à xenofobia, ao antissemitismo, ao sexismo, e se manifesta por meio de discursos de ódio, incitação à discriminação, violência verbal, psicológica e assassinatos.</p>
<p><img class="alignleft" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/03/Homofobia1.jpg" alt="" width="334" height="500" />Juridicamente, a homofobia é toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em sexualidade ou identidade de gênero que tenha por objeto ou resultado anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício em um mesmo plano (em igualdade de condição) de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida pública.</p>
<p>Do ódio para a ação, para a violência e o assassinato não resta sequer um passo. Se pretender criminalizar a homofobia é errado, porque não gostar &#8220;deles&#8221; é aceitável, então vamos logo legalizar o Partido Nazista e importar a Klu Klux Klan, afinal, ter ódio é legítimo e somos todos &#8220;adultos&#8221; para entender a diferença entre odiar e agir baseados pelo ódio&#8230; Não?</p>
<p>Não. O Brasil é o líder do ranking mundial de mortes de homossexuais em crimes violentos e de natureza homofóbica. E esta discriminação é apenas a ponta de um iceberg de crimes de preconceito e de intolerância que não chegam à luz da justiça.</p>
<p>Há diversos agressores de LGBTs impunes (inclusive homofóbicos que incitam e reproduzem o discurso do ódio no Congresso Nacional) e isso é um desrespeito a tod@s que desejam viver em uma sociedade mais justa e de direitos. Nada apaga o fato de que antigamente e ainda hoje a homossexualidade (o ser e suas práticas afetivo-sexuais e não apenas estas) é criminalizada.</p>
<p>Por isso o PLC 122 é tão necessário. Por isso é urgente oferecer em escolas públicas e particulares uma educação que combata o preconceito e a discriminação. Só assim estaremos agindo para transformar o Brasil num país que, de fato, promova o “bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação“, como está redigido em nossa Constituição.</p>
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		<title>Diálogo De Um Casal Apaixonado: A Atenção</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Mar 2012 23:30:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leticia Ferrari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogo De Um Casal Apaixonado]]></category>

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		<description><![CDATA[— Amor, o que está fazendo? — Estou lendo. — O quê? — Um artigo que meu chefe me mandou por e— mail. — E fala sobre o que? — Está mesmo interessada? — Se estou perguntando, é óbvio que sim. — Bom, o artigo fala sobre algumas leis que&#8230; — Que coisa chata! Por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/03/chamada_atencao.jpg" alt="" width="470" height="200" /></p>
<p>— Amor, o que está fazendo?</p>
<p>— Estou lendo.</p>
<p>— O quê?</p>
<p>— Um artigo que meu chefe me mandou por e— mail.</p>
<p>— E fala sobre o que?</p>
<p>— Está mesmo interessada?</p>
<p>— Se estou perguntando, é óbvio que sim.</p>
<p>— Bom, o artigo fala sobre algumas leis que&#8230;</p>
<p>— Que coisa chata! Por que não lê algo divertido?</p>
<p>— Amor, isso é para o trabalho. É coisa séria.</p>
<p>— Podia ser ao menos interessante.</p>
<p>— Mas ele é interessante.</p>
<p>— Pra você que é advogada!</p>
<p>— &#8230;</p>
<p>— O quê?</p>
<p>— Esquece. Vou continuar.</p>
<p>— Não consegue ler e falar comigo ao mesmo tempo?</p>
<p>— Consigo, mas se for para ficar ouvindo suas baboseiras, prefiro ficar apenas com o texto.</p>
<p>— Grossa!</p>
<p>— Qual é, amor?</p>
<p>— Só estou aqui querendo um pouco de atenção.</p>
<p>— Quer um pouco de atenção? É só pegar um pacote de bolacha recheada no armário e chamar os cachorros.</p>
<p>— Você sabe que quero evitar que eles comam porcarias.</p>
<p>— Então, eles precisam de novas donas.</p>
<p>— Você quer dizer dona, não é? Porque é você quem dá coisas gordas para eles!</p>
<p>— Mentirosa! Você sim que vive dando as sobras para eles, porque acha que eles passam vontade.</p>
<p>— Eu tenho coração!</p>
<p>— Você deixou os cachorros mal acostumados até para dormir fora de casa.</p>
<p>— Eles gostam do sofá.</p>
<p>— Mas o problema é que eles ocupam os sofás inteiros!</p>
<p>— Labradores são grandes, oras.</p>
<p>— Outro dia, tive que dar doces ao Michael em troca de um lugar no sofá.</p>
<p>— Está vendo como você é a culpada?</p>
<p>— Eu? Se não fosse por você, nossa janela não estaria toda arranhada!</p>
<p>— A janela? Por quê?</p>
<p>— Porque toda vez que os dois fofinhos são colocados para fora da casa, eles vem arranhar a janela porque sabem que você não aguenta e os coloca para dentro.</p>
<p>— Eu não consigo dormir com aquele barulho!</p>
<p>— E por causa disso, hoje temos que dividir a sala com dois labradores de nome estranho!</p>
<p>— Não são estranhos! São diferentes!</p>
<p>— &#8230;</p>
<p>— O quê? Ficou quieta de repente.</p>
<p>— Estou lendo.</p>
<p>— Dá pra você ser menos egoísta e dar atenção pra mim?</p>
<p>— E eu já não dei o suficiente? Até falamos de coisas inúteis.</p>
<p>— Os cachorros não são inúteis!</p>
<p>— E fazem o que além de sujeira e bagunça?</p>
<p>— São companheiros e carinhosos!</p>
<p>— Por que você não vai ler alguma coisa também?</p>
<p>— O que, por exemplo?</p>
<p>— Não sei. Que tal aqueles livros idiotas que me fez dar de presente ano passado?</p>
<p>— Que livros idiotas?</p>
<p>— Aqueles do vampiro que&#8230;</p>
<p>— A saga &#8220;Crepúsculo&#8221;?</p>
<p>— Isso!</p>
<p>— Não são idiotas! E mais, eu já li todos.</p>
<p>— Se você diz&#8230;</p>
<p>— Não faça essa cara de ironia! Que eu me lembre, você lia livros idiotas também.</p>
<p>— Eu?</p>
<p>— É!</p>
<p>— Não está falando do &#8220;Harry Potter&#8221;, né?</p>
<p>— Se a carapuça servir&#8230;</p>
<p>— &#8220;Harry Potter&#8221; é muito melhor que &#8220;Crepúsculo&#8221;! E simplesmente por ter história!</p>
<p>— E por isso você perdeu o tempo de ler todos os livros!</p>
<p>— Está aí algo bom para você fazer. Eu acho que ainda tenho todos os livros.</p>
<p>— Por que leria?</p>
<p>— Para mudar sua opinião.</p>
<p>— Não estou a fim de ler agora.</p>
<p>— Mas eu estou. Posso?</p>
<p>— Grossa!</p>
<p>— Grossa? Amor, eu estava quieta! Aí você chegou para me atrapalhar e eu até que fui paciente, mas&#8230;</p>
<p>— Não precisa de todo esse estresse!</p>
<p>— Não estou estressada. Só quero terminar logo esse texto.</p>
<p>— E estou te atrapalhando?</p>
<p>— Eu não quis dizer esse termo.</p>
<p>— Agora quer ser simpática?</p>
<p>— Amor&#8230;</p>
<p>— Isso é tão típico! Você provoca a situação, é grossa e depois fica toda melosa para se redimir.</p>
<p>— Eu? Que eu me lembre, é você quem implica com as coisas até me deixar louca!</p>
<p>— Agora você larga seu texto para falar comigo, né?</p>
<p>— Preciso me defender!</p>
<p>— Não precisa me atacar!</p>
<p>— Você está fazendo isso até agora!</p>
<p>— Desculpe, amor!</p>
<p>— Caramba! Estou aqui tentando me concentrar nessa droga de artigo para acabar rápido e você fica aí me atrapalhando!</p>
<p>— Já pedi desculpa!</p>
<p>— Aposto que se fosse algum artigo sobre aqueles bichinhos nojentos que você estudava na faculdade, eu não iria me intrometer!</p>
<p>— Eu não estudava animais nojentos!</p>
<p>— Como não? Eu me lembro de ter visto baratas no seu laboratório.</p>
<p>— Baratas de laboratório não são nojentas!</p>
<p>— Deu pra entender meu ponto?</p>
<p>— Entendi!</p>
<p>— Então posso ler?</p>
<p>— Pode.</p>
<p>— Ótimo!</p>
<p>— Acho que vou pegar um pacote de bolacha recheada e chamar os cachorros.</p>
<p>— Faça o que quiser, amor.</p>
<p>— Afinal, eles nunca deixam de me dar atenção&#8230;</p>
<p>— Tá bom! Chega! Desisto! Vamos conversar!</p>
<p>— Ah, não vai dar!</p>
<p>— Por quê?</p>
<p>— Porque acabou de começar a novela.</p>
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		<title>Lésbicas: mulheres elevadas à máxima potência</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Mar 2012 18:16:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Brunella França</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento]]></category>
		<category><![CDATA[O amor que ousa dizer o nome]]></category>

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		<description><![CDATA[Os livros de história sempre tiveram dificuldade em falar de mulheres que não respeitam os padrões de gênero. Viver sem homens em um mundo machista e de mentalidade patriarcal é uma afronta imperdoável aos machos da espécie. No entanto, da Antiguidade aos tempos modernos a história é fértil em relatos protagonizados por guerreiras. As Amazonas. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DiadaMulher3.jpg" alt="" width="377" height="251" />Os livros de história sempre tiveram dificuldade em falar de mulheres que não respeitam os padrões de gênero. Viver sem homens em um mundo machista e de mentalidade patriarcal é uma afronta imperdoável aos machos da espécie.</p>
<p>No entanto, da Antiguidade aos tempos modernos a história é fértil em relatos protagonizados por guerreiras. As Amazonas. São abundantes as lendas de temíveis guerreiras na Grécia antiga. Essas histórias falam de mulheres treinadas desde a infância na arte da guerra, no manejo de armas e nas privações físicas. E, acima de tudo, viviam separadas dos homens.</p>
<p>As Amazonas representam uma espécie de medo ancestral que os homens em geral têm até hoje. Ao se deparar com um grupo de mulheres poderosas, por certo os homens se lembram do período em que a humanidade viveu sob o matriarcado. Um tempo quando os homens lutavam até a morte para que o vencedor pudesse acasalar com a deusa-rainha-mãe, antes de ser ele mesmo oferecido em sacrifício.</p>
<p>Mais do que filhas de Safo, a poetisa grega da ilha de Lesbos, nós lésbicas, ouso dizer, somos as legítimas herdeiras das Amazonas. Subvertemos a ordem do sexo frágil, da dependência e da subserviência. Não seguimos o “manual de boas práticas femininas”, que dita modos de vestir, de agir, de falar, de ser e estar no mundo. Somos revolucionárias na acepção própria da palavra: fazemos uma transformação radical na estrutura da sociedade.</p>
<p>Seguimos desconstruindo certezas e quebrando o que estaria estratificado, a despeito das agressões e desqualificações cotidianas que sofremos.</p>
<p>Não somos barro para que nos possam moldar rosto e destino, nem ferro para fundir em qualquer formato, retorcer os lábios e torcer de novo, soldar um novo corpo que pouco a pouco oxida com lágrimas salgadas.</p>
<p>Não somos pré-fabricadas. E não permitimos que nos preguem pregos nas mãos e obediência nos pés. Tão pouco que cortem as estruturas de nossos dias. Não somos madeira para gravar em nós o nome de um pretenso “dono”, nem página em branco de um contrato eterno de infelicidade.</p>
<p><strong>Dia da Mulher?</strong></p>
<p><img class="alignright" style="border-style: initial;border-color: initial" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DiadaMulher1.jpg" alt="" width="244" height="364" /></p>
<p>Mulher&#8230; Poderia tecer páginas e páginas de uma ode à mais bela entre todos os seres. Mas quero aproveitar esta data para algumas reflexões. Bem, sei o que é ser mulher neste corpo que me acompanha nesta vida, com humores que oscilam meu temperamento o tempo todo.</p>
<p>Quando me dei conta que meu sexo é o feminino, despertei com ele para toda a cobrança histórica que já começa com a Eva bíblica (mesmo que eu não acredite na existência dela) e segue por toda a &#8220;estória&#8221; escrita por homens interessados em dominar as mulheres e o mundo. Com esse estigma na testa, sigo. Orgulhosa por ser mulher. Orgulhosa por ser lésbica.</p>
<p>Então, chega esta data. Todos os anos, no dia 8 de março, por todo o mundo cantam-se hinos, dizem da pele lisa e da beleza transcendental das mulheres. Esquecem-se, porém, de falar de toda violência consentida. De todos os golpes crus e ocres em nossos corpos, de todas as mãos que nos arrastam em solenes martírios; de todas as burcas confeccionadas com linhas abstratas de julgamento e superioridade.</p>
<p>Exaltam o sentimento puro e maternal. Todavia, se esquecem de publicar sobre as violações ignoradas, ventres amaldiçoados, rasgados e torturados. Elogiam nossas bocas suaves, mas preferem a omissão frente a todas as bocas barbaramente emudecidas e a todas as mordaças.</p>
<p>Enaltecem as mãos macias e ternas, apesar da aridez da vida, mas se esquecem de falar das correntes invisíveis e psíquicas, dos dedos trincados por anéis dourados. Escrevem sobre olhos ternos e preferem esconder ou fingir que não existem as tantas retinas manchadas de sofrimento.</p>
<p>Os machos querem esculpir-nos como sua melhor obra, “nascidas de sua costela”, modificando-nos a essência de acordo com seus interesses e cimentando-nos uma boca fechada, fazendo bater em nós um coração de chumbo, colocando-nos olhos cegos. Não. Não podemos aceitar. E resistimos, dia após dia.</p>
<p>Somos lésbicas. Somos mulheres que amam outras mulheres. Desafiamos a ordem estabelecida e não nos resignamos ao papel milenar que os homens têm relegado às mulheres, o de coadjuvantes da História. Somos as fêmeas elevadas à máxima potência do que é ser mulher.</p>
<p><strong>Entre elas</strong></p>
<p><img class="alignleft" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DiadaMulher2.jpg" alt="" width="303" height="226" />Mulheres são de Vênus? Eu diria que sim, já que toda mulher é, de algum modo, filha de Afrodite (ainda que não só de Afrodite). Mulher! É cor rosa-choque? Isso eu não sei se é mentira ou verdade. Mas, se quiser ousar, então me provoque! E mostrarei o meu sexo frágil no seu tato. Essência fêmea, graça e beleza; todo o eflúvio e o fluxo de ser mulher em delicadeza.</p>
<p>Mulher&#8230; Por onde anda, seguem seus olhos de cristais diluídos no mar da sapiência, pressentimentos e anseios revelam sua intuição. Ciclos estranhos e naturais revigoram sua essência, hormônios exalam seu perfume de pura tentação. O leito do rio em sua adocicada fruta rosada inebria-me pela volúpia do seu instinto e anuncia a nascente do prazer da amante amada, hipnotizador e irresistível qual o aroma de ambrosia.</p>
<p>Mulher! Da inspiração que foi criada, tornou-se a Musa da Poetisa Maior, a Deusa-Mãe, que nos deu o poder do portal da luz na jornada da vida.</p>
<p><strong>Beijaço</strong></p>
<p><img class="alignright" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DiadaMulher4.jpg" alt="" width="303" height="216" />Neste dia em que o mundo se dá conta superficialmente de sua face mulher, proponho uma ação de autoafirmação a cada uma de nós: beije-se no espelho. Isso mesmo. Não esperemos que alguém se lembre da particularidade que é ser mulher e lésbica nessa sociedade.</p>
<p>Não nos contentemos com os carinhos daqueles que insistem em nos diminuir em todos os outros dias do ano. Não nos deixemos seduzir pela gentileza fake daqueles que nos perseguem e descreditam enquanto seres humanos sempre que podem.</p>
<p>Marquemos neste dia ainda mais a nossa independência! Sejamos nós a nos acariciar, a nos cumprimentar, a nos beijar. Sejamos nós a sorrir-nos! Porque existe sempre um sorriso esperando por nós em algum lugar de nosso eu-fêmea, desejando nosso beijo mais colorido.</p>
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		<title>Diálogo De Um Casal Apaixonado: A Sex Shop</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Mar 2012 02:09:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leticia Ferrari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogo De Um Casal Apaixonado]]></category>

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		<description><![CDATA[Num sábado à tarde&#8230; — Amor, cheguei! — Nossa! Que sacola gigante! — Você não vai acreditar no que comprei! — A sacola é da sex shop? — Sim! — Posso saber o que a senhorita foi fazer lá? — Fui levar os papéis do divórcio da proprietária, que é amiga da minha mãe. — [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/03/chamada_sexshop.jpg" alt="" width="470" height="200" /></p>
<p><em>Num sábado à tarde&#8230;</em></p>
<p>— Amor, cheguei!</p>
<p>— Nossa! Que sacola gigante!</p>
<p>— Você não vai acreditar no que comprei!</p>
<p>— A sacola é da sex shop?</p>
<p>— Sim!</p>
<p>— Posso saber o que a senhorita foi fazer lá?</p>
<p>— Fui levar os papéis do divórcio da proprietária, que é amiga da minha mãe.</p>
<p>— E aproveitou pra fazer compras?</p>
<p>— Então, ela perguntou se eu queria fazer uma surpresa para a minha parceira e&#8230;</p>
<p>— Ela sabe de nós?</p>
<p>— Claro que sabe! Esqueceu que minha família sempre soube?</p>
<p>— Mesmo assim!</p>
<p>— Qual o problema?</p>
<p>— Você sabe que as pessoas são preconceituosas! Teve muita sorte do seu chefe ser um cara bacana e não te demitir!</p>
<p>— Mas ninguém ouviu quando ela disse, amor.</p>
<p>— Pode ser, mas as pessoas falam e você sabe!</p>
<p>— Fica tranquila que não teremos problemas.</p>
<p>— Acho muito bom!</p>
<p>— Ela nem imagina que você é minha namorada.</p>
<p>— Não?</p>
<p>— Claro que não!</p>
<p>— Por quê? Você não quis me assumir?</p>
<p>— Mas você acabou de dizer que&#8230;</p>
<p>— Não interessa! Você sabe que esse monte de mulher por aí vive dando em cima das casadas!</p>
<p>— Mas amor&#8230;</p>
<p>— E se não souberem quem você namora, o respeito é menor ainda!</p>
<p>— &#8230;</p>
<p>— Tá, eu sei que exagerei!</p>
<p>— Obrigada! Não estou afim de dor de cabeça hoje.</p>
<p>— Então diga afinal o que é que você comprou.</p>
<p>— Vou contar a história toda.</p>
<p>— Certo.</p>
<p>— Bom, ela perguntou da gente, aí contei que eu era muito tímida, que gostava das coisas mais básicas e&#8230;</p>
<p>— O que comprou?</p>
<p>— Calma, amor! Posso terminar?</p>
<p>— Desculpe.</p>
<p>— Aí ela começou a me mostrar umas coisas até que legais, sabe?</p>
<p>— Você falando isso?</p>
<p>— Qual o problema?</p>
<p>— Você se matou de rir quando passamos na sex shop do shopping e vimos aquela boneca inflável.</p>
<p>— Mas ela era bizarra! Você viu aquela posição?</p>
<p>— Eu vi foi a cara de impaciente da atendente.</p>
<p>— Ah, ela devia ter imaginado que não íamos comprar aquela coisa, né?</p>
<p>— Amor, depois do seu ataque de riso, ninguém mais compraria de vergonha!</p>
<p>— A culpa não é minha se tem um monte de coisa bizarra lá!</p>
<p>— Não são bizarras. Cada um tem seu gosto!</p>
<p>— Exato! Meu gosto me permite rir da bizarrice alheia!</p>
<p>— Não vamos discutir sobre isso de novo.</p>
<p>— Melhor.</p>
<p>— Agora dá pra falar o que diabos você comprou?</p>
<p>— Tá, vou continuar&#8230;</p>
<p>— Não! Sem histórias! Só o que você comprou, por favor!</p>
<p>— Chata! Bom, aqui vai&#8230; Vou pegar a caixa e&#8230;</p>
<p>— Um poste?</p>
<p>— Um poste de pole dance!</p>
<p>— Eu sei o que é pole dance! Só não sei o motivo pelo qual você comprou.</p>
<p>— Amor, é a coisa mais legal que existe na sex shop!</p>
<p>— Ah, claro! Está se referindo aos acidentes que podem acontecer com as pessoas despreparadas que ousam brincar de pole dance?</p>
<p>— Você realmente adora cortar meu barato, né?</p>
<p>— Que barato? Sair machucada?</p>
<p>— Não! Estou falando da sensualidade.</p>
<p>— Quedas e hematomas não são sensuais, amor.</p>
<p>— Estou falando da dança!</p>
<p>— Você pretende dançar?</p>
<p>— Pretendo tentar, oras.</p>
<p>— Mas amor, você não tem preparo físico para isso!</p>
<p>— Não preciso fazer nada exagerado. Ninguém vai de cara para o nível profissional, né?</p>
<p>— E onde pretende aprender?</p>
<p>— Deixa de ser atrasada! Hoje em dia a internet ensina tudo!</p>
<p>— Você vai ter aula de pole dance na internet?</p>
<p>— Sim.</p>
<p>— Por que a palavra &#8220;hospital&#8221; não me sai da cabeça?</p>
<p>— Já que está tão convicta de que vou me dar mal, por que você não dança pra mim?</p>
<p>— Eu?</p>
<p>— Seu preparo físico é melhor que o meu.</p>
<p>— Mas infelizmente meu bom senso é melhor também.</p>
<p>— Você sabe quem vai rir por último com isso tudo, né?</p>
<p>— Sei sim. O médico!</p>
<p>— &#8230;</p>
<p>— Faz essa cara porque não será você que dará satisfações no hospital!</p>
<p>— Bobagem!</p>
<p>— Ah, é? Imagina só: &#8220;Então ela colocou um poste no meio da sala e tentou se equilibrar nele, só que acabou caindo&#8221;.</p>
<p>— Eu não preciso do seu sarcasmo!</p>
<p>— Eu não quis te chatear, só que&#8230;</p>
<p>— Tudo bem! Tudo bem! Mas saiba que não terá dança sensual pra você!</p>
<p>— Amor&#8230;</p>
<p>— Agora se me der licença, vou pegar o manual e ajeitar tudo aqui para minha primeira aula.</p>
<p><em>1 hora depois&#8230;</em></p>
<p>— Ué? Já acabou a primeira aula?</p>
<p>— Já.</p>
<p>— Acabou cedo.</p>
<p>— Acabou. Já admito que estava certa sobre o preparo físico.</p>
<p>— Por isso está andando toda curvada?</p>
<p>— Dores na região lombar e estou mancando também, se prestar mais atenção.</p>
<p>— Nossa, amor! Você quer ir para o hospital?</p>
<p>— Quero, mas antes preciso de uma toalha.</p>
<p>— Pra quê?</p>
<p>— Pra enxugar a sujeira que os cachorros fizeram.</p>
<p>— Sujeira?</p>
<p>— É, acho que eles acharam uma maneira nova de usar o poste.</p>
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		<title>Quando o infinito particular não é aceito pelo universo ao meu redor</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Mar 2012 01:37:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Brunella França</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento]]></category>
		<category><![CDATA[O amor que ousa dizer o nome]]></category>

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		<description><![CDATA[Domingo. Verão. Shopping! Fui ao cinema assistir a “A invenção de Hugo Cabret”, de Martin Scorsese (recomendadíssimo! Eu me emocionei). Após o filme, aproveitei a temperatura agradável e fui à praça de alimentação. Terminando o lanche, observei uma família se sentar numa mesa próxima. Pai, mãe, filha e filho. O rapaz estava cheio de sacolas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/02/coluna-1.jpg" alt="" width="407" height="254" /></p>
<p>Domingo. Verão. Shopping! Fui ao cinema assistir a “A invenção de Hugo Cabret”, de Martin Scorsese (recomendadíssimo! Eu me emocionei). Após o filme, aproveitei a temperatura agradável e fui à praça de alimentação. Terminando o lanche, observei uma família se sentar numa mesa próxima.</p>
<p>Pai, mãe, filha e filho. O rapaz estava cheio de sacolas com presentes. Pela felicidade, deveria estar comemorando algo. Sorridentes, fizeram os pedidos. Pouco depois, o rapaz se levantou para receber os cumprimentos de um amigo. Conversaram por uns bons minutos e se despediram.</p>
<p>Pouco depois, mãe e filha anunciaram uma saída rápida. Banheiro. Foi então que ouvi o seguinte diálogo:</p>
<p>— Precisava de tudo isso? — indaga o pai num tom nervoso.</p>
<p>— De tudo isso o quê? — o filho em tom desafiador.</p>
<p>— De todo esse&#8230; De todo esse escândalo?</p>
<p>— Que escândalo?</p>
<p>— Não se faça de desentendido, Rafael. Seu&#8230; Amigo.</p>
<p>— O que tem o meu amigo?</p>
<p><img class="alignleft" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/02/coluna3.jpg" alt="" width="321" height="215" />— Precisava mesmo dessa cena toda? De tantos risinhos, de tantas&#8230;</p>
<p>— Tantas desmunhecadas, tantos trejeitos? Pai, eu SOU assim, eu NASCI assim, eu SOU gay!</p>
<p>— Mas o mundo inteiro tem que ficar sabendo? Pessoas que nem te conhecem? Precisa escrever na testa? Ou é isso mesmo que você está querendo? Pelo amor de Deus, meu filho, você não pode ser mais discreto?</p>
<p>— Mais discreto? Quer dizer, menos gay?</p>
<p>— Entenda do jeito que quiser. Só acho que, pelo menos em público, você deveria tentar se parecer com um homem de verdade.</p>
<p>Ao ouvir isso, o rapaz simplesmente se levantou, pegou suas sacolas e saiu. Eu fiquei exatamente onde estava tentando digerir aquilo tudo. Foi quando uma lágrima rolou. Decidi ir atrás do rapaz. Encontrei-o próximo à saída pela parte de trás do shopping.</p>
<p>Ousei chamar-lhe pelo nome, afinal, tinha ouvindo.</p>
<p>— Rafael! — ele parou e olhou para trás. O rosto estava marcado pelas lágrimas.</p>
<p>— Desculpa, mas eu conheço você?</p>
<p>— Não&#8230; — ele me olhava meio com vergonha, meio querendo entender quem eu era, o que queria — Olha, eu&#8230; Estava sentada próxima à mesa onde você&#8230; Bem, ouvi a conversa.</p>
<p>— Ah&#8230; Já são quatro anos disso e eu não me acostumo, bobagem&#8230; — tentou relevar.</p>
<p>— Não, não é bobagem. Pra mim já são quase seis anos e eu também não me acostumo — sorri. — Sempre dói. E acho que sempre doerá.</p>
<p>— É&#8230; Acho que sim — ele estava já um pouco mais calmo.</p>
<p>— É seu aniversário hoje? — arrisquei.</p>
<p>— Não. Eu estou saindo do Brasil.</p>
<p>— Ah! Bom&#8230; Se era isso que você queria, parabéns! — abracei Rafael e tirei da bolsa uma trufa <em>mezzo</em> que havia comprado para minha pequena Julia.</p>
<p>— Obrigado! Acho que as coisas vão melhorar&#8230;</p>
<p>— Desejo que você conquiste mais do que sonha que pode — sorri. — Boa viagem!</p>
<p>— Obrigado&#8230; Poxa, to me sentindo bem melhor, mesmo! — sorriu.</p>
<p>Trocamos outro abraço e nos despedimos. Não voltei para ver se o pai, a mãe e a irmã ainda estavam lá e qual a justificativa dada pela ausência repentina do rapaz.</p>
<p><strong>A cura<br />
</strong>Um projeto de decreto legislativo de deputados da bancada evangélica quer sustar dois artigos instituídos em 1999 pelo Conselho Federal de Psicologia que proíbem os psicólogos de emitir opiniões públicas ou tratar a homossexualidade como um transtorno. Segundo o projeto do deputado João Campos (PSDB-GO), líder da Frente Parlamentar Evangélica, o conselho &#8220;extrapolou seu poder regulamentar&#8221; ao &#8220;restringir o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação profissional&#8221;. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.</p>
<p><img class="alignleft" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/02/Coluna.jpg" alt="" width="326" height="214" />O conselho de psicologia questiona se o projeto pode interferir em sua autonomia. Para o presidente do órgão, Humberto Verona, estão lá normas éticas para combater &#8220;uma intolerância histórica&#8221;. Deve-se curar a &#8220;síndrome de patinho feio&#8221;, e não &#8220;a homossexualidade em si&#8221;, diz Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Para ele, é o preconceito que leva um LGBT a procurar tratamento. &#8220;(Ninguém diz) &#8216;cansei de ser hétero, vim aqui me transformar&#8217;&#8221;, afirma Verona.</p>
<p>O pastor e deputado Roberto de Lucena (PV-SP), relator do projeto de Campos, crê que os pais têm o direito de mandar seus filhos para redirecionamento sexual (juro que essa é nova! REDIRECIONAMENTO SEXUAL!). No entanto, reconhece que o tema deve ser discutido em audiência pública, prevista para as próximas semanas em Brasília.</p>
<p><strong>Ser<br />
</strong>Não sou uma militante LGBT no sentido estrito da palavra. Nunca participei de nenhuma reunião de grupo (embora tenha vontade) nem sou filiada a qualquer organização. Sou ativista pelas palavras. Escrevo, participo de debates e tento, assim, chegar a algumas pessoas, fazê-las entender que minha sexualidade não define meu caráter, não interfere na sexualidade dos outros, não aumenta o aquecimento global, não eleva os índices inflacionários, não aumenta a fome no mundo, não causa terremotos.</p>
<p>Minha sexualidade só diz respeito a mim, faz parte da minha vida e eu não tenho porque escondê-la. Aliás, não deveria sequer ter que explicá-la! Nunca ouvi dizer de filh@s héteros tendo que explicar à mãe e ao pai porque nasceram “daquele jeito”.</p>
<p><img class="alignleft" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/02/Coluna4.jpg" alt="" width="320" height="211" />Minha sexualidade é parte de mim, simples! Talvez, se eu tentasse, poderia deixar de exercê-la, mas por quê? Para quê? Por qual razão eu teria que me mutilar, despedaçar e abrir mão da minha sexualidade, do meu afeto, do meu amor, da minha dignidade, da minha cidadania e da minha felicidade? Para satisfazer o ideal tacanho e preconceituoso de quem enxerga tão pouco? Por que eu teria de perder tanto em troca de tão pouco?</p>
<p>Não, não vou me torturar só porque alguém, por conta de uma crença, conceito moral, ideia preconcebida, ou sei lá o quê, decidiu que o fato de eu amar outra mulher me torna um ser humano de segunda classe.</p>
<p>Não existe a menor possibilidade de eu abdicar do meu legítimo direito de ser quem eu sou. Não me obrigarei a viver uma mentira por conta da falsa e hipócrita noção de moral d@s que insistem em me condenar.</p>
<p>Com a maior divulgação das causas LGBTs e a maior visibilidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêner@s, o mundinho preto e branco hétero entrou em polvorosa (ui!). É como se a homoafetividade fosse contagiosa e @s que se salvarem da “praga” não fossem resistir ao meteoro que irá se chocar contra a Terra em 2014, matando todos os heterossexuais, assim como aconteceu com os dinossauros: bum!</p>
<p>Outra explicação poderia ser o desejo oculto de algumas e alguns de que o tal “vírus da homossexualidade” lhes contagiasse de uma vez. Mas essa eu deixo para os psicanalistas!</p>
<p>A diversidade humana é uma pluralidade de possibilidades. Igualmente não significa igualdade entre @s mesm@s. Igualdade pode ser entre pessoas, mas é preciso estar ciente que a igualdade humana dos direitos humanos vale para tod@s. E justamente porque as pessoas não são iguais é que devem ser iguais por conta da diferença, da afirmação da própria diferença.</p>
<p>E uma coisa é certa: quando saímos dos armários e assumimos nossa sexualidade, nesse exato momento, começamos uma revolução!</p>
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		<item>
		<title>Diálogo De Um Casal Apaixonado: O Ciúme</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Feb 2012 00:05:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leticia Ferrari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogo De Um Casal Apaixonado]]></category>

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		<description><![CDATA[Passeando no parque&#8230; — Amor, estou afim de um sorvete. — Tem certeza? — Qual o problema? — Eu não tenho força para segurar esses dois animais aqui. — Mas não vou levar nem dois minutos. — Foi o que disse da última vez, só que de alguma maneira eles se soltaram e passamos a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/02/chamada_ciumes.jpg" alt="" width="480" height="214" /></p>
<p>Passeando no parque&#8230;</p>
<p>— Amor, estou afim de um sorvete.</p>
<p>— Tem certeza?</p>
<p>— Qual o problema?</p>
<p>— Eu não tenho força para segurar esses dois animais aqui.</p>
<p>— Mas não vou levar nem dois minutos.</p>
<p>— Foi o que disse da última vez, só que de alguma maneira eles se soltaram e passamos a tarde inteira correndo atrás deles.</p>
<p>— Nossa, é verdade!</p>
<p>— E o pior que conforme corríamos e gritávamos, eles achavam que estávamos brincando e fugiam ainda mais!</p>
<p>— Bem que disseram que labradores são extremamente brincalhões.</p>
<p>— Então, esqueça seu sorvete!</p>
<p>— Tudo bem. Pena que o sorveteiro não deixa mais o Michael e o Jackson se aproximarem do carrinho.</p>
<p>— Se dois cachorros aparecessem do nada e me derrubasse com o carrinho, eu também ficaria muito brava.</p>
<p>— Não precisa falar nesse tom, amor.</p>
<p>— Desculpe, mas acho que você entendeu.</p>
<p>— Entendi sim, agora o que eu não entendo&#8230;</p>
<p>— Até que o dia estava tranquilo demais hoje.</p>
<p>— Posso continuar?</p>
<p>— Claro!</p>
<p>— Acontece que tenho notado uma coisa nos últimos dias e estou muito chateada com você.</p>
<p>— Comigo? Por quê?</p>
<p>— Não se faça de desentendida! Você está dando mais atenção pro Jackson que pro Michael!</p>
<p>— Eu?</p>
<p>— Você mesma! Não pensa que eu não percebi!</p>
<p>— Está na TPM de novo?</p>
<p>— Não se faça de vítima não! Está na cara que você gosta mais dele que do Michael.</p>
<p>— Ou você quer dizer que eu odeio menos ele que o Michael?</p>
<p>— Então você assume?</p>
<p>— Assumir o quê?</p>
<p>— Que existe uma diferença no seu afeto por ambos.</p>
<p>— É lógico que existe!</p>
<p>— &#8230;</p>
<p>— Amor, o Michael era um terror! Ele comeu tudo que eu mais gostava, destruiu a casa&#8230; O Jackson não deu nem metade do trabalho!</p>
<p>— Só que você precisa levar em conta que quando compramos o Michael éramos inexperientes.</p>
<p>— E daí? Isso não vai trazer de volta tudo que ele destruiu.</p>
<p>— Então esse é o problema? Você guarda mágoa do Michael?</p>
<p>— Mágoa de um cachorro? Só posso estar sendo vítima de uma brincadeira daqueles programas ridículos de domingo à tarde!</p>
<p>— Não tenta disfarçar minha acusação com uma piada de protesto!</p>
<p>— Tá bom, supondo que o assunto seja sério&#8230; Por que acha que trato o Jackson melhor que o Michael?</p>
<p>— Você não chama ele de vira-lata.</p>
<p>— Falta de oportunidade.</p>
<p>— Quando o Michael fica chorando e arranhando a janela de madrugada para entrar, você ignora. Agora o Jackson dorme quentinho na sala!</p>
<p>— O Jackson não tem tamanho para guardar a casa de madrugada e outra, o Michael também dormiu dentro de casa quando era filhote.</p>
<p>— Você não diz que vai transformá-lo em sabão quando faz ameaças.</p>
<p>— A mesma ameaça cansa, amor. É falta de criatividade.</p>
<p>— Você não o expulsa do sofá igual o Michael.</p>
<p>— Questão simples de espaço. O Michael ocupa quase que o sofá todo, já o Jackson ocupa meio espaço dele.</p>
<p>— Lógico, né? O Jackson ainda está crescendo.</p>
<p>— Então quando crescer, será expulso da mesma maneira!</p>
<p>— O tamanho não justifica tudo!</p>
<p>— Tudo não, mas justifica quase tudo.</p>
<p>— Eu não acho certo você promover esse tipo de rivalidade entre irmãos.</p>
<p>— Irmãos? Eles não são da mesma labradora, amor.</p>
<p>— Mas são irmãos em nossa família.</p>
<p>— E vem você com o papo de família&#8230;</p>
<p>— Somos como duas mães que adotaram dois filhos, tá?</p>
<p>— Claro! É exatamente a mesma coisa!</p>
<p>— Eles são dependentes da gente assim como filhos. Já conversamos sobre isso!</p>
<p>— Por favor, podemos parar com essa discussão boba?</p>
<p>— Não até eu entender qual é o eu problema com o Michael!</p>
<p>— Tá bom! E o que mais falta pra gente poder ir embora logo?</p>
<p>— Dessa vez você não vai poder negar ou inventar desculpinhas!</p>
<p>— E vem&#8230;</p>
<p>— Você nunca mais levou o Michael para passear depois que o Jackson começou a vir junto!</p>
<p>— Claro que sim! Nós até decidimos vir juntas para dar conta de segurar os dois!</p>
<p>— Mas você nunca mais segurou a coleira do Michael!</p>
<p>— Óbvio que não! O Jackson não tem a força dele, está achando que sou burra? Dessa maneira não faço muito esforço.</p>
<p>— Está me chamando de burra?</p>
<p>— De maneira nenhuma, amor!</p>
<p>— Você disse sim! Indiretamente, mas disse!</p>
<p>— Foi só o modo de falar, amor. Eu jamais te xingaria assim!</p>
<p>— Nem venha agradar agora!</p>
<p>— Mas eu&#8230;</p>
<p>— Você sempre magoa alguém! Primeiro o Michael, agora eu&#8230;</p>
<p>— Pela última vez, eu não quis te xingar e o cachorro não tem mágoa!</p>
<p>— Ah, é? Então por que ele ficou deitado na casinha dele a tarde toda depois que você gritou e mandou ele desaparecer da sala ontem?</p>
<p>— Porque ele não parava de pular em cima da minha sobrinha! A coitada mal começou a andar e o Michael estava atrapalhando!</p>
<p>— Mas ele ficou depressivo na casinha e só saiu de lá quando você foi falar com ele.</p>
<p>— Quando você me obrigou a pedir desculpas pra ele, né?</p>
<p>— Funcionou, não funcionou?</p>
<p>— Tá, eu admito que aquele dia parecia mesmo que ele estava magoado. Contudo, ele não está com ciúme do Jackson!</p>
<p>— Eu nem mencionei a palavra ciúme até agora, viu como você se entregou?</p>
<p>— Ah, eu desisto! Vamos embora, Jackson!</p>
<p>— Pode ir na frente! Quero só ver quando você descobrir que sente o mesmo pelos dois! Vai ter crise de remorso!</p>
<p>Mais tarde&#8230;</p>
<p>— Amor, lembra quando disse que éramos inexperientes ao comprarmos o Michael?</p>
<p>— Lembro.</p>
<p>— E concorda que hoje já temos experiência o suficiente para não cometer os mesmos erros, certo?</p>
<p>— Vá direto ao ponto, por favor.</p>
<p>— A senhorita esqueceu a toalha de time que comprou semana passada no varal e o seu anjinho cor chocolate transformou-o em vários pedacinhos.</p>
<p>— Eu não acredito! Achei que ele não seria capaz já que o Michael aprendeu a não fazer mais isso!</p>
<p>— Pensou errado!</p>
<p>— Cadê aquele vira-lata?</p>
<p>— Odeio dizer que eu avisei, mas&#8230;</p>
<p>— Tudo bem! Você venceu! Amor, me desculpe. Você estava certa sobre eu gostar mais do Jackson.</p>
<p>— Obrigada!</p>
<p>— E mais certa ainda ao falar da crise de remorso.</p>
<p>— Sério? Vai mesmo ficar com remorso por destratar o Michael?</p>
<p>— Não, mas com certeza vou ficar depois que matar os dois e lembrar que me custaram uma nota!</p>
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		<title>Mamãe, por que você fica triste se eu digo que sou igual a elas?</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Feb 2012 00:44:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Brunella França</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento]]></category>
		<category><![CDATA[O amor que ousa dizer o nome]]></category>

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		<description><![CDATA[Sou a filha mais velha de duas irmãs. E tinha sete anos quando me apaixonei pela primeira vez. Não, eu não queria ser a Xena, a Princesa Guerreira. Ok, talvez quisesse as habilidades dela, mas eu queria mesmo era ser a Gabrielle e estar ao lado de Xena 24 horas, viajar com ela, participar de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img class="aligncenter" src="http://abcles.com.br/wp-content/uploads/2012/02/chamada_filhos.jpg" alt="" width="588" height="250" /></p>
<p>Sou a filha mais velha de duas irmãs. E tinha sete anos quando me apaixonei pela primeira vez. Não, eu não queria ser a Xena, a Princesa Guerreira. Ok, talvez quisesse as habilidades dela, mas eu queria mesmo era ser a Gabrielle e estar ao lado de Xena 24 horas, viajar com ela, participar de sua vida.</p>
<p>Não era um amor do tipo “nossa, como ela é incrível, eu quero ser assim quando eu crescer”. Era do tipo “como pode existir no mundo alguém tão linda assim?” E eu não me cansava de admirá-la, de suspirar por ela assistindo à série aos domingos de manhã (e continuo suspirando ainda hoje).</p>
<p>Meu episódio preferido é “<em>Once against an army</em>”. As declarações entre elas, o amor explícito&#8230; Xena e Gabrielle me ensinaram muito sobre mim mesma. Ensinaram-me lições para a vida toda. Acontece que eu não nasci numa cidade “liberal” e meus pais não têm amigos gays. Nasci numa cidade cujo centro é a praça de uma igreja.</p>
<p>E na minha casa, descobri bem cedo que não teria ninguém com quem compartilhar o meu episódio favorito, menos ainda teria como repeti-lo e comentá-lo. Minha mãe nunca gostou que eu assistisse à série. “Não é uma coisa boa isso!”, era o julgamento dela (e ainda deve ser). E sempre fazia cara feia quando, nas férias, eu me recusava a ir à praia aos domingos pela manhã para não perder um capítulo sequer.</p>
<p>O que será que ela diria se, quando ainda criança, eu tivesse tentado iniciar uma conversa do tipo:</p>
<p>“Mamãe, Xena e Gabrielle se amam. E elas são iguais a mim!”</p>
<p>Por certo, não seria muito diferente da resposta obtida anos depois: lágrimas de tristeza, de desapontamento. Isso sem contar as típicas perguntas “onde foi que eu errei?” e similares. Não, a minha família não aceita que eu seja lésbica. E eles não me amam como eu sou. Esperam que um dia “isso” passe, que volte a ser “uma menina normal”, como a minha irmã caçula.</p>
<p>Meus pais não estão ansiosos para dançar em meu casamento. Aliás, eles nem acreditam que eu possa me casar, ter uma família de verdade, ter filhos. E minha mãe jamais admitirá que a Xena seria uma nora realmente incrível.</p>
<p><strong>Eles estavam apenas se expressando</strong></p>
<p><em>&#8220;A Constituição nos dá o direito à livre expressão. O direito à livre expressão não dá a ninguém o direito de cometer um crime&#8221;.</em></p>
<p><em>(Law &amp; Order: Special Victims Unit)</em></p>
<p>Eu era criança e gostava de jogar bola, correr na rua, brincar de pique, me sujar de lama. Correr, sentir o vento batendo no rosto. Mas então um amigo do meu pai foi até a nossa casa e eu voltava da rua toda sorridente, com o joelho esfolado e uma bola debaixo do braço. “Sua menina? Está mais para um moleque. É bom tomar cuidado com isso”. Essa foi a primeira de uma lista de críticas feitas a mim. Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.</p>
<p>Época de natal. Todas as minhas primas – e minha irmã – mais ou menos da mesma idade sempre desejavam ganhar uma boneca, uma Barbie. Eu gostava muito mais da ideia de ganhar uma bola, um jogo, uma bicicleta. Várias pessoas da família olhavam com ar reprovador. “Isso não é coisa de menina! Você tem que ser uma mocinha!” Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.</p>
<p>Na escola, diversas vezes ouvi reprovações sobre meu modo de ser e do que eu gostava de brincar. Uma vez, chegaram a dizer: “essa daí não tem jeito, vai virar sapatão”. Eu tinha 8 anos. E eles estavam apenas se expressando.</p>
<p>Fui proibida de jogar futebol. Não era coisa para menina. Ganhava bonecas, conjuntos de panelinha, era incentivada a brincar de casinha, coisas que eu deveria apreciar tanto quanto minhas primas e/ou coleguinhas. Foi então que passei a preferir a companhia dos livros. Eles, pelo menos, não me recriminavam.</p>
<p>Na adolescência, começaram a surgir as cobranças. “Cadê o namoradinho?” Num churrasco de família, um tio observou que eu estava crescendo. “Não é uma menininha mais”. Meu pai respondeu: “é, e os gaviões já estão chegando aqui. Daqui a pouco vai ter um comendo churrasco com a gente”.</p>
<p>Eu me senti doer inteira, tremer. Gaviões? Então eu era uma presa cuidadosamente cuidada para gaviões? Minha vontade era responder “não, papai, não haverá gaviões. Prefiro as águias. Ou, melhor ainda, as corujas!”. Mas eu apenas deixei o almoço e fui chorar no porão. Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.</p>
<p>No ensino médio, nunca houve um garoto com quem eu quisesse formar um casal. E nunca cedi às investidas dos meninos. Cheguei a ouvir que precisava de “uns bons pegas, pra aprender a ser mulher”. E nunca houve alguém com quem eu pudesse conversar sobre isso. A errada era eu, que deveria ser como todas as outras meninas da minha idade.</p>
<p>Em 2010, quando me formei em Comunicação Social – Jornalismo – a primeira de uma família imensa a cursar uma federal, não pude levar minha namorada à minha festa de formatura, que paguei sozinha, fruto do meu esforço e do meu trabalho. Só que não “pegava bem”, as pessoas poderiam não ver com bons olhos, e as minhas chances no mercado de trabalho se todos soubessem que eu era “aquilo”? Não era homofobia, minha família estava apenas se expressando, preocupada comigo e me protegendo.</p>
<p>Até hoje, não pude apresentar minha namorada, não pudemos estar juntas num momento família. Até hoje, meus pais esperam que eu “me comporte bem e não saia por aí demonstrando a minha vida para os outros”. Ou seja, tudo bem que eu seja lésbica, desde que dentro do meu quarto e que ninguém mais saiba disso.</p>
<p>Quereria ser indiferente ao gesto condenável, aos olhares tortos, à vigilância sobre a qual sou posta a cada reunião familiar para que “não faça nada de errado”. Quereria nem ligar para a conotação negativa que muitos dão à minha presença, entender ser mesmo tudo como uma questão cultural.</p>
<p>Quereria não ser afronta e apenas liberar minha verdade. Soltar de meus sentimentos as amarras e ser feliz em meu universo arco-íris. Quereria ter gritado:</p>
<p>- Sou eu! Sou assim!</p>
<p>E ter ouvido todo um futuro a me responder:</p>
<p>- Estás aqui!</p>
<p><strong>Textos inspiradores desta coluna</strong></p>
<p>“Não é homofobia” &#8211; <a href="http://www.plc122.com.br/hao-homofobia-historia-real/#axzz1leZGI2Ni">http://www.plc122.com.br/hao-homofobia-historia-real/#axzz1leZGI2Ni</a></p>
<p>“Mamãe, eles são iguais a mim” &#8211; <a href="http://nossafamiliacolorida.blogspot.com/2012/02/e-num-mundo-com-pessoas-como-essas-que.html">http://nossafamiliacolorida.blogspot.com/2012/02/e-num-mundo-com-pessoas-como-essas-que.html</a></p>
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